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O Mar tem em si uma grande importância e um conjunto de benefícios para fornecer ao ser humano, do ponto de vista ecológico, político e sociocultural.

Com uma profundidade média de 3795 m, e a máxima de 11.022 m, na Fossa das Marianas, e ocupando uma superfície de 3,61059.108 km2, perfazendo 97% da água do planeta, o Mar não é um simples reservatório de massas de água salgada. Ele é fundamental para a sobrevivência da espécie humana e de todos seres vivos do planeta.

É nesse “reservatório”, chamado Oceano Mundial, que os cientistas estudam as várias formas de movimento da água, a sua interação com a atmosfera, com a costa e com o fundo.

Certas valências do Mar estão amplamente divulgadas e são do domínio público, tais como: transportes marítimos, pesca, atividades lúdicas, exploração petrolífera e de gás natural. Inúmeras ciências ajudam a conhecer o mar e à preservação dos recursos marinhos, assim são a hidrografia, cartografia, meteorologia, investigação biológica, botânica e biotecnológica, entre outras.

A exploração petrolífera é uma valências do Mar amplamente divulgada.
A exploração petrolífera é uma valências do Mar amplamente divulgada.

Mas será que o público em geral conhece a importância de outras valências que este imenso ecossistema oferece em suas vidas? Somos no Mundo perto de 8 bilhões de pessoas e para se ter uma ideia, perto de 2/3, segundo a ONU-UNESCO, vive atualmente a menos de 50 km do Mar. Esta faixa da costa corresponde a menos de 2% do território terrestre e abriga uma população de um pouco mais de 4 bilhões de pessoas. E outra pergunta se coloca: — Será que esta população observa o verdadeiro valor do Mar? Categoricamente: — Não!  Porque, sem qualquer dúvida, podemos considerar que para boa parte desta população os problemas relacionados com o Mar não lhes são familiares.

O desenvolvimento de forma sustentável é um dever todos.
O desenvolvimento de forma sustentável é um dever todos.

Alguns aspetos do Mar dizem respeito a todas as pessoas, mais exatamente, têm uma importância vital para cada ser humano, mesmo que este viva longe da costa.

Por isso, o desenvolvimento de forma sustentável é um dever todos. O Homem procura o lugar onde se vive melhor. Assim, conhecendo mais e melhor o Mar significaria também investir melhor na sua qualidade de vida.

Para o bem do género humano, o Mar proporciona vários requisitos sem os quais, toda nossa civilização seria impossível. Por exemplo o oxigénio (O2) que respiramos, sem o qual nós não poderíamos viver. O mesmo oxigénio é necessário também, para os animais, plantas, bem como para numerosos motores de combustão interna, turbinas, motores a jacto, etc. Os cientistas estimam que, não menos de 50% do oxigénio contido na atmosfera da Terra é libertado pelo fitoplâncton, embora este valor possa ser ainda maior, atingindo mesmo 60 a 80%.

Fitoplancton, base da cadeia alimentar dos ecosistemas aquáticos
Fitoplancton, base da cadeia alimentar dos ecosistemas aquáticos

O fitoplâncton, além de libertar oxigénio, absorve simultaneamente o dióxido de carbono (CO2), utilizando-o para o seu crescimento. O fitoplâncton constitui o primeiro elo da cadeia alimentar. Além de constituir um alimento para o peixe, garantindo assim a sua abundância, é muito importante para o homem. Se o fitoplâncton não existisse, não haveria vida no Mar. Anualmente, o fitoplâncton absorve uma enorme quantidade de ácido carbónico da água, que por sua vez penetra nela a partir da atmosfera. Trata-se igualmente de um processo muito importante para todos nós. Desta forma, o Mar contribui para a purificação do ar atmosférico. Mas, certamente, a influência do Mar sobre a nossa vida não se limita a isso. Na hidrosfera, é assim que muitas vezes é tratado o Mar, existem os fenómenos turbulentos de convecção que assumem uma grande importância na física do Mar. Se, de súbito, parasse o processo de mistura no Mar, a vida na Terra tornar-se-ia provavelmente impossível. Devido à mistura turbulenta e à de convecção, as águas do Mar são aquecidas até certas profundidades, acumulando calor. Este calor é transportado através de todo o globo terrestre pelas correntes. Se não houvesse mistura, o sol aqueceria apenas uma fina camada superficial de água, tornando impossível a acumulação de reservas suficientes de calor, deixaria de existir o “aquecimento central” do planeta e a Terra ficaria congelada.

