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Faz hoje 22 anos que se deu o início da EXPO 98!

Em 1989, por iniciativa de António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura, surgiu a ideia de organizar em Portugal uma Exposição Internacional com o propósito de comemorar, em 1998, os 500 anos dos Descobrimentos Portugueses. A ideia recebe o apoio do Governo de então e é apresentada ao Bureau International d’Éxpositions onde é aprovada, com o tema OS OCEANOS: UM PATRIMÓNIO PARA O FUTURO.

Vista aérea de 1997, da construção da Ponte Vasco da Gama, uma das grandes obras ligadas à EXPO 98 (imagem Lusoponte)
Vista aérea de 1997, da construção da Ponte Vasco da Gama, uma das grandes obras ligadas à EXPO 98 (imagem Lusoponte)

Foi um evento de sucesso tendo atraído cerca de 11 milhões de visitantes e que em simultâneo fez mudar toda a parte oriental da cidade de Lisboa com a construção de grandes obras públicas, como foram a Ponte Vasco da Gama, uma nova linha de metro e a Estação rodoferroviária Gare do Oriente, assim como originou a recuperação de todo um espaço de 50 hectares, onde foi implantada a Expo 98, que se encontrava completamente degradado e poluído.

Vista aérea do recinto da grande Exposição Mundial de Lisboa, EXPO 98
Vista aérea do recinto da grande Exposição Mundial de Lisboa, EXPO 98

Para gerir todo o processo de implantação e organização da exposição foi constituída, em março de 1993, a empresa Parque Expo, S.A. que na sua estrutura criou a Direcção de Operações para preparar e conduzir o período da exposição (22 de Maio a 30 de Setembro). Como seu Director-Geral foi nomeado João Soares Louro que soube, de forma extraordinária, organizar e liderar uma equipa, que terá começado com uma dúzia de colaboradores e que mês após mês ia aumentando. E no dia 22 de maio de 1998 tudo estava pronto e foi dado início à EXPO98 .

A EXPO 98 recebeu mais de 11 milhões de visitantes. (imagem nva.org.uk)
A EXPO 98 recebeu mais de 11 milhões de visitantes. (imagem nva.org.uk)

E como retrato fiel do que se passou transcreve-se o que João Soares Louro deixou escrito no Relatório Final da Direcção de Operações:

Soube-se ousar e vencer o que para muitos parecia “impossível”, com a EXPOSIÇÃO MUNDIAL DE LISBOA 98 a converter-se numa importante realização nos planos nacional e internacional. Nunca tantos de tão diferentes misteres e condições, em tão pouco tempo e com maior empenho, se terão superado a si próprios, demonstrando que continuamos a ser capazes de assumir e cumprir os maiores desafios. A história da EXPO 98 acentua de forma inequívoca a vocação portuguesa no domínio da inovação criativa e da sua conversão em obras e resultados surpreendentes.

Nada foi feito ao acaso. Renunciou-se à dependência dos milagres e com entusiasmo perseguiu-se a excelência.

A atividade operacional, ouvimo-lo dizer vezes sem conta, pode salvar ou comprometer um evento da natureza do que estamos falando. É-nos grato concluir que não tivemos nada para salvar e nada comprometemos. Em menos de dois anos, as Operações, mais do que uma grande macroestrutura, souberam constituir-se numa autêntica, fraterna e inesquecível comunidade. Assim se fez e bem o que tinha de ser feito.”

Há 22 anos Expo 98 última reunião da Direcção de Operações
Há 22 anos na Expo 98, João Soares Louro e os seus colaboradores na última reunião da Direcção de Operações. A reunião da DGO era diária, pelas 0800 e constava de um briefing feito pelo Director do COC, com a presença dos vários directores de serviço da DG Operações: De pé, da esquerda para a direita: Eng Rui Palma (Ticketing), António Rodrigues, Dr Nuno Salgado (Participantes), TCor Mendes Moreira (Relações Públicas), Eng. Álvaro de Freitas (Serv. Técnicos), Eng Portela Santos (DGO Adjunto), Dr. Campos Rosado (Pavilhões), Embaixador Pedro Feytor Pinto (Protocolo), Cte Temes de Oliveira (COC), Dr Virgílio Mora (Público), Dr João Brites (Espectáculos), Dr Pedro Moniz, (Acessibilidades), Eng Rui Brito Gabinete do DGO), Dr Vieira Machado (Pessoal e Finanças), Sentados, da esquerda para a direita: Eng António Baptista (Serv. Técnicos), Teresa Schmidt (Gab DGO), João Soares Louro (DG Operações), Dr Pina Pereira (Administrador Parque EXPO), Drª Manuela Costa (Gab DGO), Drª Aida Sousa Dias (Actividades Comerciais) (imagem OTO)

O Centro de Operações e Controlo e os seus marinheiros

No âmbito da Direcção de Operações, para acompanhamento e controlo de toda a actividade diária, foi criado o COC (Centro de Operações e Controlo) de que tive a honra e o gosto de assumir a sua organização e direcção. Foi uma equipa de 149 elementos e que face à especificidade do trabalho a executar e do funcionamento em 24 horas diárias por turnos, foi muito importante que muitos dos elementos tenham sido “recrutados” no meio marítimo. Foram vários oficiais da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante e ainda mais de uma dezena de alunos da Escola Náutica que com a sua experiência e cultura tornaram o COC um departamento credível e fundamental para para o Director-Geral de Operações na condução da EXPO98. Se a EXPO 98 tinha por tema o MAR foi importante o contributo daqueles que foram formados na cultura do “Mar”.

Há 22 anos sala de controlo. Neste dia as entradas já tinham ultrapassado os 72 mil visitantes!
Há 22 anos, em Setembro, na sala do Centro de Operações e Controlo, o painel com o número de entradas diárias , indicava mais 72 mil visitantes! (imagem OTO)

O Mar é a grande escola!

Por mim, não posso esquecer os muitos dias em que, a seguir ao jantar, o João Soares Louro vinha sentar-se no COC e que, sempre fumando o seu charuto e deixando constantemente cair a cinza para cima da sua gravata, tínhamos longas horas de conversa e nos deixava lembranças de uma vida coerente e bem vivida no serviço público do nosso País.

Está na altura para que os Marinheiros que viveram a EXPO98 contem a sua experiência e alguns dos episódios que guardaram na memória!

Escrevam que a Revista de Marinha publica!