Marinha de Guerra

O submarino russo Project 636.3, B-602 MAGADAN

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No passado dia 26 de março de 2021, numa cerimónia com pompa e circunstância que incluiu todos os operários do Estaleiro do Almirantado, em São Petersburgo, a Marinha da Rússia lançou à água o submarino diesel-elétrico B-602 MAGADAN.

O navio está pronto para realizar as provas a cais, provas de entrega e de estado. A empresa está pronta para construir novos submarinos”,  Alexander Buzakov, Diretor-geral dos Estaleiros do Almirantado

Alexander Buzakov (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)
Alexander Buzakov (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)

O submarino B-602 MAGADAN é a terceira construção para Frota do Pacífico da Marinha Russa do Projeto 636.3 decorrente dum contrato assinado em setembro de 2016. Teve a sua quilha assente no dia 1 de novembro de 2019 e, se tudo correr como previsto, deverá ser entregue no final do ano 2021. As outras duas unidades são o PETROPAVLOVSK-KAMCHATSIY (entregue em 25 de novembro de 2019), o VOLKHOV (entregue em 24 de outubro de 2020).

A quarta plataforma vai chamar-se UFA e a sua entrega está programada para o final de 2021. Ainda este ano, o Estaleiro do Almirantado lançará o quinto e o sexto KILO melhorados – o MOZHAYSK e o YAKUTSK, perfazendo o total dos seis submarinos do Projeto 636.3 a ser entregues à Frota do Pacífico até 2024.

A cerimónia, no dia 26 de março de 2021, reuniu todos os operários que participaram na sua construção. (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)
A cerimónia, no dia 26 de março de 2021, reuniu todos os operários que participaram na sua construção. (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)
Perspectiva do hélice e lemes do B-602 MAGADAN (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)
Perspectiva do hélice e lemes do B-602 MAGADAN (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)

Os primeiros submarinos da classe KILO Project 877, foram construídos na década de 1980 sob projeto concebido pelo Gabinete de Projetos Rubin Central, de São Petersburgo. O KILO foi uma revolução na construção de submarinos convencionais na antiga União Soviética. Foi o primeiro desenho com linhas de “gota-de-água”, deixando para trás os clássicos cascos fusiformes e evoluindo para formas mais hidrodinâmicas.  Com a evolução tecnológica, o projeto foi  sujeito a melhorias que originaram os projetos 877EKM, 636 e 636.3. Estes dois últimos com um casco mais longo, melhor furtividade, maior autonomia, motores geradores diesel com maior potência e menor rotação do veio propulsor, reduzindo assim tempos de exposição à cota periscópica e a assinatura acústica. 

Do Project 877  foram construídos 43 navios entre dezembro de 1980 e maio de 2000 (alguns já retirados do serviço), do Project 636 navegam hoje 20 navios construídos entre abril de 1997 e janeiro de 2019, e do Project 636.3 , cujo primeiro navio, NOVOROSSIYSK, foi entregue em junho de 2014, estão 8 navios entregues, 1 em provas e 3 em construção.

O NOVOROSSYISK em provas de mar, numa vista à vertical que evidencia a sua forma em gota-de-água (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)
O NOVOROSSYISK em provas de mar, numa vista à vertical que evidencia a sua forma em gota-de-água (imagem Estaleiros do Almirantado, S. Petersburgo)

O MAGADAN está equipado com um  sistema de combate integrado que processa toda a informação recolhida pelos sensores do navio, apoiando-se num computador de alta-velocidade para determinar as soluções de fogo automáticas contra alvos de superfície e submarinos.

Como armamento inovador e pouco usual nas marinhas ocidentais, vem equipado com um lançador óctuplo de mísseis anti-aéreos Strela-3 ou Igla, com alcance máximo de 5/6 km, dando proteção ao submarino contra alvos aéreos, nomeadamente aviões e helicópteros de luta anti-submarina.

Desenho em corte do Project 636 (D.R)
Desenho em corte do Project 636 (D.R)

Através dos seis tubos lança torpedos de 533mm, pode lançar 18 armas, sendo torpedos ou mísseis contra alvos de superfície Novator 3M-54E Club-S (designação NATO: SS-N-27 Sizzler), com um alcance de 220km.

