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A autora é dotada de grande poder de observação, apurada intuição e sentido de oportunidade e insaciável curiosidade

Lançado em junho último e apresentado no Salão Nobre da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, cheio de amigos, familiares e admiradores, o livro que hoje propomos aos nossos leitores é uma interessante narrativa de viagens da autoria de Cristina Malhão-Pereira, cujos romances anteriores já conhecíamos. Como o título indica, trata-se de um quase diário de bordo relativo a nove viagens ao Oriente, realizadas entre maio de 1997 e novembro de 2017, começando por Baçaim, Calecute, Cochim, Goa e Bombaim, passando entre outros locais, por Nova Deli, Bhopal, Damão e Diu em 2003 e terminando no Dubai, Sri Lanka, Bali e Timor.

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A mesa da escritora exibia um trono a Sto António, forrado com um bonito pano indiano, e estava decorada com buganvíleas (foto Cristina Malhão-Pereira)

Logo na Introdução, a autora nos revela a razão de ser deste seu novo livro, que dedica à sua família próxima, marido, filhos e netos, justificando o seu enorme fascínio por essa “descomunal Índia milenar” … que  ao longo de cinco séculos de permanência lusa no Oriente se foi gravando no nosso ADN. E cito a evocação histórica da autora: … já no tempo de D. João II foi enviado Pêro da Covilhã numa missão de quase espionagem, pelos portos de Calecute, Goa, Ormuz e Sofala. D.Manuel I envia Vasco da Gama que larga a 8 de julho de 1497 e depois de uma viagem imensamente aventurosa, chega à Índia passados dez meses, em maio de 1498. (…). De 1500 a 1635 partiram de Lisboa 912 navios, dos quais 84 se perderam. Cada navio levava 200, 300 homens, por vezes 400. Muitos casaram pela Índia, muitos enviaram os seus filhos para a Corte, em Lisboa. Quer queiramos, quer não, em grande parte da população portuguesa corre sangue indiano. Acredito ser por esta razão que nós, Portugueses, nos arriscamos e queremos, nem que seja uma vez na vida, viajar por aquele mundo cheio de cor, de odores e sabores, de ‘tandoori’, de canela e açafrão. Acredito que é por tudo isto, por esta razão genética, que cada um de nós, voluntariamente, deliberadamente, consente em se deixar submergir naquele universo de movimento confuso, abissalmente catastrófico, com índices elevados de poluição, provocados por milhões de pés que pela poeira caminham, pelo arrastar das patas de camelos, ursos, elefantes ; sobretudo, pelo arfar de gente e mais gente, pelo fumo de trotinetes, motoretas, riquexós; e nos submetamos docilmente a ser ensurdecidos pelos apitos de carros e camiões…aos milhares. E acrescenta … só quem lá vai consegue avaliar com exatidão, ao ver o respeito que esses povos tão distantes ainda hoje sentem por nós, como a nossa História foi monumental. Para … aquilatar quão heroicos foram os nossos feitos, é preciso conhecer e ver. E com este novo livro a autora quis trazer-nos precisamente um pouco – que é muito! – do que viu e conheceu de perto, exatamente para que possamos sentir esse mesmo orgulho de ser português e, quem sabe? decidir viajar até à Índia!

Dotada de grande poder de observação, apurada intuição e sentido de oportunidade, insaciável curiosidade e inequívoca aptidão jornalística, a autora aproveitou os convites endereçados a seu Marido – o conhecido Cte. José Manuel Malhão-Pereira, agora já Mestre e Doutor em História – para participar em conferências e apresentar trabalhos de investigação, e pôde assim acompanhá-lo nas suas viagens, aprofundar o seu saber e registar inúmeros pormenores nos “bastidores”, misturando-se com as gentes locais, perdendo-se voluntaria, ou involuntariamente, nas ruas e trazendo até nós incontáveis e interessantes apontamentos culturais.

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Sala cheia no lançamento do livro no palácio da independência (foto Cristina Malhão-Pereira)

Numa escrita intimista, sincera, despretenciosa e por vezes, quase informal, tipicamente feminina, a autora revela-nos, ora com muita graça (com descrição de momentos deliciósos e hilariantes!), ora com profunda emoção, tanto as idiossincrasias das gentes e a beleza das paisagens, como a candura e miséria das crianças que dela se aproximavam, ou a forte marca deixada pelos portugueses e o calor humano e respeito com que foram tratados em toda a parte pelo simples facto de serem portugueses!

Cristina Malhão-Pereira está de parabéns uma vez mais!

É uma grande Senhora, corajosa, afoita, patriota e além de tudo, uma excelente embaixadora de Portugal, onde quer que vá! Esperamos que possa continuar a viajar com seu Marido e a partilhar connosco as aventuras que tão bem sabe narrar!

Com abundantes fotografias e uma bonita capa, este livro encontra-se à venda na Livraria Férin. Para mais informações, contactar, por favor a firma DG Edições, e-mail danielgouveia2@gmail.com , endereço postal Av. D. Pedro V, nº 15 5º Esq, 2795-151 Linda a Velha.