Etiqueta

Alm. Mendes Calado

Browsing

Em breve iremos publicar a edição nº1020 da vossa Revista de Marinha que, em exclusivo para os assinantes, poderá ser consultada no formato pdf, através do login neste website.

No número de março/abril fazemos foco, como habitualmente, no setor das pescas, importante não só pela relevância económica, mas também pela sua expressão social.

Contudo, gostaria antes de me referir ao “Plano de Recuperação e Resiliência” (PRR), presentemente em fase de consulta pública. Tive ocasião de me referir positivamente em relação à “Visão Estratégica” do Prof. Eng.º Costa Silva onde o Mar estava presente; mas na leitura rápida que fiz do PRR só vi uma referência explícita ao Mar, uma única, o que não posso deixar de lamentar.

"Na leitura rápida que fiz do PRR só vi uma referência explícita ao Mar, uma única, o que não posso deixar de lamentar"
“Na leitura rápida que fiz do PRR só vi uma referência explícita ao Mar, uma única, o que não posso deixar de lamentar”

A pesca foi um dos setores afetados pela pandemia; o fecho dos restaurantes secou um importante canal de venda de “peixe fino” e o ambiente a bordo das pequenas embarcações, com as inerentes proximidades, levou a alguns surtos de COVID 19 e a períodos de quarentena.

Como se refere no excelente artigo assinada pela Secretária de Estado das Pescas, Dra. Teresa Coelho, que gostosamente publicamos, as capturas atingiram no ano passado 103 m tons, cerca de 20 % abaixo de 2019, com as vendas a render 237 M€; o preço médio, contudo, subiu para 2,3 euros por Kg, mostrando o setor assinalável resiliência.

Em função da tonelagem desembarcada, os principais portos de pesca são Sesimbra, Peniche, Matosinhos e Aveiro, e as espécies que representam maior valor o polvo, a sardinha, o carapau, o peixe espada preto e o biqueirão. De saudar a recuperação do stock de sardinha ibérica, agora com quotas mais generosas.

A balança comercial da pesca continua deficitária, pelas mesmas razões do passado; o potencial da aquacultura é grande, mas os resultados pouco cresceram face ao ano anterior, pese embora o recente interesse por esta atividade dos Grupos Continente e Pingo Doce, o que perspetiva melhores dias.

Os cerca de 14.600 pescadores são hoje uma comunidade envelhecida, constatando-se que os jovens não se sentem atraídos por esta profissão. Existe mesmo já falta de profissionais nalguns portos de pesca, o que mostra ser necessário repensar o seu enquadramento socioprofissional.

As embarcações de pesca vão envelhecendo, fazendo sentido um programa global – uma espécie de “despacho 100” – para a sua substituição faseada, em articulação com a indústria de construção naval.

As equipas de militares da Marinha ja mais de 80 mil contactos no âmbito do apoio à linha SNS24 do Ministério da Saúde, no âmbito do combate à pandemia da COVID-19
As equipas de militares da Marinha já realizaram mais de 80 mil contactos em apoio à linha SNS24 do Ministério da Saúde, no âmbito do combate à pandemia da COVID-19 (Imagem MGP)

Voltando a página, uma palavra para o conceito de “duplo uso” em vigor na Marinha e nas Forças Armadas, de que sou apoiante, não esquecendo, contudo, algumas vulnerabilidades constitucionais. Nunca imaginei, no entanto, o envolvimento das Forças Armadas uma campanha de vacinação, o que mostra a sua flexibilidade e a oportunidade do conceito. E daqui envio um abraço amigo ao V/Alm. Gouveia e Melo, desejando-lhe os maiores sucessos.

Aos Almirantes CEMGFA e CEMA, respetivamente Silva Ribeiro e Mendes Calado, cujos mandatos foram renovados, a Revista de Marinha envia-lhes calorosos parabéns e votos de continuação de excelentes prestações.