Património Cultural Marítimo

Identidades marítimas, memórias e representações poveiras

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A camisola poveira, agora internacionalmente célebre, é o objeto omnipresente desta exposição patente no Museu Municipal de Etnografia e história da Póvoa de Varzim.

A exposição inaugurada na tarde do passado dia 10 de julho no Museu Municipal de Etnografia e História, da Póvoa de Varzim, subjacente ao título “Identidades Marítimas, memórias e representações”, visa participar nas celebrações dos 500 anos da viagem de circum-navegação, levada a cabo pelo navegador Fernão de Magalhães, estando integrada numa série de apresentações promovidas pela Direção Regional de Cultura do Norte.

Abertas as portas do Museu, mostrando a já considerável quantidade de peças reunidas ao longo dos anos, além das embarcações de pesca utilizadas pelos pelos pescadores locais, ou modelos dessas mesmas embarcações, a exposição dá realce à importância das siglas poveiras, que serviram para melhor identificar as famílias da gente do mar; uma fascinante quantidade de ex-votos, terrestres e marítimos, onde se encontram desenhos de antigas barcas, que outrora ligaram o Porto a múltiplos destinos no Brasil, imagens e pinturas antigas da bandeira da Póvoa de Varzim, manequins com trajes do século XV, imagens de Nossa Senhora da Boa Viagem, algumas peças alusivas a S. Pedro Gonçalves Telmo e, ainda o mais recente ex-libris da cidade, i.e. a camisola poveira.

A camisola poveira bordada é feita em lã branca de fio grosso, da zona da Serra da Estrela, denominada “lã poveira” e decorada a ponto de cruz, com motivos de inspiração diversa (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc), sendo somente utilizada lã de cor preta e vermelha nos bordados. (imagem Reinaldo Delgado)
A camisola poveira bordada é feita em lã branca de fio grosso, da zona da Serra da Estrela, denominada “lã poveira” e decorada a ponto de cruz, com motivos de inspiração diversa (escudo nacional, com coroa real; patinhos; siglas; remos cruzados; vertedouros; etc), sendo somente utilizada lã de cor preta e vermelha nos bordados. (imagem Reinaldo Delgado)
Identidades marítimas, memórias e representações poveiras 16
“A camisola poveira era inicialmente (1ª metade do século XIX) feita em Azurara e Vila do Conde e bordada (ou marcada) na Póvoa pelos velhos pescadores. Em evolução, passou a ser bordada pelas mães, esposas e noivas dos pescadores, e depois feita e bordada na Póvoa”, Maria Glória Martins da Costa – “O Traje Poveiro””, In: Póvoa de Varzim Boletim Cultural, vol. 19 (1980) (imagem Reinaldo Delgado)
Ex-voto da barca ARMANDINA (imagem Reinaldo Delgado)
Ex-voto da barca ARMANDINA (imagem Reinaldo Delgado)
Ex-votos são objetos bi e tridimensionais que são colocados numa igreja, numa capela ou em um cruzeiro, em cumprimento de um voto ou promessa. Aqui o ex-voto da barca SANTA CRUZ (imagem Reinaldo Delgado)
Ex-votos são objetos bi e tridimensionais que são colocados numa igreja, numa capela ou em um cruzeiro, em cumprimento de um voto ou promessa. Aqui o ex-voto da barca SANTA CRUZ (imagem Reinaldo Delgado)
A lancha poveira DIVINA PROVIDÊNCIA (imagem Reinaldo Delgado)
A lancha poveira DIVINA PROVIDÊNCIA (imagem Reinaldo Delgado)

Presentes na inauguração da exposição, o presidente da Câmara, Engº Aires Pereira, o vice-presidente Dr. Luís Diamantino, os historiadores professores Drª Amélia Polónia e Amândio Barros, e também um muito interessado grupo de convidados.

Pelo interesse que a exposição justifica, coube à directora do museu, Drª Deolinda Carneiro, explicar o porquê e a origem dos items expostos, lembrando que é intenção do museu manter a exposição aberta até ao dia 22 de Fevereiro do próximo ano, livre de encargos para estudantes, professores, maiores de 65 anos e para os Grupos dos Amigos dos Museu.

Diorama dum serão poveiro. "O Poveiro faz muitos e contínuos serões. Tem de fiar, torcer e dobar o linho para fazer e compor as redes e este serviço força-o a um constante labor. Mas os seus serões são diferentes dos das outras colmeias da região : começam à uma hora da madrugada e acabam ao romper do dia. E todos trabalham dos sete anos por diante." A. Santos Graça, O Poveiro, Etnográfica Press, 1992 (imagem Reinaldo Delgado)
Diorama dum serão poveiro. “O Poveiro faz muitos e contínuos serões. Tem de fiar, torcer e dobar o linho para fazer e compor as redes e este serviço força-o a um constante labor. Mas os seus serões são diferentes dos das outras colmeias da região : começam à uma hora da madrugada e acabam ao romper do dia. E todos trabalham dos sete anos por diante.” A. Santos Graça, O Poveiro, Etnográfica Press, 1992 (imagem Reinaldo Delgado)
Trajes femininos em uso no século passado, que ainda são utilizados como representação local pelos ranchos folclóricos (imagem Reinaldo Delgado)
Trajes femininos em uso no século passado, que ainda são utilizados como representação local pelos ranchos folclóricos (imagem Reinaldo Delgado)
Reinaldo Delgado

