Ambiente

Sustainable Brands 2019 – Oceans

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Cada vez mais empresas e organizações, das mais diferentes áreas e setores de atividade, procuram o desenvolvimento de novas soluções para a preservação dos oceanos. A SB Oceans deu a conhecer durante os três dias de apresentações, diversos projetos de vanguarda em diferentes áreas: banca, turismo, educação, cultura, media, tecnologia, moda, desporto, entre outros setores. »

No universo da sustentabilidade, os oceanos são um dos temas mais envolventes e impulsionadores. Por isso mesmo, a Sustainable Brands (SB) – comunidade que tem como objetivo fomentar a partilha de práticas inovadoras de cariz sustentável – organizou, pela primeira vez, um evento dedicado a esta temática. O SB Oceans, que decorreu na Alfândega do Porto, teve início na quinta-feira, dia 14 de novembro, terminando no Dia Nacional do Mar, em 16 de novembro.

O evento contou com palestras, masterclasses, workshops, projeção de filmes e com a participação de cerca de 90 oradores nacionais e internacionais, entre os quais se destacaram Alexandra Cousteau – ativista, cineasta, neta de Jacques Cousteau e defensora da sustentabilidade dos mares e Arwa Damon, jornalista da CNN, que trabalhou juntamente com a Greenpeace em locais como a Antártida o Ártico e o Mar dos Sargaços.

Cada vez mais empresas e organizações, das mais diferentes áreas e setores de atividade, procuram o desenvolvimento de novas soluções para a preservação dos oceanos. A SB Oceans deu a conhecer durante os três dias de apresentações, diversos projetos de vanguarda em diferentes áreas: banca, turismo, educação, cultura, media, tecnologia, moda, desporto, entre outros setores.

Cartaz muito criativo da conferência, que traduz a grande preocupação com a poluição pelo plástico. (imagem SB19-Oceans)
Cartaz muito criativo da conferência, que traduz a grande preocupação com a poluição pelo plástico. (imagem SB19-Oceans)

Foi apresentado desta forma o programa da Sustainable Brands, distribuído nas notas para a imprensa, que se confirma através das muitas propostas, definidas quase na generalidade como base programática da nova economia azul.

O conjunto de ações reuniu representantes de empresas de vários continentes, quase todos com a enorme preocupação de dar a conhecer métodos e formas de defesa dos oceanos, num grito coletivo contra os plásticos, micro-plásticos e outros itens, tais como hidrocarbonetos, que vem sistematicamente a destruir o meio ambiente marinho.

A principal sugestão deixada por todos é parar com as agressões, enquanto é tempo, para ser possível reverter os danos feitos até aos nossos dias. Na realidade, que garantias existem para duvidar se estamos já com micro-plásticos dentro do nosso organismo?

Hugo de Almeida e Dimitar Vlahov (imagem Reinaldo Delgado)
Hugo de Almeida e Dimitar Vlahov (imagem Reinaldo Delgado)

Não é surpresa, portanto, que um largo número de participantes, aproveitasse esta muito especial ocasião para gerar consenso sobre os temas desenvolvidos. De tal modo que as palavras influencers e partnership fossem das mais repetidas durante o evento.

A abertura dos trabalhos esteve a cargo de Dimitar Vlahov da Sustainable Brands e Hugo de Almeida da SB Oceans, que numa breve introdução rejubilaram com a presença dos interessados nesta temática, dando as boas vindas a todos os participantes.

Digno de registo, entre a assistência foram reconhecidos o ministro do Interior, Dr. Eduardo Cabrita, que voltaria para a cerimónia de encerramento, e o director-geral da Política do Mar, Dr. Ruben Eiras, que na oportunidade elogiou a organização por trazer para Portugal este ciclo de conferências, tratando-se da discussão de temas de grande relevo a nível mundial, comprovado pela presença de participantes de alargado número de países, unidos por uma preocupação comum.

O vice-presidente da Câmara Municipal do Porto (imagem Reinaldo Delgado)
O vice-presidente da Câmara Municipal do Porto (imagem Reinaldo Delgado)

Por sua vez, o vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Dr. Filipe Araújo, congratulou-se em nome do município pela escolha do local para a realização da SB Oceans, deu as boas vindas aos participantes em nome da autarquia, resumindo no discurso a história da cidade, lembrando igualmente das antigas tradições marítimas e a secular actividade portuária, no encontro das águas do Douro com o mar.

