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Fundado em 22 de julho de 1863 pelo rei D. Luís I, é um dos mais antigos museus portugueses

O Museu de Marinha de Lisboa detém um espólio riquíssimo e único, que testemunha com esplendor o relacionamento da comunidade portuguesa com o mar, e bem assim a história e a cultura marítima de Portugal.

Sendo um órgão de natureza cultural da Marinha, o Museu de Marinha (MM) não se limita a ser o “museu da marinha militar”, afirmando-se, igualmente, como o museu das marinhas mercante, de recreio e de pesca, contribuindo dessa forma para preservar e desenvolver a forte relação do país com o mar e para a divulgar junto dos muitos visitantes que recebe.

Durante a sua já longa história o Museu de Marinha conheceu diversas localizações. Inicialmente foi instalado na Sala do Risco da Escola Naval, no antigo Arsenal de Marinha (junto à Praça do Comércio), com uma função essencialmente didática. Quando a Escola Naval foi transferida para o Alfeite, em 1936, o Museu permaneceu na Sala do Risco e tornou-se autónomo, sendo o seu primeiro diretor o Capitão-de-mar-e-guerra Quirino da Fonseca.

O Museu de Marinha na Sala do Risco, no edifício da Marinha na Ribeira das Naus. (imagem Arquivo Histórico da Marinha)
O Museu de Marinha na Sala do Risco, no edifício da Marinha na Ribeira das Naus. (imagem Arquivo Histórico da Marinha)

A importância do legado de Henrique Maufroy de Seixas

A doação à Marinha da extraordinária coleção de Henrique Maufroy de Seixas, em 1948, deu um impulso significativo às coleções do museu. Essa coleção era constituída por mais de trezentas peças, entre as quais várias tipologias de modelos de navios, a que se juntaram vários milhares de fotografias que tinham por tema o mar, a Marinha e, de uma maneira geral, a cultura marítima portuguesa. As condições da doação impunham a sua exibição num local com condições condignas o que conduziu à transferência do museu, com caráter provisório, para o Palácio do Conde de Farrobo, nas Laranjeiras, em Lisboa, no ano de 1949.

O Palácio dos Condes de Farrobo (Estúdio Mário Novais c. 1940 imagem gentilmente cedida de acasasenhorial.org)
O Palácio dos Condes de Farrobo (Estúdio Mário Novais c. 1940 imagem gentilmente cedida de acasasenhorial.org)
Henrique Maufroy de Seixas rodeado por alguns dos seus modelos de navios. (imagem MM)
Henrique Maufroy de Seixas rodeado por alguns dos seus modelos de navios. (imagem MM)
Exemplo extraordinário dos espécimes fotográficos da Coleção Seixas é esta fotografia dum fragmento de bandeira comprado num antiquário de Cadiz, pelo cônsul português e oferecido ao Almirante Augusto Castilho, em 1907. Esta bandeira portuguesa pertencera ao último batalhão português em ceuta, que foi dissolvido em 1600. Infelizmente o fragmento perdeu-se no incêndio da escola naval (imagem MM)
Exemplo extraordinário dos espécimes fotográficos da Coleção Seixas é esta fotografia dum fragmento de bandeira comprado num antiquário de Cadiz, pelo cônsul português e oferecido ao Almirante Augusto Castilho, em 1907. Esta bandeira portuguesa pertencera ao último batalhão português em ceuta, que foi dissolvido em 1600. Infelizmente o fragmento perdeu-se no incêndio da escola naval (imagem MM)

O estudo e o debate, em que intervieram, entre outros, o Almirante Gago Coutinho e o Comandante Quirino da Fonseca, sobre a constituição e a edificação de um Museu Marítimo português, teve um desenvolvimento decisivo no início dos anos sessenta do Século XX. De facto, em 15 de agosto de 1962 o Museu de Marinha é transferido para o complexo dos Jerónimos, após a construção, de raiz, do Pavilhão das Galeotas – primeira instalação do género em Portugal para albergar as galeotas reais – e da ala poente, segundo um projeto do arquiteto Frederico George.

