Náutica de Recreio

Tânia Oliveira, um anjo que partiu…

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Como dizem os sábios: “…mesmo com a alma partida, ter um sorriso nos lábios.”

Mas custa muito! Dói muito!

Foi alguém que não queria ir embora e até tinha feito projetos para o dia seguinte. Tudo se esvaneceu  num curto momento. Parece que até a natureza se  empenhou em participar  numa simples homenagem à Tânia Oliveira, pois  as nuvens assemelhavam-se  a figuras mitológicas e um ponto de luz, vindo do céu,  iluminou aquele desenho feito pelos surfistas a imitar uma prancha gigante.

Surfistas dispostos como se duma prancha gigante se tratasse, lançam água ao céu em jeito de despedida à colega que partiu. (Foto de Miguel Resendes)

Homenagens feitas à mesma hora noutros pontos do país.  Ela já era conhecida por quase todo o mundo surfista e a notícia da sua “partida”, deixou muita gente sem palavras.  Hora amarga! Os olhos ficam cheios de lágrimas e a alma enche-se de saudades.

Centenas de surfistas prestaram digna homenagem à Tânia Oliveira. Ericeira, Terceira e S. Miguel foram palcos de homenagem à jovem açoriana que faleceu no dia 1 de janeiro, vítima de inalação de monóxido de carbono. Círculos humanos, em pleno oceano, lançaram flores e algumas lágrimas foram derramadas.

Pranchas desenham um flor, na praia das Milícias, ilha de São Miguel, Açores. (Foto de Miguel Resendes)

Em S. Miguel chegou quase a uma centena e meia de pessoas. Tânia Oliveira, uma das mais promissoras atletas Açorianas, representou os Açores de forma inigualável, deixando gente comovida e sem palavras. Mensagens de carinho e apoio à família e amigos correram os órgãos sociais de quase todo o planeta. Tânia Madruga Oliveira nasceu a 31-10-1997, federada pelo Santa Bárbara Surf Club, treinava há 4 anos e meio. Tinha como resultados Principais: Campeã Regional 2014 e 2015, Vice Campeã Nacional sub 18 em 2015, Top 3 ranking Nacional Open (Liga Moche 2016), Eleita Atleta do Ano pela Câmara Municipal de Ponta Delgada 2016.

Gostaríamos que a vida ensinasse a dizer adeus às pessoas que se gostam, sem as tirar do nosso coração.

É difícil sorrir, quando o sol perde a luz, ocultando a dor. Mesmo assim, fazendo um esforço, sorrindo, tornamo-nos enganadores e todos pensam que somos felizes. A alma de quase todos os surfistas tem o peso da luz. Tem o peso da música, tem o peso da lembrança, tem o peso da saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que se chorou tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Tânia Oliveira deixou um imenso pesar em toda a comunidade. Connosco ficam as boas memórias. Como atleta e como pessoa nunca será esquecida.

 

(nota da redação: A Revista de Marinha junta-se na homenagem à promissora surfista Tânia Oliveira, enviando respeitosas condolências à família e amigos e agradece a redação deste texto ao seu treinador Sérgio Marcos Aparício)

 

Sérgio Aparício

Instrutor de surf certificado pela Federação Portuguesa de Surf, de grau I. Vive nos Açores há 16 anos onde também é professor de educação física. É ainda juiz de provas de surf, certificado pela Federação Portuguesa de Surf.

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