Marinha de Comércio

Zeebrugge, um case-study da indústria portuária

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O porto de Zeebrugge, é um porto belga, situado a 95 km a nordeste da capital, Bruxelas que, apesar de estar localizado numa das zonas de maior concentração de portos da Europa, tem sabido apostar nas suas características diferenciadoras, atraindo novos negócios e o potenciando o seu consequente desenvolvimento.

Câmara Municipal de Bruges
Foto Wolfgang Staudt

Zeebrugge é administrado por uma empresa privada de capital público, controlada pelo município de Bruges, que tem sabido enfrentar a concorrência dos portos vizinhos de Antuérpia e Roterdão, desenvolvendo nichos próprios e explorando as vantagens dadas pelas enormes áreas disponíveis e a grande profundidade dos fundos. Recorde-se que o porto de Zeebrugge tem fundos de 17 metros nos cais situados na zona exterior protegida por quebra-mares e onde pode receber navios pós-panamax, e de 14,5 metros em suas docas interiores.

Os números de Zeebrugge, a carga ro-ro e a realidade nacional

Em 2016, Zeebrugge movimentou no total 37,8 milhões de toneladas.  A movimentação de contentores atingiu 1,4 milhões de TEUs, mas foram as 14,8 milhões de toneladas de carga rolada (ro-ro) que tornaram este porto líder mundial neste tipo de carga. Em termos específicos, no ano de 2016, Zeebrugge movimentou 1,3 milhões de camiões e 2,8 milhões de automóveis.

A título de curiosidade, como comparação, no mesmo ano, em termos de movimento total, Leixões movimentou 18,3 milhões de toneladas, Lisboa 10,5 milhões, Setúbal 6,9 milhões e Sines 51,2 milhões. Já em comparando contentores e carga rolada, Leixões movimentou 0,66MTEUs/ 0,54MTro-ro, Lisboa 0,39MTEUs/ 0,05MTro-ro, Setúbal 0,16MTEUs/ 0,24MTro-ro e Sines 0,65MTEUs/ 0,63MTro-ro.

Porto Zeebrugge carcenterOu seja, nos movimentos totais, verificamos que tanto Leixões como Sines, são portos com um movimento superior a Zeebrugge, mas em termos de carga contentorizada e carga rolada, os portos portugueses são uma realidade muito diferente e muito mais pequena.

Em Zeebrugge, foi o incentivar da implantação de centros logísticos, de indústrias transformadoras do setor automóvel e o disponibilizar áreas para atrair novos terminais, que tornaram aquele porto numa referência do segmento ro-ro (em Zeebrugge, a área portuária está preenchida por terraplenos para parques de veículos e unidades industriais especializadas na preparação de veículos novos e usados).

Em Leixões e Sines, os grandes movimentos registados estão também eles associados às indústrias transformadoras colocalizadas (nestes caos produção e transformação energética), indústrias que em ambos os casos belga e português, trouxeram valor acrescentado às mercadorias e, consequentemente, geraram mais empregos.

Oficial da Marinha de Guerra. Especializou-se em submarinos, onde navegou cerca de seis anos. Foi representante nacional na NATO para Electronic Warfare e Psychologic Operations. Esteve colocado cerca de sete anos nos Açores onde foi Autoridade Marítima local. Em 1997 ganhou o prémio de melhor colaborador da Revista da Armada.