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N.R.  Caro leitor, a Revista de Marinha inicia hoje a publicação da série de crónicas “O JOVEM E O MAR”, da autoria do jovem marinheiro e empresário Bernardo Castro.

Como líder, gosto de pensar como se fosse um skipper responsável por uma equipa de tripulantes cujas vidas estão dependentes das minhas decisões.

Quem me conhece sabe que sou um amante do Mar e o líder da Seaventy, uma empresa emocionante que aproxima as pessoas do Mar.

Desde muito cedo acompanhei o meu pai nos seus cruzeiros de veleiro ao fim de semana e durante as férias e foi dele que herdei esta grande paixão. Aos dezoito anos, troquei a oportunidade de tirar a carta de condução pela carta de patrão local e em vez de ser o típico jovem que conduzia o carro do pai em segredo, navegava no seu veleiro às escondidas com amigos.

"Desde muito cedo acompanhei o meu pai nos seus cruzeiros de veleiro ao fim de semana..." (imagem do autor)
“Desde muito cedo acompanhei o meu pai nos seus cruzeiros de veleiro ao fim de semana…” (imagem do autor)

Sabe Deus (e muitas vezes, também a minha irmã Carmo), as aventuras e desventuras em que me meti durante essa curva de aprendizagem até ser um skipper profissional. Aos vinte anos já era contratado para fazer transportes de veleiros e iates para o Algarve e Espanha e aos vinte e um anos, iniciei a grande viagem da minha vida ao me casar com a Rita, a mulher da minha vida. Desse grande amor chegaram seis princesas para fazer de mim um homem melhor e mais equilibrado, obrigando-me a desenvolver um lado muito mais preocupado com os outros.

Esta vida ligada ao Mar e à liderança faz-me refletir inúmeras vezes nas lições que a vida no Mar pode dar à nossa vida em Terra.

Como líder, gosto de pensar como se fosse um skipper responsável por uma equipa de tripulantes cujas vidas estão dependentes das minhas decisões. E que a qualidade das minhas decisões está diretamente dependente da minha clareza e integridade.

Se em tempos de grande confiança e ventos favoráveis estas virtudes podem até ser esquecidas e menosprezadas por skippers menos conscientes, é em tempos de incerteza que skippers e líderes com altos níveis de clareza e integridade mais se destacam e salvam vidas. Literalmente.

A equipa do VOR65 DONGFENG durante a REGATA in-port, em Newport, RI, EUA, 19 maio 2018. (pormenor da imagem de Jeremie Lecaudey Volvo Ocean Race)
A equipa do VOR65 DONGFENG durante a REGATA in-port, em Newport, RI, EUA, 19 maio 2018. (pormenor da imagem de Jeremie Lecaudey Volvo Ocean Race)

Ser líder não é só estar à frente de uma equipa ou organização. É acima de tudo, ser responsável pelas escolhas na sua própria vida. É a diferença entre passar uma existência a fazer parte de várias tripulações ou escolher ser skipper da sua própria embarcação, responsável pelo rumo e segurança dos vários tripulantes que o tempo generosamente vai colocando no nosso caminho. Qualquer skipper entende o que está dependente de si e o que são as condições externas que dependem exclusivamente da Mãe Natureza: o vento, a chuva, o nevoeiro, o frio, o calor, as correntes, os animais… Todas estas condições aparecem em qualquer longa viagem.

Sábio e forte de espírito é o skipper que não faz depender a sua força de vontade e a sua felicidade das condições externas do ambiente, mas da atitude interna responsável e consciente que toma em relação a elas.

 

N.A. Texto retirado da Introdução do Ebook “7 Passos para liderar em Mares de Incerteza”. Clique no título  para descarregar o Ebook completo.