Desportos Náuticos

Revista de Marinha entrevista os responsáveis pela AVE ROWING BOATS

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Vila do Conde, verdadeiro alfobre do desenvolvimento Remo de Mar a nível mundial

No último fim-semana de setembro e no primeiro fim-semana de outubro de 2021 realiza-se em Oeiras, na Praia da Torre, o Campeonato Mundial de Remo de Mar que o nosso País acolhe pela primeira vez.

É, por isso, uma oportunidade soberana para divulgar a modalidade entre nós, a qual tem vindo a conhecer um crescimento assinalável nos últimos anos em toda a Europa, atraindo cada vez mais jovens e menos jovens para o Mar.

Pelas suas características geográficas, de que ressalta uma linha de costa de 2.830 km, das quais 942 km no território Continental, Portugal apresenta um potencial de crescimento da modalidade assinalável. Para além disso, a modalidade conta entre nós com um importante fabricante nacional de embarcações de “remo de mar”, a AVE ROWING, sedeada em Fajozes, Vila do Conde, com uma atividade marcadamente exportadora, e cujas instalações a Revista de Marinha visitou muito recentemente e de que damos o justo relevo neste mesmo número, sob o título Regresso ao Mar… a Remar.

Ave Rowing Team
Ave Rowing Team

É neste quadro que damos a palavra aos responsáveis da AVE ROWING, os Senhores José António Santos (JS) e Leandro Gavina Fernandes (LF), para nos falarem deste seu projeto empresarial, já hoje um indiscutível sucesso, a que deram corpo há 5 anos.

 

José António Santos

José António Santos (JS) é empresário há 25 anos na área dos trânsitos, serviços aduaneiros e comércio internacional. A sua paixão pelo Remo é de longa data, como dirigente desportivo, praticante e patrocinador. É sócio fundador e principal financiador da AVE ROWING BOATS.

 

Leandro Gavina Fernandes

Leandro Gavina Fernandes (LF) é remador há mais de 20 anos, detentor de inúmeros títulos de Campeão Nacional em diferentes categorias e escalões. Tem a sua especialização profissional na área do manuseamento de compósitos, com uma experiência de quase 20 anos. Empresário há 5 anos é sócio fundador da AVE ROWING BOATS.

 
 

RM: Como apareceu o Remo de Mar no nosso País?

JS: O Remo de Mar surge em Portugal no seguimento do desenvolvimento do Remo de Mar a nível internacional, de acordo com as normas da FISA (Federação Internacional de Remo) e em paralelo com o desenvolvimento desta vertente do Remo em países como a França e Espanha que são a referência para Portugal sobretudo pela adesão e número de praticantes. No entanto estamos ainda no início e o Remo de Mar em Portugal tem ainda uma grande margem de crescimento e evolução, tal como na generalidade dos restantes países, a nível mundial.

RM: Quais as razões que vos levaram a criar a AVE ROWING?

JS: A AVE ROWING surge da paixão pelo Remo dos fundadores da empresa e porque acreditamos que estavam criadas as condições para avançarmos com este projeto industrial na área específica da construção de embarcações de Remo onde fomos pioneiros em Portugal. O sócio Leandro Fernandes contribuiu com o seu know-how das técnicas de produção e o sócio José Santos com experiência empresarial e capacidade de investimento. A inovação, o design e a utilização de novos materiais foram princípios que nortearam a orientação da nossa empresa a par da evolução tecnológica traduzida na parceria estabelecida com o INEGI (Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial) que tornam os barcos da AVE ROWING únicos no panorama do Remo nacional e internacional.

RM:  Quais foram os principais objetivos que vos nortearam?

JS: O objetivo inicial da empresa foi o de modernizar o panorama no que respeita às embarcações de remo em Portugal e Espanha, que foram os mercados-alvo no início da nossa atividade, apresentando modelos inovadores e a preços competitivos. Seguiu-se a internacionalização que é o foco atual da nossa empresa.

RM: Quais os principais escolhos que como empresa tiveram que ultrapassar?

JS: O mercado do remo é extremamente conservador tanto a nível nacional, mas sobretudo a nível internacional, com as marcas alemãs e italianas no topo da cadeia de valor e as marcas chinesas como opções económicas. De início o mercado reagiu de forma defensiva com a entrada de uma marca nova de origem portuguesa. Tivemos de fazer o nosso caminho com embarcações diferenciadas de produção portuguesa, fabricadas com matérias-primas portuguesas e europeias. Chegámos a ser acusados de produzirmos as nossas unidades na China, e posteriormente de recorrermos a matérias-primas chinesas. A nossa perseverança e a qualidade das nossas embarcações têm contribuído para a afirmação da marca nos mercados internacionais.

RM: Qual a importância do mercado nacional na consolidação da AVE ROWING? E do mercado internacional?

JS: O mercado nacional é naturalmente importante, embora muito limitado, sendo o mercado internacional o nosso principal objetivo. Atualmente 90% das nossas vendas são para o mercado internacional, maioritariamente para Espanha, França, Itália, Alemanha, Holanda, Inglaterra, Irlanda, Dinamarca e Estados Unidos da América.

RM: Quais são os modelos que têm neste momento em produção? E quais os novos modelos previstos lançar no mercado?

LF: Neste momento a AVE ROWING tem dois modelos; o Explorer, criado em 2016, do qual foram criados os modelos C1X (embarcação individual) e C2X (embarcação dupla/2 pessoas). Entretanto, devido à nova distância criada pela FISA, o sprint de 500 m, houve necessidade de criar um novo modelo surgindo assim o Kaito. Este novo modelo foi apresentado este ano na versão C4X (4 pessoas) e C1X (Individual). Até ao final do corrente ano (2021) surgirá a versão C2X (2 pessoas) que completará a gama do modelo Kaito.

Eduardo Almeida Faria

Licenciado em gestão, tem uma larga experiência no associativismo desportivo, é especialista no tema da Náutica de Recreio, tendo feito parte do Conselho Nacional da Náutica de Recreio e, no âmbito do Fórum Oceano, integrado o Grupo Dinamizador do Portugal Náutico. É autor da obra “Náutica de Recreio em Portugal – Um pilar do Desenvolvimento Local e da Economia do Mar” e de inúmeros artigos e noticias na Revista de Marinha e no Jornal da Economia do Mar. Como desportista náutico tem muitas milhas percorridas pela costa portuguesa e pelo Mediterrâneo em veleiros de cruzeiro, quer em lazer, quer em regata.

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