Logo no primeiro dia tiveram lugar duas excelentes comunicações; «Diving In: Strategies for a More Sustainable Ocean», por David Katz, e ainda «Beyond Conservation: restoring abundance to the oceans in one human generation», por Alexandra Cousteau, que em memória do seu avô lembrou que o oceano é o mesmo, mas os tempos são outros.

David Katz falou no trabalho que está a desenvolver através dos seus bancos de recolha de plásticos, como é o caso de países asiáticos ou no Brasil, por exemplo, contratando pessoas locais para operarem tanto em terra como em lugares próximos do mar, docas e praias, recolhendo tudo o que encontram para posterior reciclagem.

David Katz falou sobre as várias estraégias que podem ser adotadas para a sustentabilidade dos oceanos (imagem Reinaldo Delgado)
David Katz falou sobre as várias estratégias que podem ser adotadas para a sustentabilidade dos oceanos (imagem Reinaldo Delgado)

Quanto a Alexandra Cousteau, encontra-se a trabalhar em pesquisas que possibilitem a parcial ou total recuperação da fauna marinha, já escassa nas proximidades de diversos corais, bem como sugere o tratamento da floresta submersa, que apresenta preocupantes sinais de degradação.

O seu projecto, subjacente ao tema «A new blue economy; restoring ocean abundance in a single human generation», carece de apoios por parte de governos e organizações sitas ao redor do mundo, para ser possível reverter o modo como o oceano está a ser tratado. Chamou a atenção para «the time for taking action is now», possibilitando a obtenção de progressos consideráveis, porém, nunca será possível conseguir resultados práticos antes do ano 2050, lembrando também do colossal empenho que a todos isso obrigará.

No segundo dia de trabalhos, entre as participações que em função dos temas desenvolvidos  mereceram melhor acolhimento da assistência, escolhi inicialmente a apresentação de Anne-Marie Salonius, que opera a partir do Aland bank, na Finlândia.

Alexandra Cousteau alertou para a grande preocupação com a redução da fauna marinha (imagem Reinaldo Delgado)
Alexandra Cousteau alertou para a grande preocupação com a redução da fauna marinha (imagem Reinaldo Delgado)

Na proposta apresentada sugeriu «How can a bank save the sea that could not breath», em função da sua actividade na recolha de micro-organismos. Justificava a afirmação com a preocupação em tomar parte numa actividade mais importante, do que tudo o mais que nos rodeia. Será que existe uma qualquer equivalência entre a superfície e o fundo do mar, que possa ser medida? Provavelmente não, daí a importância de ser continuada a criação de bancos para a recolha de resíduos. Porque a urgência é muita, sustenta ser essencial incluir, tanto as Nações Unidas como a União Europeia, para participarem como organizações fundamentais para actuarem como parte da solução.

Por sua vez Paulo Mirpuri, em representação da HiFly, pergunta «How sustainable can you fly?». O grande desígnio da sua empresa, que presta serviços de vária ordem a muitas companhias de aviação ao redor do globo, é preocupação dominante abolir os plásticos nos aviões de transporte de passageiros, utilizados em viagens de curto e longo curso. Acrescenta que tem sido obtido algum sucesso, esperando a curto prazo conseguirem resultados satisfatórios. Afirma, satisfeito, ter sido possível já neste ano um voo sem plásticos, na ligação de Lisboa ao Recife, devendo ter continuidade nos mesmos moldes num futuro próximo.

Em 2018, a companhia HiFly, declarou-se Plastic Free Airline (imagem HiFly)
Em 2018, a companhia HiFly, declarou-se Plastic Free Airline (imagem HiFly)

Defende ser indispensável sensibilizar, educar, inovar, usando criatividade a ponto de ser conseguida a completa reciclagem das matérias poluentes, que estão também na origem de doenças cancerígenas de vária ordem.

Informa ainda ser desejo da empresa, trabalhar igualmente na minimização das emissões de carbono na atmosfera, através de contactos estabelecidos com fabricantes de motores para aviões, na tentativa de substituição dos actuais por motores eléctricos de alta performance.

