Marinha de Guerra

Nos 60 anos da Marinha Ganesa

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Marinha do Gana vai comemorar 60 anos

A região, conhecida como a Costa do Ouro, foi inicialmente ocupada pelos portugueses que aí começaram a estabelecer feitorias em 1482, na região de Elmina. A partir de 1633, com o enfraquecimento da Marinha Portuguesa, a região ficou sob o domínio dos holandeses até ao século XIX.

O Forte da Mina ou Elmina. Foi conquistada por uma expedição holandesa que partiu do Recife em 1637 (foto Obibini)
O Forte da Mina ou Elmina. Foi conquistada por uma expedição holandesa que partiu do Recife em 1637 (foto Obibini)

Em 1871, o Gana tornou-se colónia britânica por aquisição do Império Britânico aos holandeses.

Os britânicos, a exemplo do que fizeram pelo resto do império, criaram unidades militares locais, guarnecidas na grande maioria com pessoal indígena. Mas a administração colonial britânica do Gana só viu necessidade duma componente naval durante a Segunda Guerra Mundial, altura em que criou a Gold Coast Naval Volunteer Force. Esta força foi o embrião da atual Marinha do Gana, quando, após a obtenção da independência, em 6 de março de 1957, o jovem país iniciou a reorganização e expansão das suas Forças Armadas.

A Marinha começou assim por ser uma força voluntária criada em junho de 1959, com sede em Takoradi, na região oeste do Gana. Os homens foram retirados do Regimento de Infantaria da Gold Coast e colocados sob o comando de oficiais da Royal Navy.

A força tinha duas divisões baseadas em Takoradi e Accra, respectivamente. O primeiro chefe do Estado-Maior da Marinha foi o comodoro Archibald G. Foreman, oficial aposentado da Marinha Britânica que esteve em funções até setembro de 1961, quando o presidente  Nkrumah acabou com o emprego de oficiais britânicos nas forças armadas e nomeou o tenente-coronel, graduado em contra-almirante David A. Hansen, que se tornou o primeiro ganês a chefiar a Marinha do seu país.

O Pavilhão da Marinha do Gana, com a Cruz de São Jorge, de inspiração Inglesa (Ghana Navy)
O Pavilhão da Marinha do Gana, com a Cruz de São Jorge, de inspiração Inglesa (Ghana Navy)

 

O comodoro A.G. Foreman, primeiro comandante da Marinha do Gana, 1959-61 (foto Ghana Navy)
O comodoro A.G. Foreman, primeiro comandante da Marinha do Gana, 1959-61 (foto Ghana Navy)
O calm D. A. Hanen, o primeiro CEMA ganês (foto Marinha do Gana)
O calm D. A. Hanen, o primeiro CEMA ganês (foto Marinha do Gana)
O Contra-almirante Seth Amoama é o atual CEMA do Gana, tendo tomado posse em 21 de dezembro de 2018 (foto Marinha do Gana)
O Contra-almirante Seth Amoama é o atual CEMA do Gana, tendo tomado posse em 21 de dezembro de 2018 (foto Marinha do Gana)

Hoje, a Marinha do Gana, com cerca de 2.000 efetivos, estrutura-se em três comandos operacionais, o Comando Ocidental, em Sekondi, o Comando Oriental, em Tema e o Comando de Formação em Agota, todos sob as ordens do quartel-general em Burma Camp, Acra.

Os seus meios navais principais são doze navios patrulha entre os 60 e os 40 metros de comprimento, quatro dos quais, a classe BILKA, adquiridos novos à China em 2012, ano em que a Marinha do Gana também recebeu dois patrulhas rápidos classe GEPARD, cedidos pela Marinha Alemã.

Para além dos navios-patrulha, a Marinha Ganesa dispõe duma dezena de lanchas patrulha mais pequenas, como as lanchas de alumínio cabinadas de 9m, de origem norte-americana da classe DEFENDER.

Os navios patrulha de origem chinesa, P34 GNS BLIKA e P35 GNS GARINGA (foto Marinha do Gana)
Os navios patrulha de origem chinesa, P34 GNS BLIKA e P35 GNS GARINGA (foto Marinha do Gana)
Uma lancha classe Defender durante o Exercício ObangameSaharan Express 2016 (Foto USNavy Luis R Chavez Jr)
Uma lancha classe Defender durante o Exercício ObangameSaharan Express 2016 (Foto USNavy Luis R Chavez Jr)

Com mais de 560km de linha de costa e um enorme mar para vigiar e defender, a Marinha do Gana precisa de adquirir mais capacidades e tem planos para adquirir três navios de patrulha oceânicos. A classe Portuguesa VIANA DO CASTELO, com 1.600 tons pode ser uma interessante possibilidade.

Mas a modernização da marinha passa também pelas infraestruturas de comando e serviços, como o novo edifício do Comando Naval, inaugurado em 2016, onde está previsto instalar o centro de controlo do VTMIS (Vessel Traffic Management and Information System) e a importante obra de ampliação e modernização do estaleiro naval, em Acra.

A IMDEC 2019

Aproveitando a efeméride das comemorações dos 60 anos da sua Marinha, o Gana vai organizar uma grande conferência internacional e uma feira de indústrias e serviços de defesa.

Prevista ser a maior reunião naval do continente africano, a IMDEC 2019, International Maritime Defense Exhibition and Conference 2019, terá lugar nos dias 23 e 24 de julho no Kempinski Gold Coast Hotel, em Acra, no Gana.

O Kempinski Gold Coast Hotel, onde decorrerá a semana de feira
O Kempinski Gold Coast Hotel, onde decorrerá a semana de feira

Para o evento, foram convidados os comandantes das marinhas africanas e de outras marinhas amigas e com interesses na região, como a Marinha Portuguesa, bem como comandantes das forças aéreas e autoridades policiais e marítimas e representantes de estaleiros e fabricantes de equipamentos com aplicação nas áreas da defesa, do policiamento, da vigilância e fiscalização e da segurança e salvamento marítimos.

A organização prevê receber mais de 300 participantes que vão poder ouvir cerca de 40 palestrantes e dialogar com três dezenas de comandantes das Marinhas de Guerra, com interesses regionais.

A região do Golfo da Guiné tem sido palco dum recrudescimento de atividades ilícitas e criminosas, como a pirataria, a pesca ilegal e os assaltos à mão armada, problemas que constituem uma importante ameaça à estabilidade e ao desenvolvimento económico e social da região.

Mapa dos incidentes de pirataria no Golfo da Guiná nos últimos 5 anos
Mapa dos incidentes de pirataria no Golfo da Guiná nos últimos 5 anos

A Conferência Internacional de Defesa Marítima pretende ser o ponto de encontro e diálogo entre todos os atores regionais, por forma a desenvolver capacidades conjuntas e explorar oportunidades que no futuro facilitem a estabilização económica e a segurança da zona do Golfo da Guiné.

 

 

João Gonçalves

Oficial da Marinha de Guerra. Especializou-se em submarinos, onde navegou cerca de seis anos. Foi representante nacional na NATO para Electronic Warfare e Psychologic Operations. Tem o curso de Informação Pública da NATO. Esteve colocado cerca de sete anos nos Açores onde foi Autoridade Marítima local. Em 1997 ganhou o prémio de melhor colaborador da Revista da Armada. É diretor adjunto da Revista de Marinha desde janeiro de 2018.

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