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Golfo Pérsico

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Esteve atracado entre 27 e 30 de maio de 2019, no Cais da Rocha em Alcântara, o RNOV[1] SHABAB OMAN II, numa escala de rotina rumo a Rouen, em França. Esta foi a primeira vez que este recente navio escola da Marinha do Sultanato de Omã praticou um porto português.

Concebido sob os mesmos planos do STAD AMSTERDAM, da cidade de Amesterdão, e do CISNE BRANCO, da Marinha do Brasil, este belo veleiro, armado em galera e de linhas finas e graciosas, assemelha-se aos elegantes clippers do seculo XIX. Sendo o navio-irmão mais novo das três galeras, o seu casco foi construído entre 2013 e 2014, nos Estaleiros Navais da Damen em Galati na Roménia, sendo posteriormente rebocado até à Holanda, onde foi aparelhado nos estaleiros da Damen em Vlissingens. Em 12 de setembro de 2014, foi entregue à Marinha Real de Omã, denominando-se RNOV SHABAB OMAN II.

O lugre-pataxo RNOV SHABAB OMAN (foto Patrick Wernhardt – Creative Commons)
O lugre-patacho RNOV SHABAB OMAN (foto Patrick Wernhardt – Creative Commons)

Este moderno veleiro substituiu o RNOV SHABAB OMAN I, um lugre patacho de 1971, que serviu a Marinha Real de Omã durante cerca de 36 anos. Com 85,8 metros de comprimento, 11,1 metros de boca, 5,4 metros de calado máximo e com uma área velica de 2630 metros quadrados distribuída por 26 velas (16 velas redondas e 10 velas latinas), o novo SHABAB OMAN está equipado com os mais recentes equipamentos de comunicações e navegação, chegando a atingir mais de 18 nós a navegar à vela!

o novo SHABAB OMAN está equipado com os mais recentes equipamentos de comunicações e navegação (foto de Ismael Olea)
O novo SHABAB OMAN está equipado com os mais recentes equipamentos de comunicações e navegação (foto de Ismael Olea)

Provavelmente sob inspiração das cruzes de Cristo do navio escola Sagres, o RNOV SHABAB OMAN II enverga em cerca de metade das suas velas redondas um símbolo vermelho, composto por duas espadas cruzadas e uma adaga khanjar, uma espécie de punhal de lâmina curva típico do país. Trata-se do brasão de armas do Sultanato de Omã, existente na bandeira nacional, na moeda, no Brazão da Marinha Real e muitos outros símbolos de Estado. Este legado foi-lhe passado pelo antigo RNOV SHABAB OMAN.

Provavelmente sob inspiração das cruzes de Cristo do navio escola SAGRES, o RNOV SHABAB OMAN II enverga em cerca de metade das suas velas redondas um símbolo vermelho, composto por duas espadas cruzadas e uma adaga khanjar (foto gentilmente cedida pelo Comandante Ali Hosn)
Provavelmente sob inspiração das cruzes de Cristo do navio escola SAGRES, o RNOV SHABAB OMAN II enverga em cerca de metade das suas velas redondas um símbolo vermelho, composto por duas espadas cruzadas e uma adaga khanjar (foto gentilmente cedida pelo Comandante Ali Hosn)

O nome Shabab Oman, cujo significado é “juventude de Omã” é um tributo à maior riqueza de qualquer país, os seus jovens. Um nome também pertinente, por se tratar de um navio escola com o objetivo de tornar os instruendos de todos os ramos das Forças Amadas e de Segurança, assim como diversos jovens civis, em exímios marinheiros.

O Sultanato de Omã é um belo e exótico país, localizado no canto sudoeste da península da Arábia e na entrada do Golfo Pérsico. A sua capital, Mascate, foi uma importante praça portuguesa no seculo XVI e XVII, onde ainda hoje existem duas imponentes fortalezas de origem portuguesa, o forte de Al-Mirani (corruptela de Almirante) e o forte de Al-Jalali (corruptela de São João). País com tradição naval, chegou a competir com Portugal e com a Inglaterra pelo controlo do Golfo Pérsico e parte do Mar Arábico e Oceano Índico. Este grande veleiro é também uma bela forma de cumprir a sua tradição marinheira e uma homenagem à sua orgulhosa história naval.

A carranca homenageia o marinheiro árabe que dominou o Oceano Índico antes dos portugueses. Foi talhada pelos mestres do atelier holandês Reudenroos (foto gentilmente cedida por Atelier Reudenroos)
A carranca homenageia o marinheiro omanita. Foi talhada pelos mestres do atelier holandês Reudenroos (foto gentilmente cedida por Atelier Reudenroos)

Desde 2015, este navio omanita tem praticado vários portos do Médio Oriente, Índia, Norte de Africa e Europa. Participando em várias regatas e encontros de veleiros, a sua simpática e afável guarnição mostra a todos os que o quiserem visitar, para além de um belo e moderno veleiro, um pouco da sua cultura e das suas tradições.

O navio escola, comandando pelo Comandante Ali Bin Al Hosni e com uma guarnição composta por 54 militares e 36 instruendos, irá praticar na sua presente missão, denominada Mast of Glory and Peace, 17 portos de 12 nações amigas. Esperemos que regresse a Lisboa já em 2020, para participar na Tall Ships Race que irá decorrer de 2 a 5 de julho, em Santa Apolónia.

O RNOV Shabab Oman II pairando frente à costa de Oman (foto gentilmente cedida pelo Comandante Ali Hosn)

Felizmente o caso do Shabab Oman II não é único. Nos últimos anos tem-se assistido a um aumento significativo na construção de grandes veleiros. Diversas Marinhas de guerra de vários países têm adquirido ou readquirido grandes veleiros. Este paradigma deve-se não só ao facto de um veleiro ser o navio de excelência para a formação marinheira, mas também porque um grande veleiro pode ser usado como uma boa ferramenta de apoio à diplomacia e de promoção de um país e da sua cultura, utilização que o nosso navio escola Sagres já realiza há várias décadas.

um grande veleiro pode ser usado como uma boa ferramenta de apoio à diplomacia e de promoção de um país e da sua cultura (foto gentilmente cedida pelo Comandante Ali Hosn)
um grande veleiro pode ser usado como uma boa ferramenta de apoio à diplomacia e de promoção de um país e da sua cultura (foto gentilmente cedida pelo Comandante Ali Hosn)

[1]  Royal Navy of Oman Vessel