O Ministro da Marinha, Contra-almirante Quintanilha e Mendonça Dias, o Diretor do Museu e o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, na inauguração das instalações nos Jerónimos, no dia 15 de Agosto de 1962 (imagem CCM Marinha)
O Ministro da Marinha, Contra-almirante Quintanilha e Mendonça Dias, o Diretor do Museu e o Presidente da República, Almirante Américo Tomás, na inauguração das instalações nos Jerónimos, no dia 15 de Agosto de 1962 (imagem CCM Marinha)

Nas décadas de setenta e oitenta do Século XX, o Museu de Marinha aumentou as suas coleções e renovou a sua exposição permanente. Registe-se, no início de 1970, a inauguração do piso 01, onde se instalam novas salas expositivas.  Nos anos de 1980, salienta-se a constituição de uma notável coleção de astrolábios náuticos e o contributo de investigadores, de que se citam os nomes do Vice-almirante Avelino Teixeira da Mota, do Comandante Estácio dos Reis e do Arquiteto Lixa Filgueiras.

Quase a comemorar os 160 anos, é um museu cheio de vitalidade

Contando com mais de 25.000 peças, o acervo do museu é constituído por coleções de carácter diversificado, que incluem peças das armadas de Vasco da Gama, o hidroavião em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral completaram a travessia área do Atlântico sul, as Galeotas reais, uma coleção de astrolábios náuticos, a maior do Mundo em permanência, constituída por nove peças, e outros instrumentos de navegação, espécimes e réplicas rigorosas da cartografia da época dos Descobrimentos, modelos de navios de guerra, navios mercantes, embarcações de pesca e quadros de pintores famosos como João Vaz, Roger Chapelet e o Comandante Pinto Basto. Dispõe ainda de 140.000 espécies fotográficas e 1.500 desenhos e planos de navios e embarcações.

Na Sala dos Grandes Veleiros, em lugar de destaque a pintura em óleo sobre tela (317 x 200 cm)"A Batalha do Cabo de S. Vicente", de Antoine Léon Morel-Fatio, que pertenceu ao infante D. Afonso Henriques, irmão do rei D. Carlos I. (imagem MM)
Na Sala dos Grandes Veleiros, em lugar de destaque a pintura em óleo sobre tela (317 x 200 cm) “A Batalha do Cabo de S. Vicente”, de Antoine Léon Morel-Fatio, que pertenceu ao infante D. Afonso Henriques, irmão do rei D. Carlos I. (imagem Rui Salta – MM)
Pormenor do quadro "A Batalha do Cabo de S. Vicente", de Antoine Léon Morel-Fatio - vendo-se a bandeira azul e branca de D. Maria, içada no estai da fragata RAINHA DE PORTUGAL, de 46 peças (apenas visível aqui o mastro do Gurupés) comandada pelo almirante Napier, encostada à nau RAINHA DE PORTUGAL com duas baterias e 76 peças, cujo convés decorre uma luta resultante da abordagem da primeira à segunda. (imagem João Gonçalves)
Pormenor do quadro “A Batalha do Cabo de S. Vicente”, de Antoine Léon Morel-Fatio – vendo-se a bandeira azul e branca de D. Maria, içada no estai da fragata RAINHA DE PORTUGAL, de 46 peças (apenas visível aqui o mastro do Gurupés) comandada pelo almirante Napier, encostada à nau RAINHA DE PORTUGAL com duas baterias e 76 peças, cujo convés decorre uma luta resultante da abordagem da primeira à segunda. (imagem João Gonçalves)

Em 2019 atingiu-se o número de 175.000 visitantes, valor que coloca o Museu de Marinha como um dos museus mais procurados e visitados do país.