O Mar proporciona o oxigénio (O2) que respiramos sem o qual não poderiamos viver
O Mar proporciona o oxigénio (O2) que respiramos sem o qual não poderíamos viver

A maior máquina térmica do globo terrestre começa precisamente a funcionar na superfície do Mar.

Outros dos fenómenos importante para a vida é a “chuva”! E se perguntarmos donde vem? Todos responderão imediatamente. Das nuvens. E as nuvens donde vêm? Pois é justamente aqui que cabe afirmar que a Terra é irrigada principalmente pelo Mar. Ele irriga o nosso planeta — os campos, jardins, florestas, prados e hortas, porque a cada minuto, da sua superfície evaporam-se milhares de toneladas de água.  A maior máquina térmica do globo terrestre começa precisamente a funcionar na superfície do Mar. Os cientistas calculam que da superfície do Mar se evapora anualmente uma camada de água de cerca de um metro de espessura, que origina as nuvens e destas surge a chuva. Por isso, é de reconhecer que o Mar, juntamente com a atividade solar, são os responsáveis pela regulação do clima.

A Terra é irrigada principalmente pelo Mar. Da superfíciedo mar evapora-se a água, que origina as nuvens e destas surge a chuva.
A Terra é irrigada principalmente pelo Mar. Da superfície do mar evapora-se a água, que origina as nuvens e destas surge a chuva.

O Mar pela sua importância deve ser protegido contra a poluição antrópica. É de salientar que a ação humana na poluição de certas áreas do Mar já se revela claramente acentuada, até preocupante.  Neste sentido, urge pôr fim à contaminação do Mar. Já foram tomadas algumas medidas nesta direção. O problema é fazer com que todos os países se preocupem com a conservação do Mar, pelo contributo que este dá à vida no Planeta Terra.

Não basta reivindicar espaços marítimos, os países que possuem saída para o mar, têm responsabilidade acrescida, devendo possuir a capacidade para proteger o que é seu.

Sublinha-se que na década de 50 do século passado, as Nações Unidas iniciaram a discussão e depois a elaboração do que é hoje, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que está em vigor desde 1994 e é considerada, por vários analistas internacionais, como o maior empreendimento normativo no âmbito das Nações Unidas, legislando sobre todos os espaços do Mar, com o correspondente estabelecimento de direitos e deveres dos Estados ribeirinhos.

Os navios patrulha oceânicos NZING MBANDI e NGOLA KILUANGE, são a expressão do cumprimento das obrigações de proteção do seu Mar, pela República de Angola. (foto Rosário dos Santos)
Os navios patrulha oceânicos NZING MBANDI e NGOLA KILUANGE, são a expressão do cumprimento das obrigações de proteção do seu Mar, pela República de Angola. (foto Rosário dos Santos)

Segundo as Nações Unidas, existem 193 países no mundo, dentre eles, 44 são países “interiores” ou “encravados.” Assim são conhecidos no “concerto das nações” os 44 países que não têm saída para o mar.

Assim, os países que possuem saída para o mar, têm responsabilidade acrescida, pela diferença e benefício que isto impõe. Não basta reivindicar espaços marítimos. Em primeiro lugar, como obrigação mínima, estes países devem possuir a capacidade para proteger o que é seu.

A população mundial tem crescido a um ritmo galopante. Por isso, zelar por este bem que é o Mar, significa investir na qualidade de vida no nosso planeta, não apenas para a nossa geração, mas também das futuras gerações, para que estas possam também desfrutar de seus imensos benefícios.