Marinha de Guerra

O meu primeiro Comando no Mar

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Numa primeira impressão com o título que caracteriza este artigo, julgo que é fácil ser remetido para o pensamento de que isto apenas diz respeito aos homens e mulheres que andam no mar: marinheiros e marinheiras.  Todavia, não é com esse propósito que vos conto em detalhe a minha passagem pelo comando do NRP HIDRA. Pretendo, com este artigo ser – suficientemente – amplo no meu espectro do público-alvo, tendo a ousadia de vos cativar com as estórias dos meus 21 meses a bordo do NRP HIDRA, o segundo navio da minha (ainda) curta carreira na Marinha de Guerra Portuguesa.

Este desafio de comandar um navio com uma guarnição (tripulação) de 8 homens, teve início no dia 18 de outubro de 2019 e terminou no dia 29 de julho de 2021. Durante este período, servi a Marinha e o nosso País, com 7 militares (1 sargento e 6 praças), sob o meu comando.

Ao assumir o comando, o NRP HIDRA encontrava-se em missão em águas algarvias, estando atracado em Faro. Nesse dia, estabeleci com o 2.º elemento mais antigo a bordo, o sargento da classe de maquinistas-navais, um plano para começar a conhecer o navio e a guarnição em pormenor. Fiz uma primeira visita generalista ao navio, nas mais diversas áreas, para tomar contacto com as pessoas e as preocupações prementes que pudessem existir. Esta primeira radiografia ao navio, foi benéfica e crucial. Em seguida, optei por realizar reuniões sectoriais com cada um dos responsáveis pelas diferentes áreas, aproveitando para conhecer a minha guarnição, com maior enfoque e rigor.

Atracado, em companhia de outra lancha da mesma classe, no Cais do PAN (Ponto de Apoio Naval) de Portimão. (imagem Yazide Sulemane)
Atracado, em companhia de outra lancha da mesma classe, no Cais do PAN (Ponto de Apoio Naval) de Portimão. (imagem Yazide Sulemane)

Esta abordagem “quebrou o gelo” nos dias seguintes à entrega do comando, visando a rápida integração do comandante a bordo – fomentando a interligação entre o comandante e a sua guarnição. Após isto, fiquei com uma noção clara do estado da plataforma, relativamente às suas capacidades e limitações. Conscientemente, numa primeira fase, procurei sensibilizar a guarnição para o período operacional que se avizinhava, nas conversas que ia tendo com eles – com o intuito de os preparar mentalmente, para as sucessivas missões que o navio iria ter, ao longo do ano de 2020 e para a necessidade de cada um deles dar o melhor de si, do seu esforço, visando o prestígio da Marinha Portuguesa.

Este desígnio de comandar uma unidade naval numa altura tão embrionária da carreira, acarreta uma elevada responsabilidade para nós – jovens oficiais. Por esse motivo, decidi esclarecer dúvidas com outros oficiais que exerciam o comando de navios da mesma tipologia. Aproveitei, não só para tirar partido da experiência, sabedoria e sensibilidade de cada um deles, mas também para o fazer junto dos 7 militares que tinha a bordo: profissionais, disponíveis, competentes e, nos quais, depositei a minha inteira confiança – profícua para o cabal cumprimento das missões que nos foram atribuídas. Este navio do tipo Lancha de Fiscalização Rápida (LFR), com 27 metros de comprimento, 95 toneladas de deslocamento e 22 nós de velocidade máxima, desempenhou – sob o meu comando – diversas missões no âmbito da busca e salvamento marítimo, patrulha e fiscalização dos espaços marítimos sob jurisdição nacional, apoio no combate à poluição do mar, repressão de atos ilícitos (tais como narcotráfico ou imigração ilegal) em estreita colaboração com outros agentes do Estado.