Autor do blog "Navios e Navegadores", é um amante do mar e dos navios, que fotografa com regularidade. Investigador sobre história marítima (marinhas de guerra e de comércio), é colaborador da Revista de Marinha há vários anos, escrevendo principalmente sobre temas relacionados com o norte do país. Durante a sua vida profissional exerceu funções na agência Sofrena - Sociedade de Afretamentos e Navegação, Lda. de Matosinhos, hoje integrada no grupo E.T.E. - Navex

4 Comentários

  1. Schieder Da Silva Responder

    Os sinais sao os antepassados da escrita atual,as pessoas hoje sao mais inteligentes,por isso usam a escrita ,sinais muito evoluidos,e os sinais antigos.
    A escrita cuneiforme,estä para os antigos como estä a nossa escrita para nös hoje,acredita-se que a Grècia foi o primeiro paìs a ter uma escrita,uma escrita com outros sinais que nao os sinais egìpcios e outros.
    Na Praça do Almada,mesmo em frente ä Camara Municipal estao a maioria dos sinais poveiros conhecidos,visitei o museu etnogräfico lä e pude ver a Historia poveira ainda mais profunda do que aquilo que se ve no dia a dia,os museus sao um retrato do passado para que possamos ver o que jä andamos em direçao ä plenitude da inteligencia.

  2. Schieder Da Silva Responder

    A escrita de hoje è a exemplo dos sinais antigos,mas a forma moderna nos dias de hoje,porque nos tempos muito antigos tudo era feito por sinais,e os primeiros sinais conhecidos e que nos interessam agora sao os sinais dos maçoes,nao os maçoes de hoje,porque esses nao sao os verdadeiros,os verdadeiros começam com Moisès eo Tabernaculo no deserto das terras do Faraö e terras de Canaa,foi entao necessärio dar sinais ao povo de Israel para que pudessem entrar no Tabernaculo,sinais esses que foram depois usados na construçao do Primeiro Templo e do Segundo Templo,depois disso acabaram as construçoes com a necessidade de ser usar sinais deste tipo.
    Os atuais maçoes tambem usam este tipo de sinais,entenda-se,os sinais utilizados pelos judeus naqueles tempos,mas nao teem muito a ver com eles,mas pode sempre haver uma relaçao devido ä permanencia de muitos judeus em Portugal desde ä muitos anos,porque o primeiro exodo de judeus começou em 722 a.C. e depois disso houve mais movimentaçoes deste tipo em direçao ä Peninsula Iberica, 587 a.C. e depois em 70 d.C.
    Existem mais coisas a contar,mas nao estao de todo em conformidade com o artigo,foi sö para se saber de onde veem os sinais,porque sao tidos como segredos por quem os possui,eu possuo sinais desse tipo,mas nao sou maçao.

  3. Schieder Da Silva Responder

    Os sinais poveiros estao um pouco por todo o lado nos passeios da Povoa,e atè sao muitos,porque naquele tempo ainda nao tinham a escrita e regiam-se por estes sinais que foram passando de pais para filhos de geraçao em geraçao,a exemplo dos templärios,nao è por acaso esta tradiçao dos sinais entre eles,porque a escrita jä existia,mas os primeiros a usar os sinais deste tipo foram os maçoes e o primeiro maçao foi Moisès.
    Nao me vou atrever a escrever toda a Histöria dos maçoes,mas que o posso fazer se me permitirem,tem religiao e judeus pelo meio e nao sei se o autor aceita isso.

  4. Schieder Da Silva Responder

    Vivi na Povoa de 1980 a 1997,ainda hoje quando vou a Portugal fico lä no Grande Hotel ,bela cidade com uma grande Historia e um mar muito fundo na costa e agitado no inverno,na zona do casino as casas teem uma vedaçao na porta de entrada para impedir a ägua das marès vivas de janeiro de entrar nas casas.
    Foi lä que fiz leme a bordo de um barco de pesca para poder embarcar nos transatlanticos,e atè fui pescador a bordo de um barco de pesca por um dia,e atè nem fui o primeiro a ir ä borda,vida miserävel ,mas nao tive capacidade para aguentar tal tortura,mesmo o barco tendo ficado cheio de peixe,tanto que foi preciso chamar o camiao da Povoa para levar o peixe extra que foi pescado,mesmo assim nao fui mais,respeito muito quem anda nesta vida,gente dura que sofre muito para ganhar o seu pao e que merecem ser mais respeitados por todos!

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