Desportos Náuticos

Como o Dongfeng conquistou a VOR

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A VOR 2017-2018 chegou ao fim, com o resultado mais apertado em 45 anos de história da maior regata de volta ao mundo.

A Volvo Ocean Race 2017-18 só foi decidida nas últimas jardas de domingo, 24 de Junho, e era claro que, com os veleiros MAPFRE, Brunel e Dongfeng praticamente empatados antes da largada, o vencedor das mais de 700 milhas da 11ª etapa seria o campeão.

O veleiro vermelho da equipa chinesa Dongfeng conquistou o título ao vencer a 11ª etapa entre Gotemburgo (Suécia) e Haia (Holanda), com o tempo de 3 dias, 3 horas e 22 minutos. O segundo lugar nesta pernada ficou para a equipa holandesa AkzoNobel e o terceiro para a equipa espanhola MAPFRE.

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Os sete VOR 65 perfeitamente alinhados após a largada em Gotemburgo, no dia 21 de junho. (foto Jesus Renedo/Volvo Ocean Race)

O barco comandado pelo francês Charles Caudrelier escolheu um caminho diferente dos demais, arriscando navegar entre a costa e as várias zonas interditas (separação de tráfego e parques eólicos).  A decisão, no entanto, não surtiu efeito nas horas iniciais. O barco caiu na tabela depois de iniciar a nova rota.

“Sabíamos que inicialmente ficaríamos para trás e que, se desse certo, seria apenas no final. No último relatório de posição, no domingo, nós estávamos a 27 milhas do final e eles tinham 20 milhas de vantagem. Parecia perdido, mas eu fiz um cálculo e vi que dava. Acordei toda a tripulação e acelerámos.”  Charles Caudrelier, comandante do Team Dongfeng.

O Brasil também pode comemorar parte do título, porque na tripulação do Dongfeng ia a holandesa Carolijn Brouwer, que também se diz brasileira, afinal ela não esconde o orgulho em ter morado em Niterói (RJ) e Belo Horizonte (MG) por mais de uma década. Ela e a francesa Marie Riou são também as primeiras mulheres a vencer a Volvo Ocean Race.

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Carolijn Brower, a “brasileira” do Dongfeng, durante a regata in-port de Newport (EUA), no dia 19 de maio (foto Jeremie Lecaudey/Volvo Ocean Race)

O resultado foi o mais apertado na história de 45 anos da regata de volta ao mundo.  O Dongfeng Race somou ao todo 73 pontos, incluindo a bonificação extra por ter percorrido mais milhas em menos tempo no conjunto das 11 etapas. O MAPFRE fez 70 e o Team Brunel 69 pontos. O AkzoNobel, da campeã olímpica brasileira Martine Grael, terminou o campeonato em quarto lugar.

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A campeã olímpica brasileira, Martine Grael, navegando no Akzo Nobel, entre Newport(EUA) e Cardiff (Reino Unido) (foto Konrad Frost/Volvo Ocean Race)

Nos lugares seguintes, ficaram Vestas 11th Hour Racing, Turn the Tide on Plastic, dos portugueses Paulo Mirpuri (sponsor), Frederico Melo e Bernardo Freitas e SHK | Scallywag, do português António Fontes.

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Frederico de Melo, completamente encharcado, ao décimo terceiro dia de mar, entre Cape Town (África do Sul) e Melbourne (Austrália) (foto Jeremie Lecaudey/Volvo Ocean Race)
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Bernardo Freitas aperta o capacete, em sinal que as coisas estavam a ficar sérias, no quinto dia da pernada Newport-Cardiff, dia 24 de maio (foto Martin Keruzore/Volvo Ocean Race)
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A bordo do Sun Hung Scallywag, no final do sétimo dia de regata, entre Newport (USA) e Cardiff (Reino Unido), António Fontes mostra-nos as suas mãos cheias de feridas, uma imagem da tremenda dureza desta regata., (foto Rich Edwards/Volvo Ocean Race)

O MAPFRE, do campeão olímpico espanhol Xabi Fernández, ficou em terceiro lugar na 11ª pernada, o que colocou a equipa em segundo lugar no geral. Mas a armada espanhola queria o ouro!

“Está a ser difícil para a equipa, porque navegámos muito bem durante toda a regata, e nesta pernada também, por isso, estamos um pouco decepcionados, naturalmente. Ficámos muito, muito próximos desta vez, mas não foi o suficiente. Por isso, temos que dar os parabéns ao Dongfeng, que navegou um pouco melhor que nós.”  Xabi Fernández, cmdt do Team MAPFRE.

O comandante do Team Brunel, Bouwe Bekking, não conseguiu ser campeão depois de oito tentativas e com um final em casa, na Holanda.

“Terceiro lugar, ainda no pódio, acho que podemos estar orgulhosos como equipa. Achámos que tínhamos feito a escolha certa ( ir mais longe da costa) e esperávamos uma mudança de vento, que aconteceu apenas 90 minutos mais tarde. Temos que dar os parabéns à Dongfeng e à MAPFRE pelos resultados.” Bouwe Bekking, cmdt do Team Brunei

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Dee Caffari, a britânica, única mulher comandante, do único veleiro com bandeira portuguesa, dá uma entrevista à chegada a Haia, sendo visível o seu contentamento por ter conseguido um muito honroso sexto lugar.

A Volvo Ocean Race 2017-18 teve 11 etapas, com duas passagens por Portugal, Lisboa, ainda em 2017, e uma passagem pelo Brasil, Itajaí (SC), que recebeu os barcos vindos dos mares do sul em abril deste ano.  A bordo estiveram embarcados quatro velejadores de língua portuguesa.

Após realizar com sucesso a Volvo Ocean Race por 20 anos, o Grupo Volvo e a Volvo Cars decidiram transferir a regata para um novo proprietário, com capacidade, foco, experiência e conhecimento para continuar a promover o seu desenvolvimento. A próxima edição da regata acontecerá em 2021-2022 e será conduzida pela Atlant Ocean Racing Spain S.L.

“A Volvo Cars continuará a apoiar a próxima edição da regata como patrocinadora, com especial enfoque na sustentabilidade”. Björn Annwall, Vice-Presidente Sénior da Volvo Cars

A Atlant Ocean Racing Spain S.L. é dirigida por Richard Brisius, Johan Salén e Jan Litborn. Brisius, Salén e Litborn têm uma vasta experiência na maior regata do mundo, tendo trabalhado em sete edições da Volvo Ocean Race nos últimos 28 anos. Brisius e Salén começaram como tripulantes na regata de 1989-90, antes de se tornarem gestores de equipas de sucesso como a EF Language (1997-98), a Ericsson 4 (2008-09) ou a SCA  (em 2014-15), a primeira equipa com uma tripulação totalmente feminina. Brisius e Salén são, desde novembro de 2017,  respectivamente, presidente e co-presidente da edição atual da Volvo Ocean Race.

E, mais recentemente, no dia 2 de julho, soube-se que o veleiro VOR 65, vai, também ele, ser substituído por uma nova plataforma de regata, o IMOCA 60, na sequência da assinatura duma parceria com a International Monohull Open Class Association (IMOCA).

Fonte: VOR