A costa do Algarve e o farol de Alfanzina à vista, durante mais uma missão de busca e salvamento. (imagem 1Mar TA Tiago Campos)
A costa do Algarve e o farol de Alfanzina à vista, durante mais uma missão de busca e salvamento. (imagem 1Mar TA Tiago Campos)

Confesso que, com 26 anos de idade, ter sido nomeado para exercer o primeiro comando da minha carreira, foi um exigente e rigoroso desafio. A responsabilidade última pelo navio, pela guarnição e pelo cumprimento da missão, exige do comandante: assertividade, ponderação e discernimento permanentes. Nestes 21 meses de comando no NRP HIDRA, desempenhámos missões na Zona Marítima do Centro (entre Nazaré e Sines) e na Zona Marítima do Sul (da Costa Vicentina e Algarve). Posso dizer (com orgulho), que grande parte do meu período de comando foi com o navio em missão operacional, cumprindo todos os dias o propósito para o qual foi concebido: servir Portugal e os Portugueses, no mar.

Ao longo dos 500 dias (aproximadamente 17 meses) que passei em missão – longe de casa –, fui compelido a crescer, como pessoa, militar, marinheiro, líder de pessoas e gestor de emoções.

Este desenvolvimento e crescimento pessoal e profissional, acabou por ser sustentado pelas sucessivas situações com que me deparei. Algumas adversas – fosse no mar ou em terra – as quais mereceram a minha análise, reflexão e tomada de decisão. Neste processo de tomada de decisão, tal como ordenam as boas práticas de liderança, aconselhei-me sempre junto da minha equipa, procurando sempre impor a bordo um estilo de liderança “servant leadership”, i.e., orientei as minhas decisões, considerando sempre a opinião de todos, para que todos se sentissem importantes no processo de decisão do comandante. Tal estilo de liderança, fortaleceu o espírito de coesão e entrosamento na guarnição, proporcionando um ambiente saudável e de bem-estar a todos os militares que estavam sob a minha alçada.

Na cerimónia de entrega de comando, o 2º Tenente Sulemane recebe o distintivo de Comandante de Unidade Naval, do comandante da Zona Marítima do Sul, Capitão-de-mar-e-guerra Rocha Pacheco. (imagem MGP)
Na cerimónia de entrega de comando, o 2º Tenente Sulemane recebe o distintivo de Comandante de Unidade Naval, do comandante da Zona Marítima do Sul, Capitão-de-mar-e-guerra Rocha Pacheco. (imagem MGP)

Este tipo de conduta permitiu-me atingir relevantes resultados e atrair os militares para o propósito da missão, enfatizando sempre a opinião e intervenção de cada um deles – contribuindo assim, para um aumento da confiança e autonomia de cada um.

A teoria mais tradicional e conservadora de que o comandante é o pináculo do navio e a sua liderança é intocável, autoritária e infalível, não foi a que procurei implementar nas minhas ações, enquanto comandante do NRP HIDRA. Foi curioso observar que, ao longo destes 21 meses, os níveis de entrosamento, coesão, compromisso e confiança evoluíram de forma crescente, no seio da guarnição.

Entrarei agora em maior pormenor, sobre algumas passagens que me ficaram na memória e que terei todo o gosto de partilhar, de seguida.

Decorria o dia 7 de novembro de 2019 (20 dias após a entrega de comando) e o NRP HIDRA deixava Portimão pelas 05h00 e navegava de regresso à Base Naval de Lisboa.

Para os marinheiros, o quarto da alva, proporciona momentos de rara beleza como este nascer do Sol o largo de Olhão. (1Mar TA Tiago Campos)
Para os marinheiros, o quarto da alva, proporciona momentos de rara beleza como este nascer do Sol o largo de Olhão. (1Mar TA Tiago Campos)

