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Está em distribuição a edição em papel nº 1016 da Revista de Marinha, referente aos meses de julho e agosto.

Neste número fazemos foco nos temas “Marinha de Comércio” e “Construção & Reparação Naval”; desde já um agradecimento ao Alm. Engº Victor Gonçalves de Brito que de novo coordenou este último dossier.

Uma nota breve para referir o Almirante Nuno Vieira Matias, falecido a 13 de junho, uma figura marcante da sociedade portuguesa e um doutrinador da necessidade de uma nova maritimidade para Portugal; no próximo número da revista vamo-nos despedir do nosso estimado Presidente do Conselho Editorial.

Nos últimos meses cinco embarcações com imigrantes do Norte de África foram intercetadas pela Polícia Marítima à chegada à costa do Algarve. Nada que se não esperasse, pois é o que acontece desde há muito na costa da Andaluzia. Há que reforçar a vigilância da costa mais ao largo, com meios navais e com reconhecimento aéreo, por aeronaves e por drones, do tipo que a nossa indústria já fabrica. Nada que a Marinha, que as nossas Forças Armadas e de Segurança, não saibam fazer. Mas são precisos meios.

Agentes da Polícia Marítima abordam os migrantes marroquinos no dia 16 de junho, no cais da Estação Salva-Vidas de Olhão (imagem AMN)
Agentes da Polícia Marítima abordam os migrantes marroquinos no dia 16 de junho, no cais da Estação Salva-Vidas de Olhão (imagem AMN)

A pandemia afetou já significativamente a Marinha de Comércio; em maio o tráfego no Canal do Panamá caiu 21 %. A médio / longo prazo a globalização pode ser posta em questão pois muitos países não pretendem repetir situações de vulnerabilidade, de depender para necessidades básicas da sua sociedade de produtos vindos do outro lado do mundo, e de um único país. O que poderá reduzir as trocas comerciais e o número de navios que as asseguram.

Será que Portugal poderá vir a ser um país de shipping? As capitais marítimas como Singapura, Londres ou Atenas, onde se concentram os armadores, agregam também muitas empresas de serviços, de advogados a finança especializada, de peritos a shipmanagement, gerando numerosos empregos de qualidade. A firma “Arista Shipping” já se instalou entre nós; temos tradição e história, segurança, bom clima, boas comunicações e custos competitivos. O Brexit e a crise que o shipping vive, e vai viver, trazem oportunidades que importa aproveitar.

Bandeiras da Arista Shipping, junto aos escritórios no Beloura Office Park, em Sintra. (imagem Arista Shipping)
Bandeiras da Arista Shipping, junto aos escritórios no Beloura Office Park, em Sintra. (imagem Arista Shipping)

A nível nacional saúda-se o Registo da Madeira, que tem crescido e poderia crescer mais. Aguarda-se legislação que lhe permita concorrer com Malta e com Chipre, registos de muito maior dimensão. Uma palavra de aplauso para o Grupo ETE, agora responsável pelo tráfego inter-ilhas em Cabo Verde.

O mercado de cruzeiros parou de repente; a retoma já se anuncia, mas vai demorar. O armador Mystic Cruises (Grupo Douro Azul), com unidades novas, mais pequenas e flexíveis, e operando no nicho da expedição, talvez tenha mais sorte; são esses os nossos votos.

Os 3 navios da Mystic Cruises em Viana do Castelo, no dia 28 de julho de 2020 (imagem de Mário Ferreira)
Os 3 navios da Mystic Cruises em Viana do Castelo, no dia 28 de julho de 2020 (imagem de Mário Ferreira)

A construção e a reparação naval vão ser fortemente fustigadas pela crise. Contudo, precisamos de reequipar a Marinha de Guerra, de substituir os navios de comércio das carreiras das Ilhas e de rejuvenescer a frota de pesca.

Será que esta crise constitui uma oportunidade para relançar a construção naval e as indústrias associadas?