Ciência e Tecnologia

Tragédia a bordo de navio de investigação onde se encontra oficial português.

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O malogrado comandante Javier Montojo, era um apaixonado pela ciência. (foto Armada Española)

A morte do capitão-de-fragata Javier Montojo Salazar, a bordo do navio de pesquisa oceanográfica HESPÉRIDES, que terá acidentalmente caído ao mar, deixou consternada a Marinha Espanhola. O oficial, de 53 anos, desapareceu na vizinhança da base espanhola Juan Carlos I, na Ilha Livingston, na Antártida, e só foi localizado após seis horas de busca. O comandante Montojo foi visto pela última vez às 6 horas da tarde do dia 2 de março, hora local. As causas do acidente são desconhecidas, embora tudo indique que ele estava sozinho no convés no momento do acidente.

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O primeiro-tenente Ventura da Cruz, a bordo do HESPÉRIDES, no Antártico. (foto MGP)

O comandante Montojo encontrava-se a bordo no âmbito do Projeto GALILEO-IHM-3 da Campanha Antártida 2017-2018 e trabalhava com o primeiro-tenente Ventura da Cruz do Instituto Hidrográfico de Lisboa. Este projeto tem como objetivos avaliar o serviço europeu Global Navigation Satellite System (GNSS) Galileo, no modo de serviço aberto e gratuito de posicionamento e difusão de tempo na região Antártica e executar levantamentos hidrográficos, no âmbito do plano cartográfico espanhol, nomeadamente a execução de levantamentos topo-hidrográficos e observações GNSS Galileo em Punta Arenas (Chile), Ushuaia (Argentina) e em diversos locais das ilhas Shetland do Sul e península Antártica.

De acordo com informação disponibilizada pela Marinha Portuguesa, o oficial português encontra-se na Antártida a bordo do navio de investigação Oceanográfica HESPÉRIDES até ao dia 12 de março, a convite do Instituto Hidrográfico da Marinha de Espanha.

O navio oceanográfico HESPÉRIDES (A-33) é um navio de pesquisa polar, com base em Cartagena, sendo gerido pela Unidade de Tecnologia Marinha, um órgão do Conselho Superior de Pesquisa Científica (CSIC), financiado pelo CICYT (Comissão Interministerial de Ciência e Tecnologia) que legalmente é o seu armador, embora o HESPÉRIDES tenha tripulação militar e esteja registado na Lista Oficial de Navios da Marinha Espanhola. O HESPÉRIDES deixou o porto de Cartagena a 24 de novembro e chegou à Antártida após dois meses de navegação.

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A Base Antártica Espanhola Juan Carlos I (BAE Juan Carlos I) (foto de SnowSwan19

Com mais de trinta anos de atividade, a base científica espanhola na Antártida, localizada na ilha de Livingstone, depende do Centro Superior de Pesquisa Científica (CSIC), instituição tutelada pelo Ministério de Ciência e Inovação de Espanha.  Espanha tem neste momento duas bases científicas na Antártida.

A Revista de Marinha junta-se na homenagem à memória do capitão-de-fragata Javier Montojo, endereçando as mais sentidas condolências à Marinha Espanhola, seus amigos e familiares.