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Fragatas de Nova Geração

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Está em distribuição a edição em papel nº 1019 da Revista de Marinha, que neste vosso website, também pode ser consultada no formato em pdf para os assinantes digitais.

Neste primeiro número de 2021 daremos, como é usual, um merecido destaque ao tema “Marinhas de Guerra”, com ênfase na nossa “Briosa”, na nossa Marinha de Guerra.

A Marinha procura recuperar do período da crise económica de 2011 – 2015, que afetou significativamente o investimento, a manutenção e o treino; a que acresce hoje a falta de pessoal e a clarificação de competências na área da fiscalização.

O investimento é fundamental, quer no upgrade das unidades, quer na substituição das que se tornaram obsoletas. No que se refere a fragatas, importa acelerar e financiar adequadamente, a modernização da classe VASCO DA GAMA, excelentes plataformas ainda com muito potencial. E começar desde já a perspetivar as “Fragatas de Nova Geração”, procurando parceiros entre as Marinhas Aliadas para um programa conjunto. A construção de nova série de patrulhas oceânicos, que a necessidade de reforço de patrulha das águas do Algarve face à imigração ilegal acentua, está a atrasar-se, e haverá que não esquecer o importantíssimo Reabastecedor de Esquadra, recentemente abatido, e que os patrulhas costeiros classe TEJO foram construídos na Dinamarca em 1992 e que as lanchas de fiscalização classe ARGOS tem já 30 anos!

A lancha rápida P1151 NRP DRAGÃO, a segunda da classe ARGOS, foi construída em 1991 nos estaleiros da CONAFI, em Vila Real de Santo António. (imagem Luís Miguel Correia)
A lancha rápida P1151 NRP DRAGÃO, a segunda da classe ARGOS, foi construída em 1991 nos estaleiros da CONAFI, em Vila Real de Santo António. (imagem Luís Miguel Correia)

Os programas de construção naval, ou de modernização, têm, como se sabe, um grande potencial para o envolvimento da nossa indústria, assim exista o adequado planeamento.

A manutenção e o treino são mais fáceis de recuperar, como já o dissemos no ano passado, desde que os orçamentos anuais, de forma consistente, o permitam.

O recrutamento terá de ser abordado de forma pragmática; se a Marinha, se as Forças Armadas querem recrutar, terão de competir no mercado de trabalho com as empresas e com as Forças de Segurança, o que implica vencimentos e incentivos adequados.

O futuro navio patrulha da Unidade de Controlo Costeiro da GNR, o BOJADOR, é um navio tipo Stan Patrol 3507 dos estaleiros holandeses Damen. (imagem GNR)
O futuro navio patrulha da Unidade de Controlo Costeiro da GNR, o BOJADOR, é um navio tipo Stan Patrol 3507 dos estaleiros holandeses Damen. (imagem GNR)

Recentemente a atribuição de um navio com capacidade oceânica à GNR originou alguma polémica; gostaria de aqui deixar duas ideias apenas, e a declaração de interesses de ter servido 43 anos na Marinha:

  • A primeira é que o Estado deve clarificar perfeitamente as competências dos diversos organismos; a competição entre estes não deverá existir, a colaboração e o apoio mútuos devem ser incentivados. Recorde-se a situação que existe em França onde o Prefeito Marítimo, um Vice-Almirante na dependência do Primeiro Ministro, coordena a atividade de todos os meios dos diversos organismos do Estado no mar.
  • A segunda é que cada organização deve fazer aquilo para que tem vocação, aquilo que melhor sabe fazer. E para andar no mar, uma Marinha de “duplo uso” terá certamente mais vocação do que a GNR … Haverá problemas constitucionais? Organize-se uma Guarda-Costeira dentro da Marinha, com o mesmo Comandante e usando o mesmo pessoal e a mesma logística do material. Sugiro mesmo que se espreite como a Noruega, um país à nossa dimensão, se organizou neste âmbito.

A fechar, votos de um excelente Ano Novo de 2021, COVID free, se Deus quiser!