A cota máxima de operação situa-se nos 300m e a velocidade máxima em imersão chega aos 20 nós. Os navios Project 636.3 têm um alcance máximo de 7.500 milhas náuticas ao snort a 7 nós e 400 milhas náuticas em imersão elétrica a 3 nós.

Com um comprimento de 73,8 m, boca de 9,9 m, calado de 6,2 m, um deslocamento de 2.350 tons (3.950 tons em imersão) e uma guarnição total de 52 elementos, os submarinos classe KILO 636.3 são considerados entre os submarinos diesel-elétricos mais silenciosos do mundo, capazes de detetar submarinos inimigos a uma distância 3 a 4 vezes maiores que a distância a que outros os detetam.

Transdutor cilindrico do sonar dum submarino Project 636.3 (D.R.)
Transdutor cilindrico do sonar dum submarino Project 636.3 (D.R.)

Nos últimos 7 anos, foram construídos em São Petersburgo 17 submarinos da classe KILO melhorada, sendo 9 submarinos para a Marinha Russa e 8 para exportação (6 para o Vietnam e 2 para a Argélia).

Os submarinos KILO são um êxito de exportação da indústria naval russa, tendo sido construídos mais de 73 navios para a Argélia, China, India, Irão, Mianmar, Polónia, Roménia, Rússia e Vietnam.

João Gonçalves

Oficial da Armada. Especializou-se em submarinos, onde navegou durante seis anos nos navios da classe ALBACORA. Esteve colocado cerca de sete anos como Capitão do Porto nos Açores. Escreveu para a Revista da Armada e em 1997 ganhou o prémio de melhor colaborador. Está na Revista de Marinha desde 2016 e é diretor-adjunto desde janeiro de 2018.

6 Comentários

  1. Schieder Da Silva Responder

    Como as guerras teem sempre uma grande parte de bluffs,o que acho muito bem desde que se poupem vidas,e por falar em misseis,e durante a guerra fria,e nao sö,os misseis russos nao tinham,ou nao teem a carga nuclear que dizem ter,mas estao cheios de areia,è verdade,sao sö para assustar,grandes,feios,grandes camioes para os transportar,mas è sö bluff.
    È claro que neste caso nao è necessärio fazer sö bluff,porque o alcance è pequeno e sao para vender a outras marinhas.

  2. Schieder Da Silva Responder

    “Sao considerados os submarinos mais silenciosos diesel”
    Nesta parte nao concordo,os russos constroiem boas mäquinas,mas nao tao boas como a europa ou outros construtores da armas conhecidos,essa capacidade nao existe,produzem tambem bons avioes,mas nao tao bons como os conhecidos construtores,eles teem limitaçoes devido ä sua situaçao geografica e clima,estes dois fatores sao fundamentais na evoluçao dos povos,logo,a Rüssia nunca podia construir maquinas superiores ä Alemanha,França,Inglaterra,Italia e USA
    Em 77 estavamos na Magalhaes Correia ,ou Gago Coutinho,nao me lembro porque estive nas duas,mas acho que foi a Magalhaes,estavamos em manobras entre Norfol e Halifax e o Sea Horse era o nosso inimigo e eu estava na ponte ao radar e em poucos minutos fomos afundados pelo Sea Horse, nuclear,porque tem uma velocidade de 35 nös,nada comparado com um diesel.
    Eu que sofro de claustrofobia e que por azar descobri isso em uma visita ao Gil Eanes em Viana do Castelo tenho um grande respeito por quem trabalha em um submarino.

  3. Schieder Da Silva Responder

    A construçao e apresentaçao desta mäquina flutuante è uma mensagem a quem anos a fio decreta sançoes contra a Rüssia,apresentaçao,sim,porque eles constroiem armas que nao mostram ao mundo,mas aqui è uma clara mensagem de que as sançoes nao nos fazem dano,portanto deixai-nos em paz com tal absurdo que sö vos prejudica a vös,alèm disso este submarino nao pode ser usado nas atuais guerras com que a Rüssia estä ou esteve envolvida,porque os arabes nao teem marinhas,logo o significado da sua construçao è ainda mais marcante ao mostrar de que ainda teem muitas reservas,e que isto è sö para guardar,”para ingles ver”