Contando com quase 10.000 m2 de área expositiva, este Museu tem em curso um programa de longo prazo para requalificar a sua atratividade através da renovação da exposição permanente, nomeadamente através da implementação de uma comunicação de conteúdos de acordo com os novos padrões da museologia e com recurso a novas tenologias. De acordo com o estabelecido, já se concluiu a renovação toda a ala poente do Museu, com a finalização, no último ano, dos trabalhos na Sala dos Grandes Veleiros. Durante o corrente ano tenciona-se elaborar o projeto de renovação da Sala dos Séculos XIX á atualidade, cumprindo com a calendarização fixada, por forma a concluir o programa de renovação em 2023, por ocasião da comemoração dos 160 anos da criação do Museu de Marinha.

O Museu de Marinha de lisboa, vendo-se a entrada e a ala poente, inseridas no conjunto arquitetónico manuelino do Mosteiro dos Jerónimos (imagem MM)
O Museu de Marinha de lisboa, vendo-se a entrada e a ala poente, inseridas no conjunto arquitetónico manuelino do Mosteiro dos Jerónimos (imagem Rui Salta – MM)

A divulgação cultural inclui um programa dinâmico de exposições temáticas temporárias, que evoquem figuras ou factos de interesse histórico, associados a atividades do mar e possibilitando uma porta aberta a iniciativas da sociedade portuguesa. Durante o último ano estiveram patentes ao público as exposições temporárias “Centenário da Aviação Naval”, “A Tradição Marítima de Chipre. Desde Antiguidade até aos Tempos Modernos” organizada pela Embaixada do Chipre, “Marinha do Tejo” organizada pela Associação Marinha do Tejo, “Lisboa está na moda” pelos Pupilos do Exército; “Marinheiros da Esperança”; “Gago Coutinho. Viajante e Explorador” e “I.MER.SÃO” do jornalista David Araújo sobre a missão da Polícia Marítima na Grécia.

A GUIGA era uma embarcação de recreio de seis remos do início do século 20. É uma jóia ofuscada pela grandeza do Bergantim Real, por isso poucos são os que reparam nela. (imagem João Gonçalves)
A GUIGA era uma embarcação de recreio de seis remos do início do século 20. É uma jóia ofuscada pela grandeza do Bergantim Real, por isso poucos são os que reparam nela. (imagem João Gonçalves)
Pormenor do interior da GUIGA, em exibição no Pavilhão das Galeotas (imagem João Gonçalves)
Pormenor do interior da GUIGA, em exibição no Pavilhão das Galeotas (imagem João Gonçalves)

Para além do complexo dos Jerónimos, o Museu de Marinha integra o edifício da ex – Fábrica Nacional de Cordoaria, o Pólo Museológico de Cacilhas composto pela fragata D. Fernando II e Glória e o submarino Barracuda, o Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão em Faro no Departamento Marítimo do Sul, o polo museológico do Farol do Cabo de S. Marta e o Pólo Museológico do Cabo de S. Vicente. A Marinha do Tejo constitui ainda um polo vivo do MM.

A bateria da Fragata D .FERNANDO II E GLÓRIA. A fragata, juntamente com o submarino NRP BARRACUDA, integram o pólo museológico de Cacilhas (imagem MM)
A bateria da Fragata D .FERNANDO II E GLÓRIA. A fragata, juntamente com o submarino NRP BARRACUDA, integram o pólo museológico de Cacilhas (imagem MM)

A digitalização do Museu permite, não só visitá-lo virtualmente, mas também consultar os seus registos documentais.

O Museu de Marinha encerrou temporáriamente ao público no dia 12 de março como consequência das restrições colocadas pela pandemia da COVID-19. Esta situação acelerou a tendência de digitalização do Museu, nomeadamente das suas coleções e de comunicação dos seus conteúdos e programação, ações essas que têm vindo a decorrer, de forma progressiva, nos últimos anos. O contacto do público e dos investigadores com as coleções e peças do museu não se limita hoje às visitas presenciais. É possível efetuar a consulta dos registos do museu através da aplicação InWeb na página de internet do Museu de Marinha, no chamado “Museu Digital”.

