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Mais de mil cientistas e empresários de todo o mundo confluiram para Brest, em outubro passado, para participar na 11ªedição da Sea Tech Week

A convenção, que centrou este ano o tema dos recursos biológicos marinhos, decorreu em Brest entre os dias 8 e 12 de outubro e reuniu mais de mil cientistas e empresários de todo o mundo, que proferiram e participaram em conferências, workshops, reuniões B2B e numa feira profissional.

Nesta edição, destacaram-se duas delegações internacionais, a da Noruega, país convidado de honra e a de Goa, que esteve presente na sequência dum acordo recentemente assinado entre os presidentes francês e indiano.  Para além destas duas, estiveram presentes delegações da China (Qingdao), Quebec (Rimouski) e Vietnam (Hai Phong e Ba Ria-Vung Tao).

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O grande auditório do Quartz (foto Le Quartz)

Nos espaços comuns, decorreu uma feira de organismos públicos e privados com projetos ligados à exploração, proteção e aproveitamento do mar.  Entre estes, estava o sistema QuietSea da empresa francesa Sercel, líder mundial de equipamentos de geofísica para as indústrias de prospeção mineira e de hidrocarbonetos, em terra e no mar, e de lançamento de cabos submarinos, entre outras.

O sistema QuietSea, segundo nos explicou Aurélie Joubain, aproveita a tecnologia de acústica submarina desenvolvida pela Sercel, para melhorar a segurança e proteção dos grandes mamíferos marinhos ameaçados pelo aumento do número de navios de grande porte e pelos efeitos colaterais da crescente atividade de pesquisa oceanográfica.

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O sistema QuietSea, da Sercel, é do tipo PAM, Passive Acoustic Monitoring (Imagem Sercel)

Um robô salva-vidas nascido no deserto

Ao lado, pelas cores garridas dos equipamentos, despertou-nos interesse o sistema EMILY (Emergency Integrated Lifesaving Lanyard, Emergency Integrated Lifesaving Lanyard), um ROV (Remote Operated Vehicle), verdadeiro robô salva-vidas. Fabricado pela Hydronalix, Inc. em Sahuarita, no estado norte-americano do Arizona, pesa apenas 11 kg e mede 1,37 metros de comprimento por 20 cm de altura e 40 cm de largura. Capaz de atingir velocidades de 35 nós (65 km/h), consegue, no modo de patrulha, vigiar uma área durante 8 horas, à velocidade de cruzeiro de 8 km/h.

No stand do EMILY, conversámos com o gerente, Anthony Mulligan, que nos contou que o ROV EMILY dispõe de um acessório com sonar de varrimento lateral, para buscas de objetos submersos e também uma nova versão em desenvolvimento vocacionada para a recolha autónoma de amostras de água do mar.

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O stand do EMILY e o ROV que foi utilizado em testes pela US Navy e US Marines. (Foto RM, João Gonçalves)

iFADO, um projeto com inspiração portuguesa

No stand do iFADO, um projeto europeu de investigação científica financiado pelo Programa INTERREG “Espaço Atlântico”, falámos com as oceanógrafas Manuela Juliano e Ana Martins da Universidade dos Açores, que nos explicaram a importância do iFADO para a implementação da Diretiva Quadro Estratégia Marinha (DQEM) na demonstração da aplicação de produtos inovadores. O projeto iFADO (Inovação no Quadro do Oceano Atlântico Profundo) pretende criar serviços marítimos à escala regional e sub-regional,  usando o espaço atlântico como case study. O projeto combina a monitorização tradicional com tecnologias de ponta: satélites, modelação numérica e novas plataformas, tais como planadores subaquáticos e boias oceânicas.

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No stand montado no Quartz, os representantes do projeto iFADO, da esquerda para a direita Manuel Ruiz do Instituto Español de Oceanografia de Vigo, Xavier Rebour do Pôle Mer Bretagne Atlantique de Brest, Sara Freitas do IST de Lisboa, Manuela Juliano do Fundo Regional de Ciência e Tecnologia dos Açores (FRCTA), Muriel Lux da Noveltis de Toulouse, Ana Martins do FRCTA, Ramiro Neves e Francisco Campuzano, ambos do IST (Foto iFADO)

O projeto teve uma participação ativa na Sea Tech Week, particularmente no dia 9 de outubro, quando foi apresentado durante um painel de discussão com vários atores da Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”. A discussão abordou os desafios da vigilância marinha, as soluções existentes e a necessidade de inovação. A participação na Sea Tech Week permitiu ao iFADO uma importante divulgação junto dum público especializado e uma melhor visibilidade internacional.

O iFADO é formado por um consórcio de várias entidades de referência nos países que integram o arco Atlântico, a saber: Portugal, Espanha, Irlanda, França e Reino Unido.

 

A delegação de Goa e o projeto GOAT (Goa Atlantic Cooperation Program)

Um dos workshops mais interessantes foi aquele onde foi apresentado o Projeto GOAT, um programa de intercâmbio educacional e de pesquisa na área de Ciência e Tecnologia Marinha, entre Goa e Brest.

Este projeto baseia-se num memorando de entendimento assinado em março de 2018, durante a visita do presidente Michel Macron à Índia, no âmbito da Conferência do Conhecimento.  O Naval Group e o Campus Mondial de la Mer, da parte francesa, e o Indian Institute of Technology Goa (IITGoa), do lado indiano, comprometeram-se a conjugar esforços para o desenvolvimento do programa educacional e de pesquisa científica, numa abordagem concentrada nos setores público e privado.

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Logo do Indian Institute of Technology Goa

Na sala de conferências conversámos com o Dr. Bidhan Pramanick, professor assistente na School of Electrical Sciences, do IITGoa e com Rahul Koul, editor chefe da revista Bio Voice, uma revista tecnológica baseada em Nova Deli.

A equipa, liderada pelo Prof Gajanana Prabhu Gaonkar, professor sénior convidado no IIT-Goa e professor no IIT-Bombay, apresentou propostas de cooperação em áreas como energias marinhas renováveis, avaliação e controle não-destrutivo, técnicas computacionais avançadas, modelagem numérica e matemática: tecnologias de combustão, robótica e tecnologia química.

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O Prof Gajanana Prabhu Gaonkar e Rahul Koul, jornalista de Nova Deli. (foto Geraldine Aupee)

Além disso, foram também discutidas as oportunidades em biotecnologias marinhas, incluindo processos induzidos por luz ultrarrápida, femto-química e femto-biologia(a), bem como medicamentos de origem marinha. Soubemos igualmente do interesse em explorar possíveis áreas de colaboração com instituições portuguesas. Note-se que a indústria indiana de biotecnologia deverá crescer 30,46% (Taxa Composta Anual de Crescimento – CAGR), prevendo-se atingir os 100 mil milhões de US$ até 2025.

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O Quartz Conference Center, em Brest, local onde decorreu a conferência. (foto Brest Metropole Mathieu Le Gall)

 

A 11ª edição da Sea Tech Week, que decorreu no Quartz Conference Center, em Brest, é já uma referência internacional e um elemento firme no calendário internacional dos principais eventos europeus de ciências marinhas.

 

(a) Femtoquímica é o ramo da físico-química que estuda os fenómenos que ocorrem em períodos extremamente curtos, isto é, em femtosegundos. Femto, cujo símbolo é a letra f minúscula, é um prefixo do Sistema Internacional de Unidades denotando um fator de 10−15 (dez elevado a menos quinze). Femto, vem do Norueguês femten, que significa quinze.

A Revista de Marinha viajou a convite de Business France.