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Um dia especial para dois quelónios.

O passado dia 20 de julho foi um dia especial para a Querubim e a Quibi, duas tartarugas salvas na costa de Portugal Continental no ano de 2019 e entregues aos cuidados do Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas, Porto d’Abrigo do Zoomarine.

A Quibi (tartaruga-verde, chelonia mydas) é a maior, pesa 6,8 Kg e mede 33,2 cm. Foi encontrada presa nas redes de pesca no dia 13 de setembro 2019 a duas milhas da costa da Quarteira. Estava em nítido de estado de exaustão e deu entrada no Zoomarine com suspeita de pneumonia. Durante os nove meses que esteve em tratamento engordou um quilo.

A Quibi (tartaruga-verde, chelonia mydas) no tanque do Porto d'Abrigo (imagem ZooMarine)
A Quibi (tartaruga-verde, chelonia mydas) no tanque do Porto d’Abrigo (imagem ZooMarine)

A Querubim (tartaruga-comum, caretta caretta) foi encontrada por pescadores a 23 de dezembro no terminal de contentores de Sines (Terminal XXI), com lesões no pescoço, cabeça e cloaca. Pesava 506g e media 14,29 cm. Durante a reabilitação aumentou consideravelmente de peso (2,5 kg) e tamanho (23,9cm).

A Querubim (tartaruga-comum, caretta caretta) no tanque do Porto d'Abrigo (imagem Zoomarine)
A Querubim (tartaruga-comum, caretta caretta) no tanque do Porto d’Abrigo (imagem Zoomarine)

Todas as espécies de tartarugas marinhas encontram-se na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), classificadas como vulneráveis, ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção. Os equipamentos de pesca deixados ao abandono são um dos principais fatores responsáveis por numerosas mortes de tartarugas marinhas que, em certos casos, também podem afogar-se quando ficam presas nas redes de arrasto.

A operação de devolução ao habitat natural

As operações do dia 20 de julho começaram no Porto d’Abrigo do Zoomarine pelas 08h15 para permitir cumprir o período de reabilitação dos dois animais, em coordenação com o horário de largada do NRP HIDRA do Ponto de Apoio Naval de Portimão, que estava prevista para as 10h00.

Entrada do edifício principal do Porto d'Abrigo (imagem Zoomarine)
Entrada do edifício principal do Porto d’Abrigo (imagem Zoomarine)

As tartarugas marinhas foram reabilitadas pelos profissionais associados ao Porto d’Abrigo do Zoomarine em colaboração com a comunidade regional de pescadores, o ICNF, agentes da Autoridade Marítima Nacional e a Marinha Portuguesa.

Cada um dos dois quelónios regressou ao mar com um microchip em tudo semelhante aos que colocamos nos cães e gatos que fazem parte da nossa vida; no entanto, devido ao seu reduzido tamanho, não foram anilhados.

A Querubim prestes a ser devolvida ao mar pelo Comandante Rocha Pacheco (imagem Marinha Portuguesa)
A Querubim prestes a ser devolvida ao mar pelo Comandante Rocha Pacheco (imagem Marinha Portuguesa)

A Marinha de Guerra colaborou na libertação das tartarugas marinhas

A Marinha de Guerra Portuguesa apoiou o Zoomarine na devolução ao mar das duas tartarugas. A ação decorreu com a ajuda da lancha de fiscalização rápida N.R.P. HIDRA, numa posição a cerca de 10 milhas náuticas (18.52 km) a Sul do porto de Portimão, uma distância segura, de modo a permitir que a Querubim e a Quibi, nadem safas das artes de pesca costeira e de arrasto.

​​​​​A bordo do navio da Marinha estiveram elementos do Porto d’Abrigo do Zoomarine e o Comandante de Zona Marítima do Sul, capitão-mar-e-guerra Rocha Pacheco.

A LFR HIDRA a sair a barra de portimão (imagem MGP)
A LFR HIDRA a sair a barra de portimão (imagem MGP)

 A lancha de Fiscalização Rápida N.R.P. HIDRA

A lancha HIDRA é o quinto de uma série de cinco navios da classe Argos. Lançada à água em 26 de julho de 1991 e aumentada ao efetivo em 16 de dezembro de 1991, foi construída nos estaleiros da empresa CONAFI – Construção Naval de Fibras, Lda, em Vila Real de Santo António, sob projeto dos Estaleiros do Arsenal do Alfeite.

O navio tem 27m de comprimento, 5,9m de boca, 2,8m de calado e desloca 94tons.

A sua propulsão é garantida por 2 Motores MTU 12V 396 TE84 diesel com 3.700hp,  que lhe permitem atingir uma velocidade máxima de 26 nós ou 48km/h. À velocidade de cruzeiro de 15 nós, consegue navegar 1.350 milhas.

A sua guarnição limita-se a oito militares, um oficial, um sargento e seis praças.

Está dotada dum radar de navegação Kodden MDC 2210, e o seu armamento principal são duas metralhadoras Browning 12.7mm

O NRP HIDRA durante uma ação de fiscalização da pesca. (imagem MGP)
O NRP HIDRA durante uma ação de fiscalização da pesca. (imagem MGP)

Missão e Emprego

Esta lancha de fiscalização rápida foi desenhada para desempenhar missões no âmbito da segurança e autoridade do Estado no mar, em Portugal Continental e na Região Autónoma da Madeira.

Das missões atribuídas, salientam-se as executadas no âmbito da busca e salvamento marítimo, patrulha e fiscalização dos espaços marítimos, apoio no combate à poluição do mar e repressão de ilícitos (tais como narcotráfico e imigração ilegal) em colaboração com outros agentes do Estado.

Pontualmente, participa em exercícios navais nacionais e efetua missões de proteção de força, através da escolta a navios combatentes durante o trânsito em águas confinadas, e também colabora no treino de outras unidades navais.