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Concede-me o Alm. Alexandre da Fonseca, Director desta excelente Revista de Marinha, proprietário e editor da Editora Náutica Nacional – responsável pelas 1ª e 2ª edições deste livro – a honra de fazer aqui, publicamente, a recensão desta 2ª reedição, corrigida e aumentada com 2 novos testemunhos de mais valia para o livro, e que pela sua natureza – “A comandar  Petroleiros” da autoria de Fernando Ferreira Esteves, Capt. MM, e “O Skipper na embarcação de Recreio” (navegação à Vela), da autoria do Cmdt. João Lúcio da Costa Lopes – completam, em duas novas vertentes, os já de si interessantes e profissionais depoimentos de Comandantes da 1ª edição.

Ensinava e ensina o Senhor Professor Adriano Moreira, um dos inegáveis Mestres da Cultura Portuguesa dos séculos XX e XXI, e meu ilustre Professor, que se encara o Mundo e a Vida consoante a doutrina personalista ou transpersonalista por que se opta ou aceita, e que diferem, basicamente, na maneira como se coloca o Homem perante o Estado: ou seja, ou se  prioriza a existência humana na concepção imanente da Revolução Francesa da liberdade e da igualdade dos cidadãos, ou se coloca o Estado como primeiro valor duma sociedade, ao qual o Homem deve obedecer e, se necessário, sacrificar.

O “Comando” de navios é, de algum modo, o espelho de uma destas opções doutrinárias, já que a arte e a ciência, que foram até há muito pouco tempo (mas já o não são, presentemente) atributos essenciais ao Comando, aliados ao carisma e liderança humana, levam ao estabelecimento de Princípios e Valores a que uma tripulação ou guarnição deve estar sujeita, frequentemente superiores aos interesses de cada um de per si, mas consonantes com o espírito e/ou objectivo da missão, seja ela comummente aceite. Aliás, ilustra-se este princípio com a asserção de que a verdadeira liderança é a que é aceite e não imposta.

Enfatizo, a este propósito, na “Mensagem do Comandante da Marinha do Brasil”, da autoria do Alm. de Esquadra Ilques Barbosa Júnior, que prefacia esta 2ª edição, a curiosíssima alusão ao  Diagrama da Rosa das Virtudes, que suportada na Rosa dos Ventos e nos seus 16 pontos cardeais, colaterais e intermédios, enumera os traços de carácter para uma cabal e profissional acção de Comando militar, que aqui e com a devida vénia reproduzo, sem explicitar, e com a minha apreciação subjectiva de que se tratam, todos, de pontos cardeais: a Honra; a Lealdade; a Iniciativa; a Cooperação; o Espírito de Sacrifício; o Zelo; a Coragem: a Ordem; a Fidelidade; o Fogo Sagrado; a Tenacidade; a Decisão; a Abnegação; o Espírito Militar; a Disciplina; o Patriotismo.

O Alm Esq Ilques Barbosa Junior, assina a Mensagem do Comandante da Marinha do Brasil
O Alm Esq Ilques Barbosa Junior, assina a Mensagem do Comandante da Marinha do Brasil

Praticamente todos os testemunhos publicados no “Comandar no Mar” da vivência do Comando de navios, são do tempo da “arte e da ciência” …  Quando, como presentemente, a navegação, a manobra, a avaliação das condições meteorológicas, o carregamento de navios, as condições estratégicas de defesa e de ataque, etc., são eminentemente resultado das novas tecnologias, onde a acção humana é estritamente de carácter operacional e com pouca participação pessoal da experiência, da intuição, e até da cultura próprias, restam ao Comando as capacidades da liderança de homens e mulheres sob a sua chefia, as quais, e frequentemente, são ainda abaladas por interferência extrínsecas ao meio – o navio – dadas as enormes facilidades de comunicação on line que permitem e justificam essas mesmas interferências.

Esta segunda edição do “Comandar no Mar”, que a procura determinou e que a coragem editorial assumiu, é um excelente “guia” para quem tem no seu horizonte um comando de navios tripulados, e que s.m.o. deveria constar nas bibliografias dos cursos superiores de formação para Comando e/ou Chefia, quer das Marinhas de Guerra, quer de Comércio, quer de Pesca, quer à Vela. E tem ainda o valor acrescentado de já ter uma outra edição, também já publicada, em língua inglesa.

Em todas as participações dos verdadeiros Comandantes dadas ao prelo neste Livro ressalta uma qualidade comum e jamais expressa, mas que se advinha ao correr da sua leitura. Está relacionada com uma das mercadorias que mais pesou no tráfego internacional, que determinou não só a construção e aparelhamento desses navios dedicados à sua comercialização, como também levou ao seu obsessivo consumo na “Old Albion”, promovido pela nossa Rainha Catarina de Bragança. É que não basta só ter Comandado… é necessário, antes, “tê-lo bebido” em pequeno….

Comandar no Mar - 2ª edição 50
O comandante MM Amadeu Albuquerque, um dos mais prestigiados e experientes oficiais da Marinha Mercante portuguesa, autor de um dos testemunhos no livro. (imagem Pullmantur)

A minha experiência pessoal de comando de navios no Mar teria ficado, segura e mais proficuamente completa, se tivesse tido a oportunidade de, a montante desse Comando, contar na minha biblioteca com esta interessantíssima, profissional, e brilhante coletânea de testemunhos que, sem qualquer favor, merece o meu conselho: vale a pena lê-lo!

Este livro está disponível na Loja do Museu de Marinha, na Livraria da Universidade Católica, no Clube Militar Naval e no Clube de Oficiais da Marinha Mercante. Para os assinantes da RM tem o preço unitário de 20 €, a que acrescem portes de correio de 3,5 €. Poderá ser solicitado através do e-mail revistamarinha@gmail.com ou pelos 21 580 9891, 91 996 4738.

Obs: o autor não usa o novo A.O. .