Arwa Damon é jornalista no canal de informação CNN, conhecida pelas reportagens que realizou durante largos períodos de tempo, em teatros de guerra, acompanhando as tropas americanas, em vários países do Golfo. Apresentou neste evento um breve vídeo dessa época, bem demonstrativo do perigo permanente da sua actividade ali exercida.

Arwa Damon apresentou a sua visão sobre o novo campo de batalha, os oceanos. E a guerra agora é contra o plástico.(imagem New America, via Flickr)
Arwa Damon apresentou a sua visão sobre o novo campo de batalha, os oceanos. E a guerra agora é contra o plástico. (imagem New America, via Flickr)

De regresso a casa, foi convidada para tomar parte num novo trabalho jornalístico, que analisou como sendo um conflito diferente, mas não menos importante. O resultado dessa nova ocupação está também documentado em vídeo, num documentário intitulado «The New Battlefield: Oceans», que exibe nos países que visita, tal como aconteceu agora nesta sua passagem pelo Porto.

Esse documentário, cujas filmagens foram realizadas no Ártico, na Antártida e no Mar dos Sargaços, é bem elucidativo pela imensa quantidade de plásticos encontrados, nos mergulhos lá efectuados, de formas e padrões tão diversificados, que vão desde os sacos comuns a extensas pilhas de redes de pesca, quer estivessem expostas a flutuar ou a cobrir literalmente a floresta submersa.

Esta sua comunicação, obviamente muito apreciada pelo público, serviu igualmente para alertar da necessidade de evitar ser mantida esta despreocupação ambiental, que lamentavelmente grassa em larga escala por todos os continentes.

Porto de Tromso, no Ártico norueguês onde os plásticos estão a chegar em força. (imagem de Sharon Ang por Pixabay)
Porto de Tromso, no Ártico norueguês onde os plásticos estão a chegar em força. (imagem de Sharon Ang por Pixabay)

Posteriormente, coube a Linden Coppell, da companhia de navegação MSC, vir a palco falar das preocupações ambientais da empresa que representa.

Cativou a atenção do público, na comunicação subjacente ao titulo «An Ocean Marine Reserve», com um documentário muito bem elaborado, dos trabalhos de renovação de áreas parcialmente destruídas pela poluição, que um abrangente grupo de técnicos tem vindo a recuperar. A primeira fase já se encontra concluída, tendo sido restauradas as condições necessárias para normalizar os cardumes e corais, em diversas zonas na costa das Bahamas.

E de modo perfeitamente compreensível, houve também intervenções na área do desporto. A comunicação que suscitou maior interesse e curiosidade, foi apresentada por Dee Caffari, desportista náutica de origem britânica, que nos últimos anos participou em várias regatas internacionais, entre as quais a famosíssima Volvo Ocean Race.

Dee Caffari a bordo do seu VOR65, TURN THE TIDE ON PLASTIC, durante a última VOR, em junho de 2018. (imagem Rich Edwards-Volvo Ocean Race)
Dee Caffari a bordo do seu VOR65, TURN THE TIDE ON PLASTIC, durante a última VOR, em junho de 2018. (imagem Rich Edwards-Volvo Ocean Race)

Propôs na sua apresentação o conceito «Turn the Tide on Plastic», com a firme convicção de conseguir motivar a população através das regatas em que participa. Deixa ao longo das etapas percorridas diverso equipamento, que se mantém à superfície do oceano preso a boias apropriadas para o efeito, no sentido de obter numa base regular, informações que são recolhidas a bordo, sobre concentrações de plásticos e micro-plásticos.

Os registos que, entretanto, vão sendo conseguidos, são posteriormente tratados em laboratório na Alemanha, a partir de onde é dado conhecimento a nível mundial, para possibilitar um estudo mais detalhado sobre danos, que se vieram a constatar na vida animal, correspondentes aos locais analisados.

Aconteceram durante e até ao final dos trabalhos outras conferências, seguramente com idêntico interesse às anteriormente citadas, porém, sendo constatada a repetição de temas e assuntos entretanto aflorados, omitem-se as duplicações por excesso.

Alfândega do Porto
Alfândega do Porto

Para terminar, analisando o conjunto das participações, resulta a enorme necessidade de alargar o âmbito de esforços, com a colaboração de todos quantos possam auxiliar a resolver os flagelos, danosos para os oceanos, enfrentando desde já, com determinação e coragem a guerra ao plástico.