Nos dias anteriores, fiz o acompanhamento da previsão das condições meteorológicas- oceanográficas e os dados disponíveis evidenciavam alguma ondulação e vento dos quadrantes de Noroeste (NW), porém, nada que condicionasse severamente o navio de efetuar o trânsito entre Portimão e a Base Naval de Lisboa. Ora, partilho convosco que esse dia foi dos mais longos da minha vida… Eu, que nunca tinha enjoado em nenhum dos navios por onde passei – deparava-me ali, com uma ondulação de 3 metros, cujo período da onda era muito curto e em que o comprimento da onda vs. o comprimento do navio faziam com que o mesmo entrasse em ressonância. Devido a esse facto, reduzi velocidade e adequei o rumo também levando em linha de conta o vento que soprava, na ordem dos 25/30 nós. À primeira impressão, os 3 metros transmitem a ideia de que estavam condições de mar favoráveis… Contudo, esta altura significativa da onda não se verificou em momento algum favorável. Foi uma verdadeira prova à fibra da guarnição que estava, há poucos dias, sob as minhas ordens. As circunstâncias em que o navio se encontrava, impossibilitaram a confeção de refeições a navegar. A bordo de um navio com 27 metros, perante estas condições de mar e de vento, tivemos que encontrar soluções alternativas à refeição tradicional à mesa… aproveitámos o pão existente e fizemos umas sandes, bebemos água e comemos fruta.

O NRP HIDRA a navegar em mar picado (imagem MGP)
O NRP HIDRA a navegar em mar picado (imagem MGP)

Eram 21h00, quando estávamos a entrar no Canal do Alfeite, no Rio Tejo, a escassos minutos de atracar. Já dizia o filósofo Platão: Existem três tipos de homens: os vivos, os mortos e os que andam no mar.

Começou, nesta fase a construção de uma equipa unida e coesa, capaz de dar cumprimento aos padrões de prontidão naval durante as missões seguintes. Depois dessa desafiante tirada (a mais exigente destes 21 meses), agradeci o esforço e o espírito de sacrifício de todos. Memorável!

Considero relevante retratar a mudança nos modos de vida a bordo, aquando do aparecimento da primeira vaga de casos de COVID-19, em Portugal. Foram dias e meses bastante exigentes para todos os portugueses. Nós, guarnição de um navio em missão, não fugimos à regra e realizámos um período de confinamento de, aproximadamente, 50 dias a bordo do navio. Foram dias intensos, com 8 homens limitados a um espaço significativamente confinado, como é um navio de pequenas dimensões, em que os espaços habitacionais e o refeitório para refeições estão muito próximos. Amadureci e tive diversas situações para lidar e gerir entre elementos da guarnição – naturalmente, apenas causadas pelo desgaste psíquico e mental de vários dias todos juntos 24h/dia e 7 dias/semana. Foi nesta altura que me pus à prova, na medida em que deveria manter-me calmo e sereno, para assegurar que nenhum elemento da minha guarnição desistisse e pusesse em causa a segurança de todos. Um desafio que foi superado e que, certamente, jamais o esqueceremos.

A sanefa da prancha do navio, e o forte de Ferragudo ao fundo, em noite de super Lua (imagem Yazide Sulemane)
A sanefa da prancha do navio, e o forte de Ferragudo ao fundo, em noite de super Lua (imagem Yazide Sulemane)

Uma das missões principais que são atribuídas a este tipo de navios é a Busca e Salvamento Marítimo, ou seja, nós – enquanto militares a servir neste tipo de navios em missão – devemos dar uma resposta pronta, em caso de algum alarme de SOS no mar. Defini, com a minha equipa, que todos – sem exceção –, deveriam estar sempre contactáveis, a qualquer hora do dia.

A qualquer momento, poderia haver a necessidade de prestar auxílio a uma embarcação ou a qualquer um dos seus tripulantes.

O dia 26 de maio de 2020, foi um desses dias. Recebi informação de que estava um praticante de kitesurf desaparecido, junto à “Praia dos Três Irmãos”, no Alvor, Algarve. Estávamos todos a bordo. Efetuámos todos os preparativos para largar o navio, o mais rápido possível.

Deslocámo-nos para a área de busca e salvamento e encontrámos de imediato, o indivíduo. Estava consciente, mas bastante cansado, uma vez que o aparelho com que estava a efetuar kitesurf estava danificado. Por este motivo, estava a nadar contra a corrente, em direção a terra, tentando ser avistado, o que lhe provocou extremo cansaço. Prestámos o nosso auxílio e recolhemos – de imediato – o indivíduo, na casa dos 50 anos. Levámo-lo para terra para ser assistido. Estas situações acontecem com alguma frequência, porém aumenta a sua ocorrência na altura do verão, em que a prática dos desportos náuticos se intensifica.

