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Polemikó Naftikó

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A marinha de guerra da Grécia, Polemikó Naftikó (Marinha de Guerra), ciente da necessidade de controlar emissões gasosas e consumos, escolheu uma das suas mais modernas classes de navios-patrulha lança-mísseis, a classe ROUSSEN para monitorizar em tempo real o desempenho da instalação propulsora, mas também avaliar o aumento da resistência do casco.

A classe ROUSSEN, é conhecida como SUPER VITA por ser baseada no projeto dos navios de menor deslocamento, adquiridos pelo Catar e pelo Omã, a classe VITA. De projeto britânico da Vosper Thornycroft (hoje BAE Systems Surface Ships), tem um comprimento de 61.9m, uma boca 9.5m de e um calado de apenas 2,6 m. Para um deslocamento a plena carga de 668 toneladas, estes navios têm uma tripulação de 45 homens e velocidade máxima de 35 nós. São navios fortemente armados para as suas dimensões pois dispõem de uma peça de artilharia de OTO-Melara (Leonardo) de 76 mm, oito mísseis anti-navio MBDA Exocet MM40 Block 2/3,  um lançador de mísseis superfície-ar RIM-116 RAM e duas peças anti-aéreas de 30 mm de fogo rápido, também OTO-Melara (Leonardo). Os sensores e o sistema de comando e controlo são de origem francesa, THALES.

O navio patrulha P70 HS GRIGOROPOULOS a navegar no Canal de Corinto (imagem Hellenic Navy)
O navio patrulha P70 HS GRIGOROPOULOS a navegar no Canal de Corinto (imagem Hellenic Navy)

A classe é formada pelos seguintes navios: P 67 HS ROUSSEN (2005), P 68 HS DANIOLOS (2006), P 69 HS KRYSTALLIDIS (2006), P 70 HS GRIGOROPOULOS (2010), P 71 HS RITSOS (2015), P 78 HS KARATHANASIS (2020) e P 79 HS VLACHACOS (prevista entrega em 2021)

A série de sete navios, é dotada duma instalação propulsora de alta potência, dando-lhe capacidade para operar a elevadas velocidades, características que potenciam consumos excessivos e emissões de gases poluentes dos motores diesel, que hoje, mais do que nunca, é necessário controlar e limitar. Nesse sentido a Marinha de Guerra Helénica procurou no mercado internacional empresas que fornecessem equipamentos para aquela função.

Na Europa apenas existem duas firmas tecnológicas com esse tipo de material e uma é a portuguesa TECNOVERITAS.

E foram os equipamentos concebidos e desenvolvidos pela engenharia nacional os escolhidos. O equipamento em causa, batizado OPTIPOWER, é um sensor integrado que mede a potência ao veio, o impulso e o binário, permitindo identificar onde existem ineficiências, através da parametrização e monitorização dos KPI (Key Performance Indicators). Ao relacionar a energia medida no veio e o impulso com outras variáveis operacionais do navio (consumo, distância em milhas, entre outros), o OPTIPOWER permite segregar as causas das ineficiências do sistema de propulsão, por exemplo um defeito do casco ou do hélice ou um problema no motor principal. Ao longo da vida dos navios, a continua monitorização e análise do sistema de propulsão permite otimizar a eficiência energética da plataforma, tornando possível planear ações de manutenção preventiva, evitando paragens inesperadas e intervenções corretivas que geralmente levam a despesas acrescidas.

Os sensores OPTIPOWER montados numa linha de veios. (imagem TECNOVERITAS)
Os sensores OPTIPOWER montados numa linha de veios. (imagem TECNOVERITAS)

Os patrulhas ROUSSEN, são dotados de quatro motores diesel MTU 16V595 TE90 de 23.500 hp ligados a quatro veios e quatro hélices. Dadas as caraterísticas muito específicas, nomeadamente as reduzidas dimensões do compartimento onde se encontra a instalação propulsora, o sistema fornecido é único e feito à medida.

Sistemas do mesmo tipo, concebidos, desenvolvidos e fabricados em Portugal pela TECNOVERITAS, estão a funcionar há dois anos na Índia e em Malta.

O P67 HS ROUSSEN atracado em Pireus, com embandeiramento em arco, por ocasião das festas de S. Nicolau, 2009. (imagem K. Krallis, wikimedia)
O P67 HS ROUSSEN atracado em Pireus, com embandeiramento em arco, por ocasião das festas de S. Nicolau, 2009. (imagem K. Krallis, wikimedia)