Pescas e Aquacultura

O Mar no contexto do Desenvolvimento Global, em Moçâmedes

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A 1ª Conferência Internacional da Academia de Pescas e Ciências do Mar do Namibe

No dia 20 de Abril de 2018 a Academia de Pescas e Ciências do Mar do Namibe (APCMN), localizada na cidade de Moçâmedes, organizou a sua 1ª Conferência Internacional, subordinada ao tema “O Mar no contexto do Desenvolvimento Global”. A Academia, com excelentes instalações, inauguradas oficialmente em 17 de Julho de 2017, recebeu uma interessada assistência que praticamente encheu o auditório/sala magna. Estiveram presentes a Ministra das Pescas e do Mar da República de Angola, Victória de Barros Neto, que procedeu ao discurso de abertura, o Governador da Província do Namibe, os Secretários de Estado do Ambiente e do Ensino Superior, dirigentes e técnicos de diversos organismos do Estado Angolano, docentes, alunos e convidados. A sessão contou com intervenções de três conferencistas portugueses: Rui Rocha, Investigador da Universidade de Aveiro que abordou o tema “Aquacultura Comunitária – um caminho para o desenvolvimento sustentável”; Manuel Pinto de Abreu, Professor Universitário e ex-Secretário de Estado do Mar do XIX Governo Constitucional de Portugal, que apresentou “Blocos de Construção do Oceano: para além dos Espaços Marítimos” e Victor Gonçalves de Brito, Contra-almirante (ref), que falou das “Oportunidades e Perspectivas de Desenvolvimento da Economia do Mar”. As intervenções suscitaram perguntas interessadas de parte da audiência, confirmando a pertinência dos temas abordados. A Coordenadora da Comissão de Gestão da APCMN, Prof. Doutora Carmen dos Santos, procedeu ao encerramento da Conferência, apresentando as respectivas sínteses e conclusões. Durante a tarde, algumas das entidades presentes realizaram uma visita às instalações da Academia.

Um ambicioso empreendimento, orientado para o ensino superior das ciências do mar, da pesca e do processamento do pescado, de grande mérito, em Angola

A Academia é um projecto iniciado há cerca de uma década, de concepção básica e financiamento polacos, bem localizada sobre o porto de Moçâmedes, num amplo espaço próximo do centro da cidade. Orientada para o ensino superior das ciências do mar, da pesca e do processamento do pescado, além de excelentes condições infra-estruturais típicas das Universidades, chamam especialmente a atenção os laboratórios, simuladores e outros locais de apoio ao ensino e à aprendizagem. Algumas dessas facilidades, já fisicamente equipadas, são um importante activo nacional e têm condições para ser usadas no treino de marítimos em geral, para além da pesca. Citam-se um simulador de ponte de navegação totalmente equipada, simuladores para a manobra de navios, sala de treino de comunicações com cerca de 10 postos, tanque de treino de salvamento marítimo, com capacidade de gerar ondulação e equipado com jangadas salva-vidas, embarcações de salvamento e grua hidráulica; módulo de treino de combate a incêndios, oficinas de máquinas ferramentas e de soldadura, banco de ensaios de motor Diesel e outros laboratórios de Física, Electrotecnia, etc. Existem planos para dar continuidade ao investimento no apetrechamento científico, designadamente na área da aquicultura. De salientar que no “campus” existem um dormitório para 120 alunos e 12 moradias para docentes visitantes, cada com 3 quartos com casa de banho privativa, sala e cozinha.

De momento, em funcionamento no segundo ano lectivo, a Academia tem cerca de 1000 alunos, de todas as províncias de Angola, havendo a intenção de vir a ter alunos estrangeiros, nomeadamente oriundos dos restantes países que compõem a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Em conclusão, a Academia de Pescas e Ciências do Mar do Namibe constitui um ambicioso empreendimento, de grande mérito na área do ensino, com potencial na investigação científica e que, ao consolidar-se, será fundamental para o ensino das matérias náuticas e para o desenvolvimento das actividades marítimas – pesca e outras – em Angola.

Contra-Almirante engenheiro construtor naval, reformado Engenheiro Maquinista Naval da Escola Naval, graduado pelo MIT com os graus de Ocean Engineer e de Master of Science em Arquitectura Naval e Engenharia Marítima. Esteve embarcado durante 5 anos em diversos navios da Armada e, posteriormente, cumpriu uma carreira no Arsenal do Alfeite e em departamentos de engenharia, manutenção e projecto naval na Marinha. De 2002 a 2009 foi Administrador do Arsenal do Alfeite e, em 2010, Presidente executivo dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Foi docente convidado do IST durante 26 anos (1981 a 2007). De 2012 a 2015 foi docente do ensino politécnico privado nas áreas dos riscos e da segurança ocupacional. É membro conselheiro da Ordem dos Engenheiros onde, entre outros cargos, foi vice-presidente nacional de 2007 a 2013.

1 Comentário

  1. Artur Manuel Pires Responder

    Outro excelente artigo, sobre o desígnio do mar da lusofonia. E neste caso, ainda com um toque de exotismo, dado pela presença de polacos em África, e ligados ao mar. Os meus parabéns ao Sr. Almirante Vítor Gonçalves de Brito.