O dia 5 de maio de 2020 mexeu com as emoções dos militares do NRP HIDRA, quando conseguiram salvar um praticante de kitesurf que estava desaparecido. (imagem Yazide Sulemane)
O dia 5 de maio de 2020 mexeu com as emoções dos militares do NRP HIDRA, quando conseguiram salvar um praticante de kitesurf que estava desaparecido. (imagem Yazide Sulemane)

Em março de 2021, ao nível da Marinha, o navio cumpriu uma avaliação dos seus padrões de prontidão a que se seguiu um plano de treino intensivo com o objetivo de colocar os níveis de desempenho do navio, e sua guarnição, nos mais elevados patamares de forma a estar pronto a atuar nas mais diversas situações incluindo de emergência. Foram duas semanas de treino operacional bastante exigentes, com uma sequência de diversas ações de formação e exercícios a bordo, que incluiu a simulação de combate a incêndios/alagamentos, simulação de manobra para salvamento de homem ao mar, simulação de falha total de energia a bordo, simulação de avarias no sistema de propulsão e de governo (leme do navio), simulação de emergências médicas, simulação de navegação em águas restritas em condições de visibilidade reduzida (nevoeiro), entre outras.

Todas estas situações, nestas duas semanas de treino intensivo, levaram a guarnição do NRP HIDRA próximo do limite, em termos de desgaste físico e psicológico. O navio largava todos os dias para navegar, pelas 07h30 e atracava em Setúbal, pelas 19h30. Entre preparativos e briefings das ações de treino a desempenhar no dia seguinte e sujeitas a avaliação, a guarnição tinha ainda de assegurar as diversas tarefas de gestão corrente associadas a um qualquer navio, tais como as ações de manutenção preventiva ou corretiva em equipamentos mecânicos e elétricos, como os motores ou geradores, ou a preparação e a confeção das refeições do dia e do dia seguinte, incluindo a alimentação da equipa de avaliadores da Marinha presente a bordo. Diariamente, pelas 22h30 (após jantar) estava estabelecido que me reunia com todos, no refeitório (local mais amplo do navio), para ensaiar as ações de treino que seriam avaliadas no dia seguinte, com vista à sua preparação e para que todos soubessem as suas incumbências e tarefas a realizar – garantindo que no dia seguinte tudo sairia, conforme planeado. A alvorada era cedo, pelas 04h00 e entre a preparação do pequeno-almoço, as limpezas exigentes e minuciosas a todos os cantos e contornos do navio (as limpezas no interior também eram objeto de análise e avaliação por parte dos avaliadores), havia ainda a necessidade de colocar o navio pronto e seguro para navegar – peado todo o material e pertences da guarnição – independentemente das condições meteorológicas-oceanográficas.  Foram dias longos e exigentes, todavia isto só confirmou aquilo que eu já sentia: tinha uma equipa ao meu lado, pronta, disponível e capaz de ultrapassar os rigorosos desafios de um treino operacional, mesmo debaixo de uma enorme pressão física e psicológica. Tudo culminou com uma avaliação-geral bastante positiva, diria, muito elogiosa para o navio, para a minha guarnição e para mim, como comandante deste fantástico grupo – menção honrosa transmitida pelo responsável máximo do Centro Integrado de Treino e Avaliação Naval da Marinha.

A guarnição do NRP HIDRA, reunida na ponte com o seu comandante, após a conclusão da missão de 9 meses na Zona Marítima do Sul (imagem Yazide Sulemane)
A guarnição do NRP HIDRA, reunida na ponte com o seu comandante, após a conclusão da missão de 9 meses na Zona Marítima do Sul (imagem Yazide Sulemane)

Fiquei muito orgulhoso pelo desempenho da minha guarnição. Foi naquele momento que senti que o caminho que tínhamos percorrido juntos, até àquele dia, tinha sido o caminho certo.

