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Está em distribuição a edição em papel nº 1015 da Revista de Marinha, referente aos meses de maio e junho.

No presente número da vossa revista fazemos foco no mergulho e na náutica de recreio, atividades de lazer e de tempos livres, saudáveis para o corpo e para a mente, que são também oportunidades de negócio. Como se sabe, temos muitas milhas de costa no Continente, nos Açores e na Madeira e também numerosos planos de água, rios e albufeiras, as rias Formosa, de Alvor e de Aveiro, e os estuários protegidas do Tejo e do Sado.

Contudo, antes de abordar este tema é incontornável olhar para a “economia do mar” como um todo, e para os efeitos da recente pandemia da COVID–19. O combate epidemiológico à pandemia obrigou ao confinamento da população, ao lockdown, travando a fundo a economia e provocando uma severa crise económica e social. Os economistas estimam que após atingir o fundo, a cava, algures no 2º trimestre, se inicie a recuperação, mais ou menos rápida conforme os setores, em V, em U ou em L, ninguém sabe ainda, nem se sabe da possibilidade de uma 2ª vaga da pandemia. Não esquecer que hoje a nossa economia é muito aberta ao exterior.

Vista aérea da Marina de Oeiras (imagem Oeiras Marina)
Vista aérea da Marina de Oeiras (imagem Oeiras Marina)

A pesca tem sido particularmente afetada, pois o “peixe fino” era maioritariamente adquirido por restaurantes, agora fechados ou com a sua atividade muito reduzida; foi objeto de medidas de apoio, quer do Governo, quer da Comissão Europeia, que alterou mesmo o regulamento do European Maritime and Fisheries Fund, para lhe dar maior flexibilidade.

O shipping e os portos sofrem a redução das exportações e uma menor importação de matérias primas; talvez seja este um dos subsetores que recuperará mais depressa, exceto no que se refere a atividades de navios de cruzeiro, nos rios ou no mar.

Vários sócios da APORVELA, a bordo da VERA CRUZ (direitos reservados)
Vários sócios da APORVELA, a bordo da VERA CRUZ (direitos reservados)

O turismo será muito afetado e terá, possivelmente, uma recuperação mais lenta. Hoje representa cerca de 10 % do PIB, mas com áreas próximas, como a marítimo-turística, chegará aos 17 %; é seguramente um dos maiores problemas, económicos e sociais.

A náutica de recreio, que recuperava ainda da crise financeira de 2012, será muito fustigada nas suas diversas facetas. A venda de embarcações parou, a atividade das marinas reduziu-se, as escolas de mergulho registam menos procura, muitas provas de surf e regatas foram já canceladas, como a vinda a Lisboa dos Tall Ships, adiada para agosto de 2021.

As instalações da Lindley em Alcabideche (imagem Grupo Lindley)
As instalações da Lindley em Alcabideche (imagem Grupo Lindley)

Contudo mantém-se alguns sinais positivos, a instalação em Setúbal de uma fábrica de embarcações de vela ligeira (classe laser) para o mercado internacional, a expansão do desporto escolar e a consolidação do projeto das Estações Náuticas.

O futuro a Deus pertence, a RM espera que … depois da tempestade venha a bonança. E que a “economia do mar”, como na crise anterior, mostre ser mais resiliente do que a maioria dos outros setores.

Mas, a vida continua, e noutro registo, importa felicitar a APORVELA pelo seu 40º aniversário e a firma LINDLEY pelos seus respeitáveis 90 anos. Os nossos sinceros parabéns!