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Náutica nacional

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Ao longo dos anos a Editora Sete Mares tem dado um contributo inestimável para o desenvolvimento da Náutica no nosso País, traduzindo e comercializando obras de indiscutível interesse didático e prático para os Nautas nacionais.

Entre estas conta-se o “Manual dos Barcos a Motor”, da autoria de Paul Glatzel, cuja edição original foi da responsabilidade da prestigiada Royal Yachting Association (RYA), o que por si só é uma chancela de qualidade. Trata-se uma publicação em formato de livro, cuja apresentação é muito cuidada, bem estruturada, cobrindo todos os principais tópicos que um utilizador de barcos a motor deve conhecer, distribuídos ao longo de 23 capítulos. A própria tradução para português está muito bem conseguida, tendo havido o cuidado de adaptar a terminologia usada à linguagem corrente utilizada entre nós. Muito útil a ideia de ter um bloco de notas no final. Gostaríamos, contudo, que o Índice tivesse sido apresentado no início e não no final, o que de nenhuma forma deslustra a qualidade global da obra.

De notar a qualidade dos gráficos e das fotografias apresentadas, as quais valorizam sobremaneira o seu valor didático e pedagógico, tornando particularmente claras as explicações que vão sendo dadas ao longo das suas 120 páginas. De referir que na versão portuguesa houve o cuidado de incluir o “Quadro de Segurança Marítima” da responsabilidade do Instituto Hidrográfico, uma entidade nacional de referência que muito tem dado ao conhecimento do Mar e dos Oceanos.

Registamos com muito agrado os oportunos e avisados conselhos dados no 2º capítulo, “Tipos de barcos, motores e cascos” e sobre quais os critérios que devem presidir à escolha de uma embarcação de recreio, os quais são bem complementados pelo capítulo 22 “Comprar e possuir um barco”. Estes conselhos são particularmente bem-vindos, uma vez que é sabido que as decisões de compra de embarcações de recreio são muitas vezes tomadas de impulso, numa noite de verão, depois de um passeio “muito giro” num barco de um amigo, por vezes com consequências nefastas do ponto de vista da segurança e dos encargos que tal representa. Situação que não poucas vezes faz jus ao ditado de que … um proprietário de uma embarcação de recreio só é feliz quando a compra e quando a vende. O mesmo se aplica aos critérios a ter em conta na escolha do tipo de motores da embarcação a adquirir (gasolina, diesel, 2 tempos e 4 tempos) e o Check List de verificações e os cuidados a ter no arranque de uma embarcação de recreio. Como é sabido, mas muitas vezes olvidado no dia-a-dia, o cumprimento destes procedimentos prolonga a vida útil de uma embarcação, minimizando os seus custos de operação e aumentando o seu valor em caso de revenda.

É sabido que ninguém aprende a conduzir uma embarcação de recreio pela leitura de um qualquer manual, e que só a prática e as milhas navegadas permitem apurar. Mas também não é menos verdade que o conhecimento teórico dos “Princípios Básicos de Manobra”, de “Largar e Atracar”, bem como de “Fundear”, são imprescindíveis a qualquer nauta digno desse nome, os quais estão particularmente bem explanados nos capítulos 6, 7 e 8, cuja leitura atenta se recomenda.

Uma palavra para a forma como são explicados o “Regulamento para Evitar Colisões” e a “Balizagem”, capítulos 16 e 17 respetivamente. Claros, sucintos e bem sistematizados. A clareza dos gráficos que os acompanham emprestam um importante valor formativo. Uma palavra também para o quadro da página 94, “Aspectos Fundamentais da Carta” que de uma forma visualmente muito interessante permite evidenciar toda o potencial de informação que uma qualquer Carta seja ela em papel, ou em formato digital, pode aportar ao nauta. Numa altura em que as Cartas de Navegação em papel tendem cada vez mais a passar à história, embora na nossa opinião não devam nunca desaparecer das mesas de navegação, de modo a assegurar formas redundantes de segurança, é muita oportuna a referência na página 100 e seguintes à “Navegação Eletrónica”.

A navegação eletrónica é, como é sabido, de fácil apreensão e de uso expedito, tornando muito mais segura a navegação, pelo que qualquer nauta que se preze deve aprender a manusear estes equipamentos com presteza, como forma adicional de segurança. O “Manual dos Barcos a Motor” dá também aqui um contributo para a sua divulgação e utilização.

Em conclusão, o “Manual dos Barcos a Motor”, por cuja edição no mercado nacional felicitamos a Editora Sete Mares, é um livro de leitura imprescindível, com lugar cativo na biblioteca de qualquer embarcação de recreio, pelos conhecimentos fáceis e expeditos que aporta, contribuindo decisivamente para o prazer de estar no Mar com segurança.

O preço de capa são 9,90€.

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