No pavilhão das Galeotas, estão expostos inúmeros exemplares de embarcações à vela e a remo, como o magnífico Bergantim Real, utilizado pela última vez, em 1957, pela rainha Isabel II do Reino Unido (imagem MM)
No pavilhão das Galeotas, estão expostos inúmeros exemplares de embarcações à vela e a remo, como o magnífico Bergantim Real, utilizado pela última vez, em 1957, pela rainha Isabel II do Reino Unido (imagem MM)
O magnífico painel de popa do Bergantim Real. Vale a pena parar uns bons minutos para admirar esta obra de arte. (imagem João Gonçalves)
O magnífico painel de popa do Bergantim Real. Vale a pena parar uns bons minutos para admirar esta obra de arte. (imagem João Gonçalves)

A gestão integrada das diferentes coleções do museu, nomeadamente o acervo de peças, o Centro de Documentação, o Arquivo Histórico de Imagens da Marinha e o Arquivo de Desenhos e Planos é realizada desde 2011 com o programa InPatrimonium. Esta base de dados gere o registo e todos os aspetos relacionados com o espólio museológico, como os empréstimos, movimentos de peças, intervenções de conservação e restauro, exposições e outros eventos realizados pelo Museu e a consulta do seu acervo através da aplicação InWeb.

No período de confinamento incrementou-se a produção de vídeos com conteúdos sobre o Museu, as suas coleções e ações on-line de mediação cultural, procurando manter a ligação com o seu público tradicional e criar empatia com novos públicos, em particular com os mais jovens. Para além de poderem ser acedidos através do sitio da internet do museu, no link “O Museu em sua Casa”, os vídeos são divulgados nas redes sociais, nomeadamente nas páginas de Facebook da Marinha Portuguesa e da CCM – Comissão Cultural de Marinha. Recentemente inaugurou-se a página do INSTAGRAM do Museu de Marinha (@MuseuMarinha) dirigida aos jovens.

Screenshot da página da internet do Museu Digital
Screenshot da página da internet do Museu Digital

Encontram-se ainda em desenvolvimento projetos para elaboração de guias digitais para visitantes, recorrendo aos códigos QR e para se poderem efetuar visitas virtuais.

O aumento destas atividades através de suportes e plataformas digitais, com acento na divulgação e comunicação pela internet, são reveladoras da importância crescente   do desenvolvimento de conteúdos adequados dos museus, visando a realidade virtual/digital, verificando-se uma intensificação da sua procura em tempo de confinamento. Esta alteração do produto a oferecer impõe a necessidade de aperfeiçoamento de novas competências para os profissionais dos museus, representando um desafio adicional à sua gestão.

O programa educativo do Museu de Marinha e os protocolos com as universidades

O programa educativo e de medição cultural do Museu de Marinha encontra-se focado nas escolas e nos grupos organizados, realizando-se visitas guiadas temáticas ou de carácter geral e ainda, visitas teatralizadas realizadas com o recurso a parceiros do Museu.

Da Ribeira das Naus ao Arsenal de Marinha, esta nova exposição incluida na Sala dos Grandes Veleiros, retrata a evolução da indústria de construção naval em Lisboa, nos séculos 18 e 19 (imagem MM)
Da Ribeira das Naus ao Arsenal de Marinha, esta nova exposição incluida na Sala dos Grandes Veleiros, retrata a evolução da indústria de construção naval em Lisboa, nos séculos 18 e 19 (imagem Rui Salta – MM)

A cooperação com a Escola Naval e o CINAV na área da investigação científica é complementada com um protocolo com a Universidade Lusófona, existindo ainda uma intensa cooperação com vários museus municipais.

A pandemia COVID-19 teve um impacto significativo na programação das exposições temporárias, com diversos parceiros a cancelaram as atividades programadas para o corrente ano. A exposição sobre o Almirante Gago Coutinho irá permanecer em exibição na Torre Oca até ao fim do ano de 2020, e em 2022 terão lugar as exposições comemorativas do Centenário da Travessia Aérea do Atlântico Sul e do Centenário da morte do Príncipe Alberto I do Mónaco.

 

Nota da redação: O Museu de Marinha reabriu no dia 18 de maio e a Revista de Marinha exorta os leitores a visitá-lo e a descobrir os seus tesouros.