Ciência e Tecnologia

A Revista de Marinha visitou a UAVision

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Uma delegação da Revista de Marinha esteve no Bonabal, perto de Torres Vedras, e visitou a empresa portuguesa UAVISION.

O edifício da UAVision no Bonabal, perto de Torres Vedras  (imagem Google)

A UAVision é uma empresa de base tecnológica, que foi fundada em 2005 como empresa spin-off do Instituto Superior Técnico.

A UAVISON é uma empresa de base tecnológica que foi fundada em 2005 como empresa spin-off do Instituto Superior Técnico, ou seja, surgiu a partir desta universidade, nomeadamente pela possibilidade de acesso a equipamentos e laboratórios anteriormente utilizados apenas para investigação. Ela nasceu fruto da vontade dos seus fundadores, que desejavam juntar inovação e tecnologia e assim procurar resolver, de forma criativa, problemas difíceis.

O Eng. Nuno Simões, da UAVision, com Valm Alexandre da Fonseca e o Cmdt. Temes de Oliveira da Revista de Marinha (foto João Gonçalves)

A empresa dispõe duma complexa e sofisticada maquinaria e possui uma equipa multidisciplinar abrangendo as áreas da engenharia aeroespacial, eletrónica, mecânica, automação e controle, processamento de imagens e materiais compósitos, estando altamente focada na integração de diferentes tecnologias.

Robot de 5 eixos ABB (foto João Gonçalves)

Os produtos da UAVISION

O produto principal é o veículo aéreo não tripulado, podendo ser do tipo quadcopter (asa rotativa), como o SPYRO, ou avião (asa fixa), como o OGASSA* e o WINGO. Mas também desenvolve outros produtos muito relevantes, como a antena de comunicações STORMComm ou acessórios com sensores electrópticos giroestabilizados e sistemas de comunicação de dados.

A antena STORMCOMM (foto João Gonçalves)

Conforme nos foi explicado pelo CEO, Eng. Nuno Simões, que nos mostrou as várias divisões da empresa, os drones da UAVISION apresentam soluções avançadas de adaptabilidade, estabilidade de voo e facilidade de utilização, numa lógica de produto ready-to-fly, ou seja, muito menos exigentes em termos de pilotagem, o que permite que o foco do treino dos operadores se possa centrar mais na missão.

O Drone SPYRO (foto João Gonçalves)

I & D  é a área mais sensível da empresa

Tomámos contacto com os vários colaboradores, alguns muito jovens, a trabalhar em I & D e na construção e teste dos subsistemas das plataformas aéreas não tripuladas.  A I & D é a área mais sensível da UAVISION, o verdadeiro segredo desta empresa capaz de trazer um elevado valor acrescentado aos seus produtos. Ali são desenvolvidos algoritmos de navegação e controle, estudados projetos de circuitos eletrónicos, design de placas de circuito impresso, programação de microprocessadores em diversas plataformas, além de trabalhar com diferentes barramentos / interfaces de comunicação e comunicação sem fio.

Um investigador a trabalhar na área de engenharia

Na área de fabricação dos componentes estruturais, nomeadamente das fuselagens, a UAVISION domina todas as fases, desde o projeto e desenho dos vários componentes, até à usinagem dos moldes e à modelagem de materiais compósitos.

Fabricação de fuselagens em materiais compósitos (foto João Gonçalves)

A colaboração para a vigilância marítima com a Marinha e a Força Aérea, a participação em exercícios da NATO e o contrato com a EMSA.

Em setembro de 2018, a UAVISION participou no exercício de experimentação aeronaval REP18, onde testou em cenário real um sistema de comunicações que permite ligar navios e drones a partir de sensores colocados nos faróis existentes ao longo da costa portuguesa, criando uma rede digital que dispensa a utilização, e os grandes custos, dos satélites.

O SPYRO a bordo dum navio hidrográfico da Marinha Portuguesa durante o REP 18. (foto Brito e Abreu)

Esta jovem empresa assinou, em 2017, um contrato com a Agência Europeia de Segurança Marítima (EMSA). Como resultado deste contrato, em que a UAVision integra o consórcio RPASMAR com a Força Aérea Portuguesa, estão hoje a voar vários UAV OGS42 a partir do aeroporto da ilha de Brac, na Croácia, onde estes sistemas são operados por militares do Centro de Investigação da Academia da Força Aérea (CIAFA)

Militares do Centro de Investigação da Academia da Força Aérea (CIAFA) operam o UAV OGS42, no aeroporto da ilha de Brac, na Croácia. (foto FAP)

A transferência de tecnologia com a Nigéria

Para além da importante colaboração da UAVISION com a União Europeia e as forças armadas portuguesas, a empresa está presente nos mercados internacionais, nomeadamente Brasil, Nigéria, Angola, Coreia do Sul, India, Emirados Árabes Unidos e Alemanha.

Destas, realça-se a colaboração com a Força Aérea da Nigéria (FAN) por implicar transferência de tecnologia que permitiu àquele país desenvolver autonomamente um veículo aéreo não tripulado, com possibilidade de evolução futura para um modelo armado (UCAV – Unmanned Combat Aerial Vehicle). O general CEMFA Nigéria Sadique Abubakar fez o anúncio em fevereiro do ano passado, durante a cerimónia de entrada em serviço do UAV TSAIGUMI.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, no dia da apresentação do drone TSAIGUMI (foto NAF)

O TSAIGUMI, produzido pelos engenheiros nigerianos em colaboração com a empresa portuguesa UAVISION, destina-se a ser usado para operações de inteligência, vigilância e reconhecimento por terra e mar. Com uma autonomia operacional superior a 10 horas, um teto de serviço de 15.000 pés e um raio de missão de 100 km, o TSAIGUMI está equipado com um sistema eletro-ótico que inclui uma câmara infravermelha.

OGASSA é uma palavra do dialeto nigeriano que significa “grande chefe”.

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