Marinha de Guerra

Escola Naval homenageou Oliveira e Carmo

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A Escola Naval, “Alma Mater” da nossa Marinha e de todos os seus Oficiais, foi o local escolhido para reunir os representantes da família, sua mulher Maria do Carmo, e os seus dois filhos, Diogo e Jorge, para honrar e homenagear o pai, marido, um Homem, um Marinheiro, um camarada, que por obras valerosas da lei da morte se libertou, e que num combate hercúleo e desigual se imortalizou.

Junto dos jovens Cadetes de agora, relembrámos os cadetes do passado, em particular os que ousaram ingressar na Marinha no ano de 1955, no curso “D. Duarte de Almeida”, entre eles o jovem Jorge Manuel Catalão de Oliveira e Carmo.

Da esquerda para a direita, Jorge Oliveira e Carmo, Cmdt. Temes de Oliveira, Maria do Carmo, CMG EMQ Helder Limpinho, Diogo Oliveira e Carmo, CAlm Simões Marques, CMG Almeida Pereira, Almirante Joel Pascoal, CFR Pereira de Castro e CMG Braz de Oliveira.
Da esquerda para a direita, Jorge Oliveira e Carmo, Cmdt. Temes de Oliveira, Maria do Carmo, CMG EMQ Helder Limpinho, Diogo Oliveira e Carmo, CAlm Simões Marques, CMG Almeida Pereira, Almirante Joel Pascoal, CFR Pereira de Castro e CMG Braz de Oliveira.

No auditório da Escola Naval, durante a sessão solene, o atual chefe do curso “D. Duarte de Almeida”, Luís Joel Alves de Azevedo Pascoal, hoje Almirante na reforma, com sábias e sentidas palavras, recordou o percurso, o ambiente político-militar, os desafios e os ideais que levaram o jovem de 25 anos, comandante da lancha NRP VEGA, a combater contra um inimigo desproporcional, imortalizando-se e fazendo jus ao mais nobre acto de sacrifício pela Pátria, morrer em combate.

Aspeto da sessão solene no auditório da Escola Naval
Aspeto da sessão solene no auditório da Escola Naval

Assim como há sessenta anos, na Escola Naval, os Cadetes de agora, continuam a fazer o mais nobre juramento sobre a bandeira Nacional.

…Juro defender a minha Pátria e estar sempre pronto a lutar pela sua liberdade e independência, mesmo com o sacrifício da própria vida…”

O então jovem segundo-tenente Jorge Oliveira e Carmo reafirma-se hoje, e sempre, como um dos nossos Heróis do Mar, que nos deixou um legado exemplar de liderança e patriotismo, quando naquele fatídico dia 18 de dezembro de 1961, numa pequena lancha de 17 metros e 90 toneladas, armada com uma metralhadora de 20mm, enfrentou o seu destino com abnegação e estoicidade.

Imagens de Oliveira e Carmo e do seu navio, Diu e as instalações navais em Diu
Imagens de Oliveira e Carmo e do seu navio, Diu e as instalações navais em Diu

Oliveira e Carmo nasceu em Santo Estêvão, no concelho de Alenquer, a 26 de setembro de 1936. Estudou em Lisboa no Liceu Pedro Nunes e, em outubro de 1954 entrou para a Escola do Exército e, depois, para a Escola Naval. Terminados os estudos, foi promovido a guarda-marinha em maio de 1958, e em dezembro a segundo-tenente.

Prestou serviços na superintendência dos Serviços da Armada e no Comando da flotilha de patrulhas, e a bordo dos patrulhas NRP BOAVISTA e NRP PORTO SANTO, e da fragata NRP PÊRO ESCOBAR.

O seu primeiro comando duma unidade naval chegou em 1961: a lancha de fiscalização NRP VEGA, com 8 homens de guarnição e a missão de assegurar a defesa marítima de Diu.

Modelo da lancha NRP VEGA
Modelo da lancha NRP VEGA

Cumpriu com devoção a ordem de comando superior, que ditava a defesa do território nacional, do apoio à defesa e proteção daqueles que na fortaleza de Diu se debatiam contra um ataque desproporcionado da União Indiana.

Foi nas palavras do Diogo, seu filho mais velho, que nos sentimos pequenos perante tanta grandeza de caracter.

Foi certamente uma decisão difícil, com a consciência clara de que seria tomada com o preço da própria vida… Pela Honra pela Pátria …Deixar aos 25 anos para trás um Futuro, a Vida, a Família, a Mulher … os Filhos… perder a vida e ganhar a honra !…

…Queria apenas concluir referindo que a dimensão de uma Nação tem muito a ver com a forma como são preservadas as suas memórias…

e se há memórias relevantes na identidade de uma nação são as Memórias dos actos daqueles que em sua defesa, com honra e patriotismo, perecem…

A grandeza de um País está nos seus homens e nos seus valores e na forma como celebra e Homenageia os seus Heróis do passado.

Homenagear o Pai e aqueles que com ele morreram em Diu na manhã do dia 18 de Dezembro de 1961 é Homenagear a nossa Pátria e os valores mais nobres que a sustentam…”

Placa comemorativa na EN
Placa comemorativa na EN
Fernando Braz de Oliveira

Oficial da Armada (ref). Desportista náutico. Responsável por desenvolvimento do negócios e vendas especiais, marketing e comunicação na Edisoft Defense & Aerospace Technologies.

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