No final, fiz questão de realçar o papel de cada um, ao longo deste período intensivo de treino e avaliação. Mas terá corrido tudo tão bem? Não! Nem sempre. Houve problemas, houve por vezes quebras emocionais nos meus militares – senti isso. Mas, foi exatamente isso que fez com que nos uníssemos em torno de um objetivo comum e trabalhássemos todos em prol do sucesso da missão. Foi marcante o discurso que fiz na sexta-feira, dia 19 de março de 2021, pelas 19h30 após atracarmos e desembarcarmos todos os avaliadores.

Senti um orgulho muito grande, por ser o comandante daquela singela guarnição.

Disse:” Temos Guarnição!”, mergulhado em lágrimas, no final do discurso. Em seguida, nos unimos num forte e contagiante abraço. Ainda hoje recordo a energia daquele abraço.

Em junho de 2021, durante a última missão no Algarve, fui contactado pelo oficial que me iria suceder no cargo de comandante do NRP HIDRA, dando-me conhecimento de que tinha sido ele o nomeado pelo Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada para tão honroso cargo.

Aí, nesse instante, apercebi-me e tomei consciência que o magnífico período que vivi a bordo do NRP HIDRA, como seu comandante, estaria prestes a acabar.

Em poucas palavras, foram inesquecíveis os momentos vividos durante o meu período de comando. Contudo, intensificaram-se nos dias que antecederam a entrega de comando ao meu sucessor. Entre jantares, convívios e discursos de despedida carregados de emoção e sentimento, devo dizer que ali – naqueles momentos – repensei os 21 meses a bordo e refleti interna e calmamente, tendo feito um balanço da minha ação e liderança – sobre o que posso e devo aperfeiçoar, tendo em conta futuros cargos de Liderança/Comando e Gestão; sobre tudo o que vivi – que me fez amadurecer e desenvolver como pessoa, militar, marinheiro, oficial, líder de pessoas e sobre a gratidão que tenho aos 10 militares que serviram debaixo das minhas ordens, a bordo do NRP HIDRA.

As caras dos elementos da guarnição nesta “foto de família” do NRP HIDRA, espelham bem o estilo de liderança do comandante. (imagem 2Ten Lopes Ferreira)
As caras dos elementos da guarnição nesta “foto de família” do NRP HIDRA, espelham bem o estilo de liderança do comandante. (imagem 2Ten Lopes Ferreira)

As missões tiveram as suas especificidades que requereram, sempre, uma visão perspicaz e estratégica, colocando sempre o modus operandi do navio, em consonância com as orientações superiormente determinadas. Procurei pautar-me pelos princípios básicos, no trato com superiores, pares e subordinados, exigindo-me a mim mesmo e depois aos outros: respeito, flexibilidade, compreensão e justiça.

O exemplo que transmitimos, para os que nos rodeiam, dizem muito sobre a nossa forma de estar e de atuar.

Tentei, de forma realística, retratar aquilo que vivi e senti, sabendo que haveria muito mais para descrever e partilhar, em maior detalhe. Porém, espero que o relato sobre a minha experiência, como comandante de um navio do tipo Lancha de Fiscalização Rápida, tenha dado a conhecer um pouco dos desígnios daquilo que é comandar no mar.

Decorrente da cerimónia de entrega de comando, entreguei o NRP HIDRA no dia 29 de julho de 2021, em missão, como foi apanágio durante o meu período de Comando. Um navio pronto, treinado, rotinado e disponível para continuar a servir a Marinha e o País. Considero que deixei uma equipa sólida e pronta para cumprir qualquer missão que lhe seja atribuída, assim que superiormente determinada pela Marinha.

Fui feliz a bordo do NRP HIDRA e confesso que ter comandado um navio, entre os meus 26 e os 28 anos de idade, foi uma experiência inesquecível e inigualável.

Para terminar, finalizo com uma conhecida citação do Filósofo Cícero:

Quanto maiores são as dificuldades a vencer, maior será a satisfação do ser humano.

Yazide, a bordo do seu navio, o NRP HIDRA (imagem Yazide Sulemane)
Yazide, a bordo do seu navio, o NRP HIDRA (imagem Yazide Sulemane)
Yazide Sulemane

Oficial da Armada

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