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dia internacional da mulher

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Apesar de só a 8 de Março de 1975 as Nações Unidas terem instítuido o Dia Internacional da Mulher são de, pelo menos, 1909 as manisfestações mais importantes deste dia.

Esperava eu quando comecei a ler sobre este assunto que, na actualidade, houvesse motivo só para festejos.  Porém, rapidamente, cheguei à conclusão que existem mais motivos para lutar pelos direitos e garantias das mulheres,  que propriamente de festa.

Laura Dekker, holandesa nascida na Nova Zelândia. em 2011 tornou-se a pessoa mais jovem circunavegar o globo sozinha (imagem blog sailingeurope.com)
Laura Dekker, holandesa nascida na Nova Zelândia. em 2011 tornou-se a pessoa mais jovem circunavegar o globo sozinha (imagem blog sailingeurope.com)

Desde 1986 que há mais mulheres do que homens a entrarem no ensino superior. À saída para o mercado de trabalho, 58% são mulheres contra 42% de homens. Na gestão intermédia a percentagem de homens sobe para 62% contra 38% de mulheres. Em 2018 só 22% das mulheres têm assento nos conselhos directivos das empresas em Portugal. Nas comissões executivas, só 10% são mulheres. Ao nível de CEO, são 94% de homens contra 6% de mulheres. A média da União Europeia é de 27%, somente. Melhor no Reino Unido, 30%; na Alemanha, 34% e em França, 44%.(Fonte: Executiva, jornalista Filipe S. Fernandes e Leonor Mateus Ferreira – ECO).

Reportando-nos ao sector da indústria marítima portuguesa, o quadro é ainda mais desolador.

De acordo com o diagnóstico sobre o sector público e privado de 2019, públicado pelo Ministério do Mar, as taxas de feminização na pesca  e entre os marítimos são baixas, atingindo os 10% e os 4% respectivamente. Na indústria transformadora de pescado, de exigência pouco qualificada relativamente, a mão-de-obra é tradicionalmente  feminina, com uma taxa de empregabilidade de 67%. Em contrapartida, no sector I&D, as taxas são de cerca 63%, embora dificilmente as mulheres consigam atingir lugares de topo e de tomada de decisão.

As primeiras comandantes de NPO, Mónica Martins e Vânia Carvalho, com o então ALM CEMA António Silva Ribeiro, em dezembro de 2017 (foto Marinha Portuguesa))
As primeiras comandantes de NPO, Mónica Martins e Vânia Carvalho, com o então ALM CEMA António Silva Ribeiro, em dezembro de 2017 (foto Marinha Portuguesa))

Depois do apuramento destes dados, e não esquecendo aquelas mulheres anónimas, trabalhadoras indiferenciadas, mães e filhas ,que lutam no dia a dia nestas suas quatro condições, passo a enunciar algumas daquelas que, por qualquer motivo, sobressaem:

Ana Paula Vitorino, ex-ministra do Mar; Graça Freitas, Directora-Geral de Saúde; Paula Rêgo, artista plática; Maria Helena Vieira da Silva, artista plástica; Lídia Sequeira, Presidente da APL e APSS; Guilhermina Rego, Presidente da APDL; Marie Curie, cientista e primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel; Isabel Camarinha, sindicalista; Laura Dekker, a navegadora mais jovem a completar um circum-navegação; Maria de Lourdes Pintasilgo, política e primeira mulher a atingir o posto de primeiro ministro de Portugal; Leonor Freitas, empresária; Joana Vasconcelos, artista plástica; Cristina Alves, comandante de navio e hoje CEO da Portline bulk, Int; Catarina Martins, política; Paula Amorim, empresária; Judite de Sousa, apresentadora da televisão; Kristina Liskiewicz, primeira mulher a circum-navegar o Globo a solo;

Jeanne Baret a primeira mulher a circum navegar o Globo na expedição de Louis Antoine de Bougainville nas fragatas francesas La Boudeuse e Étoile, de 1766 a 1769
Jeanne Baret foi a primeira mulher a circum navegar o Globo na expedição de Louis Antoine de Bougainville nas fragatas francesas La Boudeuse e Étoile, de 1766 a 1769.

Cláudia de Azevedo, empresária; Júlia Pinheiro, apresentadora da televisão; Elvira Fortunato, investigadora e Vice-Reitora da Universidade Nova de Lisboa; Maria de Sanabria exploradora do século XVI, que a 1 de janeiro de 1552 chegou a Sta Catarina (Brasil) à frente duma expedição de 100 mulheres; Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud; Mariza, fadista/cantora;  Joana Carneiro, maestrina; Sara Sampaio, modelo; Kay Cottee, navegadora e a primeira mulher a realizar um circum-navegação sem escalas e sem assistência; Jessica Watson, navegadora;  Rita Pereira, actriz; Lucília Gago, procuradora-geral da República; Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde; Isabel Mota, presidente da Fundação Gulbenkian; Isabel Botelho Leal, responsável pela Estrutura de Missão Para a Extensão de Plataforma Continental; Daniela Ruah, actriz; Elisa Ferreira, vice-governadora do Banco de Portugal; Paula Cabaço, Presidente da APRAM; Maria do Carmo Fonseca, cientista; Marina Raskova, piloto, navegadora e heroína da Rússia;

Marina_Raskova_piloto navegadora e heroína da URSS. 1938 (foto Aleksandr Gribovsky)
Marina Raskova, piloto. navegadora e heroína da URSS. 1938 (foto Aleksandr Gribovsky)

Alexandra Lencastre, actriz; Vânia Carvalho, primeira mulher a comandar um navio da Armada e actual comandante do NRP Figueira da Foz; Guta Moura Guedes, presidente da Associação Experimenta;  Mónica Martins, primeira mulher piloto de helicóptero naval e actual comandante do NRP Sines; Ana Garcia Martins, “blogger”; Bárbara Virgínia, primeira realizadora portuguesa de cinema*; Lurdes Baptista calceteira; Maria José Estanco licenciada em 1942, a primeira arquitecta portuguesa; Isabel Jonet, presidente do banco Alimentar; Jeanne Baret, botânica a bordo da expedição de Louis Buganvile, em 1766 e a primeira mulher a fazer uma circum-navegação e uma  menção especial para as investigadoras do Intituto de Investigação e Inovação em Medicina pelo seu espectacular e difícil trabalho na regeneração da espinal-medula, através do desenvolvimento  de neurónios.

Marie Curie em 1921, foi a primeira mulher a ser laureada com um Prêmio Nobel e a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vez (imagem colorida digitalmente)
Marie Curie em 1921, foi a primeira mulher a ser laureada com um Prêmio Nobel e a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vez (imagem colorida digitalmente)

É urgente mudar este estado de coisas!  E isto não é apenas um chavão, mas uma necessidade.

A diferença de género da mulher, pela sua especificidade como mãe, a compaixão que a maternidade dá, será mais do que benéfica numa  sociedade onde ainda impera o reinado do masculino,  com os efeitos por todos nós conhecidos. Tenhamos a modéstia de reconhecer que as sociedades, em especial as ocidentais, falharam. A novidade perversa da busca de novas soluções populistas põem em perigo a Paz, criando um fosso entre os cidadãos, virando uns contra os outros.

Dêmos então à Mulher as condições para uma refundação, esperando por uma continuidade harmoniosa da Humanidade.

 

Bibliografia:

“As Primeiras- Pioneiras Portuguesas Num Mundo de Homens”, de Luísa V. De Paiva Boléo e Maria Margarida Pereira-Muller, Edt A Esfera dos Livros