Reinaldo Delgado

Autor do blog "Navios e Navegadores", é um amante do mar e dos navios, que fotografa com regularidade. Investigador sobre história marítima (marinhas de guerra e de comércio), é colaborador da Revista de Marinha há vários anos, escrevendo principalmente sobre temas relacionados com o norte do país. Durante a sua vida profissional exerceu funções na agência Sofrena - Sociedade de Afretamentos e Navegação, Lda. de Matosinhos, hoje integrada no grupo E.T.E. - Navex

4 Comentários

  1. Schieder da Silva Responder

    Os avioes tambem sao parte do plano para frutificar a terra,è um complemento a todos os outros chamados poluidores do planeta,a saber os vulcoes,os carros,as centrais a carvao e todos os motores de explosao que processao matèria,dando-lhes um acrèscimo de inteligencia.
    Quanto mais um material for processado mais inteligencia adquir.
    No entanto se for em demasia vai fazer mal,mal esse que tem de existir para que possamos encontrar um equilìbrio onde todos possam viver e progredir em inteligencia.
    (Tenho teclado alemao e cometo alguns erros de portugues,que sö mais tarde vejo,as minhas desculpas)

  2. Schieder da Silva Responder

    O homem nao tem qualquer poder sobre a terra no que toca a poder influenciar o clima para uma determinada direcao.
    As mudanças climaticas fazem parte da diversidade do sistema em que vivemos e que faz parte da Criaçao,logo nao temos capacidade de mexer em nada,apenas arrumar o lixo onde nao nos estorve,porque a muitos povos o lixo nao os incomoda,por isso è o deitam nas äguas mais proximas para que nao os estorve nao pensando nas consequencias que isso träs,porque vai sujar outras bandas.
    As äguas limpas nao produzem peixe,nao conteem matèria organica,matèria essa que vem das marès,limpando as areias dos mares,sim antes de serem areia,eram terra,que foi lavada para alimentar as criaturas marinhas,depois disso sao as enchurradas,os rios.
    Quando isso nao è suficiente o mar lança o seu braço na forma de um tsunami e vai buscar mais terra onde ela è precisa.
    O objetivo de andarem tornados,e outras manifestaçoes naturais no planeta è para misturar os elementos uns com os outros.
    Nao pretendo com este artigo dizer para nao fazermos nada,mas para mostrar de que esse problema de poluiçao marinha tem mais a ver com os grandes poluidores do planeta que sao a China,Ìndia e USA.
    Porque produzem materiais em demasia para eles proprios e para os outros,ultrapassando a capacidade de regeneraçao do planeta nessas paragens.
    Cada paìs podia por no mar um navio para limpar os plasticos e restos de redes entre outros que nao sejam biodegradäveis e que precisem da nossa ajuda para se reciclarem e voltarem mais uma vez para a cadeia de consumo do homem.

  3. Schieder da Silva Responder

    A Terra,os oceanos nao precisam de ser salvos,porque eles teem vida pröpria e reagem segundo as necessidades.
    O planeta è um ser vivo,produz vida.
    Sempre que algo nao estä de acordo com o normal crescimento de inteligencias do planeta,este reagirä na forma mais adequada para eliminar essa situaçao,que para nös pode ser mä,mas nao para a Terra.
    Os vulcoes submarinos limpam qualquer residuo prejuducial ao bom funcionamento do seu habitat,alèm de dar alimento aos peixes,que precisam desta matèria organica que sai do interior da terra.
    Da mesma forma os rios cheios de lama sao um complemento aos vulcoes.
    Os plästicos sao prejudiciais,è sö arruma-los construindo as fäbricas em Äfrica e a EU pagar os serviços de recolha de lixo,porque os africanos nao o fazem por si sö.
    Esta soluçao deve de ser agilizada,nao vamos esperar que eles decidam deixar de viver entre lixo ou deixar de o lamçarem ao mar

  4. Muito bom o evento e excelente o artigo sobre o mesmo.
    Parabenizo o autor, Dr. Reinaldo Delgado, e a Revista de Marinha por mais este serviço de grande valia para seus leitores.
    Com os melhores cumprimentos

    Rogerio Ruschel

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