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Escola de Guerra Naval

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A construção de redes universitárias, pela diversidade de vocações que alberga, oferece oportunidades de cooperação multilateral.

Sala de aula em videoconferência

Este processo pode ter um forte contributo através das “aulas globais”. Assim, e através da internet, algumas universidades abrem as portas da excelência ao disponibilizarem cursos livres. Estes cursos permitem a criação de comunidades on-line cuja atividade ignora as diferenças de fuso horário e de foco. Os seus debates, longos e profundos, colocam em prática algo que se demonstrou eficaz em todas as áreas do conhecimento: a aprendizagem em rede.

Este modelo de ensino emerge como um laboratório que difunde informação sobre o que motiva os jovens, bem como o melhor arquétipo das necessidades nas diferentes geografias, assim como podem rastrear e atrair talentos à escala global.

Neste contexto, o idioma pode funcionar como barreira, ou como oportunidade, para criar valor!

O desenvolvimento de um imaginário que albergue os sonhos e as memórias de quem escolhe o idioma português como uma das suas línguas de trabalho, ou a sua língua, tem como repositório algo que se intenta de denominar de lusofonia.

No entanto há dificuldade em descrever o que é a lusofonia. Será uma ideologia? Se sim, o que se pretende construir?

Vale a pena criar uma boa pergunta. A resposta deve ser articulada de modo sereno pelo que importa refletir com a profundidade, e a atenção, que o tema nos interessa.

É possível falar de lusofonia? Quando nos deslocamos para países que utilizam o idioma  português, deparamo-nos com diversos sinais de cultura portuguesa, mas, em contraponto, é difícil de encontrar sinais da cultura do seu povo de acolhimento na língua portuguesa.

A língua é o testemunho de culturas. Ao se identificar um país como lusófono não se corre o risco de excluir uma parte das populações que não encontram representatividade cultural nesse idioma que os pretende representar? É possível desenvolver algo com o qual não se está seduzido?

Vários séculos de vida em comum criaram uma identidade com muitos traços partilhados. A evolução desses traços de tácitos a explícitos, na língua comum, tende a estimular a criação de novas fronteiras de cumplicidade.

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A lusofonia é uma utopia necessária que importa acarinhar.

A lusofonia é uma utopia. Mas é uma utopia necessária pelo que importa acarinhar, e trabalhar, para que possa ser útil. Ela representa muito de positivo, de modernidade. Nas geografias onde a língua portuguesa se impõe como língua oficial, os jovens adotam-na como seu instrumento de comunicação, de transmissão de afetos e de estórias. Hoje é uma das mais faladas do mundo.

O desafio será o de usar em comum o interesse de todos. Para acompanhar a dinâmica modernidade é necessário ser capaz de admitir erros. E de os corrigir.

A interdependência das gerações, e das capacidades e competências das diferentes geografias que integram o espaço CPLP, exige um novo modelo de contrato social.

Não faz sentido promover um contrato que envolva determinada comunidade ou só integre os atualmente vivos. A existência de um bem comum transgeracional e universal oferece limite às éticas contratualistas baseadas na mera reciprocidade e relativiza o tempo presente. E a reflexão que esta nova textura sugere é a de procurar saber a quem devemos chamar o nosso “próximo”: passar, enfim, de uma responsabilidade das “relações curtas” (Ricceur) para outra cuja regra seja a “das coisas mais afastadas “ (Nietzshe).

O património comum, de séculos, deve ser o ponto de partida para atrair vontades e oferecer um projeto de esperança.

Nesse sentido, para Ernâni Lopes recordava a pertinência do termo “luso-tropicalismo” criado por Gilberto Freyre . Nos seus livros, Freyre não descurou os dramas que o seu país atravessou ao longo do processo colonizador, mas reconheceu as especificidades que este percurso produziu no Brasil, ao criar uma sociedade onde, no seu entender, a integração e a fusão entre pessoas foi superior ao verificado em territórios de colonização de outras civilizações.

Fazer algumas coisas mal não nos torna más pessoas; mas não querer aprender com os erros, perde-se valor na História.

As sociedades tornam-se modernas quando os cidadãos conquistam o direito de dizer que “o rei vai nu”.

Acontece o que aconteceu. Vale, mais uma vez, recordar Ernâni Lopes quando referia que “nós só seremos nós, quando formos além de nós”.

O senso de identidade coletiva conquista-se através do investimento numa elite burocrática altamente qualificada concomitantemente com o crescimento estrutural, e perene, do sistema de educação. A grande tarefa é perceber as estruturas deste mosaico de culturas porque é necessário construir a confiança. Há um longo caminho para percorrer, mas temos a obrigação de aproveitar as memórias e os Saberes dos afortunados que cruzaram as veredas de uma vivência multicultural nas nossas geografias.

A Universidade necessita de estudar o novo modelo de mundialização e de integração. O tempo vai permitir que as palavras tenham tradução nos factos. Quando a sociedade resiste, surge o aperfeiçoamento das soluções.

É sobre esta juventude que se vai erguer a Europa. E a lusofonia.

No século XIV, Lisboa e Porto eram portos cosmopolitas onde homens de todas as línguas e de todas as partes se encontravam e se uniam no interesse de criação de valor.

Nenhum outro Estado europeu acolhia tão abertamente os estrangeiros como Portugal, e nenhum lhes concedia tantos privilégios de modo que nenhum outro país beneficiou tanto da assimilação de talentos estrangeiros. D. João I exigia dos estrangeiros que fossem úteis para a nação e em troca cobriam-nos de privilégios. Da diversidade nascera a unidade e a força. E o desenvolvimento de uma nação.

A História pode conceder uma oportunidade se soubermos aproveitar a estrada construída por séculos de esforço e dedicação. Portugal dispõe de uma das maiores zonas económicas da Europa (ZEE); os países do espaço CPLP partilham estas caraterísticas. A especialização das nossas economias deverá aproveitar as competências específicas interiorizadas por tempos imemoriáveis.

Para se criar cenários importa chamar as causas que lhes podem dar vida.

Escola Náutica Infante D. Henrique, em Paço de Arcos, Portugal

A Escola Náutica Infante Dom Henrique, e a Escola Naval, podem ser dois desses arietes, através da promoção de cursos com uma forte empregabilidade e capacidade de criar valor.

Estas unidades de ensino superior, com séculos de experiência, e com superior reputação, têm condições de serem agentes mobilizadores de uma rede de ensino superior de excelência que agregue escolas congéneres globais. As suas instalações, os seus alojamentos e instalações desportivas, as suas culturas, e suas competências permitem promover cursos competitivos internacionais, em que os Estados-membro da CPLP interiorizem vantagens comparativas. E se abalancem a outros horizontes.