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Gosto (muito) quando alguém me consegue surpreender com os seus trabalhos ‘fora do normal’!

O pensar e trabalhar um projeto de modelismo de uma forma original está no ADN dos trabalhos do António Marranita e este não foge à regra.

Depois da secção de vante de uma LST (Landing Ship Tank) publicado na Revista de Marinha (RdM) nº 999 e do U-35 na RdM nº 1003, volta-nos a presentear com mais uma secção de um navio, desta feita um Liberty Ship à escala 1/72, com a ação a ser desenrolada num porto sob controlo das forças Aliadas, do Norte de África durante a Segunda Guerra Mundial.

No total foram usadas onze figuras, que à exceção do elemento indígena, foram modificadas para se encaixarem na ação posto que ocupam.
No total foram usadas onze figuras, que à exceção do elemento indígena, foram modificadas para se encaixarem na ação posto que ocupam.

Munido de planos dos navios Liberty, plástico, tubo metálico para os paus-de-carga, e algum trabalho no computador para desenhar e posteriormente imprimir alguma das peças mais complicadas em 3D, a base do costado no navio e pedaço do convés é realizada. Acrescentar os mais variados detalhes é um pouco mais moroso, mas no final será recompensado pela qualidade e pormenor realista da obra. A pintura é uma tarefa relativamente simples dado que que é limitada a apenas três cores (preto, cinzento médio para o costado e pau-de-carga e cinzento escuro para o convés), embora para quebrar a monotonia de ter uma ‘parede’ cinzenta, modulações de cor, desgastes e ferrugem foram acrescentados criando um interesse visual credível, ao mesmo tempo que são realçados vários detalhes, como por exemplo as linhas de soldadura ou a fileira de rebites junto ao bordo.

A criação do cais, assim como da pequena área de água, são replicados com vários materiais, mas chamo aqui a atenção para o planeamento efetuado anteriormente, pois o que parece uma área absurda de cais vazio irá ter uma importância extrema neste diorama… a seu tempo.

Roldanas e moitões da marca Artesania Latina foram adquiridos, em metal branco (mistura de estanho e chumbo usado nas figuras e nalguns fittings no modelismo naval na escalas maiores) poupando algum trabalho repetitivo. Tudo o que é relacionado com os aparelhos de força foi minuciosamente reproduzido de acordo com os planos, mas tendo em atenção o facto de se estar a criar apenas uma secção e não a totalidade do navio. Assim alguns compromissos são aceites no que se refere aos cabos que ligam estas estruturas, mas mesmo assim não são comprometedoras no que se refere a transmitir a tarefa representada.

As tarefas de embarque e desembarque eram efetuadas por poucos elementos da tripulação dos navios, com a relativa “facilidade”.
As tarefas de embarque e desembarque eram efetuadas por poucos elementos da tripulação dos navios, com a relativa “facilidade”.

Após várias visualizações de filmes de época onde se vê como eram carregadas / descarregadas as viaturas e a carga nestes portos com pouco apoio logístico e infraestruturas, somos surpreendidos com a relativa “facilidade” com que estas tarefas eram efetuadas por poucos elementos da tripulação dos navios. Ou seja, menos figuras para conseguir encontrar que se adaptem às posições necessárias para retratar este momento. No total foram usadas onze figuras, que à exceção do elemento indígena, foram modificadas para se encaixarem na ação / posto que ocupam.

O foco de toda esta representação é um tanque Valentine, da marca PSC, sendo pintado de acordo com o esquema ‘Caunter’ utilizado pelas forças britânicas no norte de África. A única coisa que poderia ter sido alterada seriam os rodados e as lagartas ficarem fletidas por ação da gravidade e dado que não estão apoiadas no solo para melhor realismo, o que não seria fácil de efetuar dado que é constituído apenas por uma peça do modelo para cada lado – mais um compromisso assumido.

O cais começa a ganhar vida, textura diferente, rugosa, cabeços, alguns caixotes… os elementos da tripulação do Liberty na faina e um curioso e ver o que se passa dão uma noção de escala, cor e vida a este diorama. E claro, uma gaivota!
O cais começa a ganhar vida, textura diferente, rugosa, cabeços, alguns caixotes… os elementos da tripulação do Liberty na faina e um curioso e ver o que se passa dão uma noção de escala, cor e vida a este diorama. E claro, uma gaivota!

Acrescentam-se os cabos, pendura-se o Valentine, acrescentam-se mais alguns detalhes (como o ‘Rat Guard Shield’) e retocam-se pontos de ferrugens e sujidades e a parte modelística fica concluída.

Fruto da experiência da secção da LST, acrescentou num dos lados ‘mortos’ do diorama duas reproduções de fotografias, onde se vê um Valentine a ser içado e outra de um Liberty Ship. Para além de mostrar a situação real, diz-nos o autor que “assim não tenho que estar a explicar constantemente que isto é apenas uma secção deste tipo de navio”, como aconteceu com o seu diorama da LST.

Concluindo, foi conseguida uma ação extremamente dinâmica e realista num pequeno espaço de 25 cm x 30 cm, representando uma das funções de apoio logístico mais importantes da Segunda Guerra Mundial, o de levar material e homens para a zonas de batalha e que nem sempre são representadas no modelismo.
Concluindo, foi conseguida uma ação extremamente dinâmica e realista num pequeno espaço de 25 cm x 30 cm, representando uma das funções de apoio logístico mais importantes da Segunda Guerra Mundial, o de levar material e homens para a zonas de batalha e que nem sempre são representadas no modelismo.

Felicito o António Marranita pela qualidade do seu trabalho, dedicação, criatividade e versatilidade em mais um Show Stopper… Parabéns!

Bons modelos!

(artigo originalmente publicado na edição nº1006 nov/dez 2018)