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Ocorreu no dia 31 de janeiro o aniversário da chegada do ex-navio-hospital «Gil Eannes» a Viana do Castelo após um longo período de abandono em que se degradou e foi expurgado de equipamentos importantes pertencentes ao espólio náutico do navio.

A Fundação Gil Eannes comemorou este aniversário com a apresentação no dia 31 de janeiro no belíssimo teatro Sá de Miranda, de um documentário inédito e único, cedido pela família do falecido capitão João Araújo, que no ano de 1952, quando imediato do navio da Empresa de Pesca de Viana «São Ruy», registou em película de 8mm, toda a atividade da pesca à linha desde a saída do navio do porto de Viana do Castelo, a ida a Setúbal meter sal, o abastecimento de víveres e ísca em Lisboa, a bênção da frota branca, a viagem para os bancos, a pesca com as suas agruras, o mau tempo, a arribada a St. John’s, o serviço com outros navios para levar correio e homens doentes, a pesca na Groenlândia, o regresso, a entrada em Leixões para aliviar carga para finalmente poder entrar em Viana do Castelo, ao fim de seis longos meses.

Este belíssimo documentário que tem por título «Campanha São Ruy 1952», «parece que foi feito por um cineasta»

como disse o sr. Presidente da Câmara, tal a forma como foi filmado, tem um caráter pedagógico e didático, está agora à disposição de todos, escolas e demais interessados na temática da pesca do bacalhau.

O arranjo do guião, que permite a compreensão das imagens, foi muito bem elaborado pelo capitão João David Batel Marques, que me disse em «off» ter passado muitas noites sem dormir a pensar como devia «dar a volta ao texto», assessorado por uma equipa técnica hábil e competente.

O interesse pela exibição do filme foi tanto que encheu o teatro Sá de Miranda e foi decidido fazer uma segunda sessão logo que terminasse a primeira.

No dia 3 de fevereiro, domingo, teve lugar na Fundação outro evento de não menos importância, a apresentação do «Tomo III – Os navios-motor da pesca à linha», da obra do capitão João David Marques, «A pesca do bacalhau, história, gentes e navios».

Mais uma vez o capitão João David nos brindou com uma sinopse eloquente, porque de um sábio das lides da pesca do bacalhau, mas ao mesmo tempo simples, porque percetível a todos mesmo aos leigos da vida epopeica daqueles que fizeram a pesca do bacalhau à linha. A sala dos oficiais e corredores do Gil Eannes estavam repletos de pessoas ligadas à temática bacalhoeira, mas não só, vindas de ílhavo – a maior parte – terra a que a pesca do bacalhau está intrinsecamente associada há séculos, como também o está Viana do Castelo, com muitas pessoas presentes.

O sr. Presidente da Câmara terminou a apresentação agradecendo à família do capitão Araújo a cedência do filme, enaltecendo o trabalho realizado pela vasta equipa «comandada» pelo capitão João David, realçando o tratamento digital feito pelo Fábio, e gráfico pelo designer Rui Carvalho, perspetivando a apresentação noutros locais, tais como Museu Marítimo de Ílhavo, Escola Náutica Infante D. Henrique e na Bretanha. Referiu ainda que isto só foi possível graças à colaboração dos estaleiros da Westsea no livro e da Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo no documentário.

A culminar o programa das comemorações, os presentes puderam admirar a exposição com o mesmo nome do documentário, patente na sala dos oficiais do navio-museu «Gil Eannes», que poderá ser visitada, não defraudando as expetativas.