  4. Schieder Da Silva Responder

    Este submarino è uma mensagem aos pretendentes a Napoleos e Adolfos que invadiram a Rüssia no auge do poder da França e da Alemanha,parece que a imensidao russa atrae os sedentos de poder,e os russos ainda nao se esqueceram dos estragos provocados pelos exèrcitos alemaes.
    Para os mais cepticos de terem receios de uma escalada de armamentos e poder provocar uma guerra em grande escala entre os grande,esse perigo nao se poe,a Histöria nao se repete,por isso è que nos meus comentärios foco sempre a Diversidade,que engloba tudo o que se refere ao
    Modus Vivendi no planeta,nao haverä Terceira Guerra Mundial,doi muito,estraga-se tudo,fica tudo sujo,nao se podem ir äs compras,as lojas fecham,as fäbricas nao produzem,nao se pode ir ä rua,uma chatice,entao para que possamos continuar a fazer as nossas vidas,fazer fèrias,e gozar a vida,construimos mäquinas destas para assustar,sim assustar,porque mais nao fazem,e quanto maior pior,mais frageis,mais fäceis de atingir,mas neste caso o que è preciso è encher o olho,
    È pä,mas que grandè mäquina!pois,mas fäcil de afundar,tal como aconteceu com o Kursk que nem foi preciso gastar um torpedo para o afundar,mas estamos em tempos de dissuasao,entao è este tipo de arma que funciona,para impressionar,e que impressiona muito!
    Embora nao caiba no artigo,porque aquilo que se procura è demonstrar a capacidade desta mäquina impressionante,mesmo assim para que se saiba e nunca esquecamos do verdadeiro propösito da construçao deste belo e montruoso exemplar dos mares que esperemos que nunca seja usado para outros fins,que nao o de impressionar e dissuadir que a Rüssia seja atacada mais uma vez! Mas o verdadeiro inimigo,o mais mortìfero,ainda è o mosquito,esta comparaçao è necessäria para que compreendamos como funciona a mente humana,somos megalomanos,pensamos sempre em grande,mas o inimigo real e que vive sö um dia mata mais num ano do que todos os submarinos todos juntos das marinhas do mundo inteiro,eu sei que nao cabe aqui,mas è sö para lembrar de que hä tambem outras guerras quase invìsiveis,e que com isto sö queria demonstrar mais uma vez a Diversidade do tipo de guerras!

  5. Artur Manuel Pires Responder

    Belíssimo artigo da Revista de Marinha e do Comdt. João Gonçalves, como aliás já estamos afortunadamente habituados.
    E desta vez sobre submarinos, um assunto do meu particular agrado, e julgo que igualmente de muitas outras pessoas.
    Os pormenores descritivos, a riqueza de informação, e a tradicional qualidade iconográfica, complementam-se e contribuem para uma leitura muto prazerosa.

    Parabéns,

    Artur Manuel Pires

  6. Schieder Da Silva Responder

    Preparar para a guerra para que haja paz.Ä que compreender como funcionam as coisas depois de se ver tal mäquina de guerra e ver e exclamar,mas que desperdìcio! Mas è mesmo assim,a guerra e paz sao os dois elementos que mais desafios proporcionam ao ser humano,è por isso que andamos sempre nestas andanças de diferentes tipos de guerras,que nao vou enunciar,porque estamos entre pessoas que sao ou foram profissionais de guerras,mas lembro sö a guerra mais eficaz de todas,a guerra de palavras,a lingua pode ser uma arma mortìfera se for usada para o fim errado,por isso que temos os soldados modernos,os deputados nos parlamentos que usam de retöricas refinadas para que se evitem usar maquinas de destruiçao como este submarino,mas tudo è parte da nossa existencia,fazer e fazer bluff tambem è guerra,que tem por objetivo poupar vidas,poupar inteligencias,porque vivemos em um sistema de Diversidade e è por isso que tem que haver sempre diversidade nas guerras,senao nao havia crescimento ,porque o inimigo jä sabia o que iamos fazer,e como nao sabe,fica quieto e espera nao ser atacado,nao vä o gajo ter uma arma melhor do que a minha.
    Esta è apenas uma pequena narrativa para responder a algumas perguntas das pessoas que acham que hä guerras demais,armas demais,mas è mesmo assim,è para manter a paz.

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