Património Cultural Marítimo

Fernão de Magalhães

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O Homem que dobrou o Mundo

Ultimamente muito se tem falado e escrito sobre Fernão de Magalhães e, felizmente, no seu país de origem. Era comum este navegador, o maior e mais apto de todos, ser relegado para segundo plano como figura malquista, obliterado da História nacional, não pelo patriotismo, mas pelo “portuguesismo” bacoco e retrógrado.

As comemorações conjuntas dos governos de Espanha e Portugal relativas aos 500 anos da viagem de circum-navegação, trouxeram à memória do País o que foi este Homem.

Fernão de Magalhães (gravura de autor desconhecido,1810 (Biblioteca do Congresso dos EUA)
Fernão de Magalhães (gravura de autor desconhecido,1810 (Biblioteca do Congresso dos EUA)

Os livros publicados pelo historiador José Manuel Garcia, o romance de João Morgado, avalizado pelo historiador, e o livro de Edouard Roditi, esclarecem e elucidam o leitor do papel de Fernão de Magalhães na navegação e historiografia mundial.

Pôs-se sempre a questão se ele teria tido conhecimento que as Molucas, Ilhas das Especíarias, estavam ou não do lado português definido pelo Tratado de Tordesilhas. Hoje podemos dizer que ele já o sabia, mesmo antes de lá chegar, pois inferimos pela sua dilação de rumar para Ternate, sempre com os seus mais próximos a instá-lo para tal. Esta situação deve-se ao facto de saber perfeitamente onde se encontrava.

Planisfério mostrando o meridiano do Tratado de Tordesilhas e contra-meridiano do Tratado de Saragoça, sendo visível a localização das ilhas Molucas no lado português.
Planisfério mostrando o meridiano do Tratado de Tordesilhas e contra-meridiano do Tratado de Saragoça, sendo visível a localização das ilhas Molucas no lado português.

Isto em nada é demeritório para Fernão de Magalhães. Basta ler os relatos das suas navegações, agora disponíveis, para se perceber o  que era o Homem.

No livro de João Morgado,  “Fernão de Magalhães e a Ave do Paraíso”, pg 284, surge a passagem  que transcrevemos:

O Relato de Albo

— Que novas me trazeis? — perguntou Magalhães quando André de San Martín, o cartógrafo, entrou no seu camarote e se aproximou dele carregado com a sua carta de marear. Vinha secundado por Francisco de Albo, que sempre o apoiava nos cálculos  das coordenadas e que tudo apontava no seu diário.

— Las nuevas que traemos , no serán de vuestro contentamiento capitán — afirmou em tom seco.

……… Depois, sem nada dizer (San Martín) passou com o dedo por uma linha que atravessava o documento (carta de marear)  de alto a baixo. Sem que ninguém lhe desse a palavra, o capitão rastreou o traço com os olhos  e depois… pragejou ……….. acontece que … não passava nos mesmos lugares (do Mapa de Faleiro). Isso mudava tudo. Absolutamente tudo. Mudava o Norte e a sua posição do mundo, mudava o seu encargo, o seu sonho, a sua vida.

Os diários de Francisco Albo encontram-se no Arquivo das Índias em Sevilha.

Assinatura de Fernão de Magalhães
Assinatura de Fernão de Magalhães
Fernando Quental

Empresário, desde sempre ligado ao mar, na atividade de Shipchandler, era muitas vezes o elo que ligava o navio a terra, porque a comida é fundamental a bordo em alto mar. Durante 30 anos abasteceu a Marinha de Pesca e a Armada, sendo respeitado pela sua honestidade, competência e principalmente pelo seu caracter, que lhe permitia fazer amigos em todos os navios. É sócio da APORVELA.

3 Comentários

  1. Schieder da Silva Responder

    Os pombos correios sao largados a milhares de kms do seu ponto de partida,origem,antes de iniciarem a derradeira viagem,dao umas voltas no ar e voam infalivel ao seu destino,assim era com o Fernao de Magalhaes e como todos aqueles que se sentem em casa ao navegar nos mares desconhecidos nunca antes navegados,a isto chama-se ter o dom da orientaçao,e que nasce connosco ou nao,cada um de nös tem dons e o Magalhaes sentia-se em casa no desconhecido,onde outros falharam,por isso è que ficou na Historia e falamos dele passados mais de quinhentos anos.
    Grande homem.

  2. Schieder da Silva Responder

    Hä um grupo de adeptos de negacionistas que diz que a terra è plana.
    Todos os elementos do Universo organizados sao redondos,è isso mesmo,o Universo è redondo,as Galacias sao redondas,os Sistemas Solares sao redondos,os Planetas e Luas e o Sol sao tambem redondos.
    Tudo o que nao for redondo nao è organizado,mas poderao um dia se-lo.
    A forma redonda è a mais resistente de todas,porque nao existe um lado fraco,todos os lados sao iguais,ou seja nao hä lados.
    E claro que o Fernao de Magalhaes nao sabia isso ,descobriu por acaso e por experiencia propria,tal como eu que nao posso provar o que escrevi,mas è uma questao de logica e de observaçao.

  3. Schieder da Silva Responder

    Estou desapontado que nesta revista ultra conservadora se permita usar a palavra de “portuguesismo bacoco” isto è inceitävel.
    Nao è verdade que o sejamos,senao nunca poderiamos ser independentes da poderosa Espanha,ser campeoes europeus e mundiais em värias modalidades desportivas e outras,ser uma referencia e invejados em tantas coisas,è isso ser bacoco?
    Sö uma ignorancia muito grande è que pode produzir tal comentärio.
    Fernao de Magalhaes escreveu o seu nome na Histöria para nunca mais de lä saìr,e pelas melhores razoes.
    Os maldizentes sao bons e necessärios para que defendamos os nossos herois da nossa gloriosa Histöria,os que nos malduzem fazem-no apenas por inveja e incompetencia por nao terem sido capazes de nos superarem,nem mesmo com alguns traidores que querem mudar o curso da Histöria,porque nunca vao conseguir,mas apenas nos fazerem ainda mais fortes.

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