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170 anos de êxito… America’s Cup, vicissitudes, que fazem correr tinta em todo o mundo, de edição em edição…

Apesar das inevitáveis vicissitudes, que fazem correr tinta em todo o mundo, de edição em edição, da mais emblemática taça mundial America’s Cup, a verdade também é que são essas contingências que alimentam o êxito dos seus 170 anos de idade na história da Vela, provocando interesse no seu acompanhamento passo a passo.

No último número da Revista de Marinha, fomos para o prelo nas vésperas do conhecimento de quem seria o Challenger da 36ª edição, isto é, quem iria comparecer no duelo com o detentor da elegante sempre exuberante Taça América, agora a vestir PRADA, actual grande patrocinador deste evento do mundo, também ele, Prada, agora a dar nome ao troféu que premeia o melhor entre os desafiadores.

Na altura decorria a final do Troféu Prada, o confronto era entre europeus, os italianos do “Luna Rossa Prada Pirelli Team” e os britânicos do “Ineos Team UK”. Saíram vencedores, à melhor de 13, os italianos por 7-1. Foram eles a erguer o Troféu Prada e a ter o passaporte ao confronto com “Emirates Team New Zealand”.

O veterano Massimiliano Sirena, skipper do LUNA ROSSA ergue a taça PRADA, na cerimónia da entrega do prémio, no passado dia 23 de fevereiro (imagem COR36 Studio Borlenghi)
O veterano Massimiliano Sirena, skipper do LUNA ROSSA ergue a taça PRADA, na cerimónia da entrega do prémio, no passado dia 23 de fevereiro (imagem COR36 Studio Borlenghi)

O tiro de largada para a Taça América estava calendarizado para 6 de Março, por circunstância de confinamento Covid-19, foi adiado para dia 10, era o início da 3ª tentativa de Itália obter a Taça “One Hundred Guinea Cup” e assim candidatar-se a repetir a façanha de 2003 da Suiça, no regresso da invejável taça à Europa, que a tinha visto partir no seu ano de criação em 1851, sem nunca ter regressado ao continente.

Itália é um país bastante assíduo nas últimas décadas em marcar presença no interesse em concorrer a este galardão, chegando a alcançar o estatuto de Challenger na edição de 1992 a bordo do “Il Moro di Venezia” e em 2000 ao leme do “Luna Rossa”. Em 2021 confirmou o ditado: “…não há duas sem três”, chegava a hora da ambicionada tentativa de repetir o anterior feito dos suíços do “Alinghi”. Mas outro ditado popular, “à terceira é de vez”, não se confirmou e ao 5º dia de competição, em Auckland, perdeu a igualdade de vitórias de 3-3, para não mais ganhar nenhuma regata nos dias seguintes até à classificação final de 7-3, também à melhor de 13, facto que enalteceu a vitória dos neozelandeses do “Emirates Team New Zealand” que ganharam pela quarta vez a America’s Cup, tornando-se o 2º país com mais vitórias, sendo os EUA o 1º com 29. Em 36 edições só quatro países tiveram o privilégio de ostentarem o troféu em casa, os restantes dois foram a Austrália com uma vitória, o outro país, que vingou a Europa, foi a Suíça, equipa Alinghi, onde o nosso português João Cabeçadas foi e é elemento chave na logística técnica em terra e Mar, obtiveram a vitória em duas edições.

No interior do Golfo Hauraki, próximo a Auckland, Nova Zelândia, os barcos AC75, representantes do Royal New Zealand Yacht Squadron e do Circolo della Vela Sicilia, da Itália, em renhido duelo na prova final da 36ª AC (imagem Carlo Borlenghi)
No interior do Golfo Hauraki, próximo a Auckland, Nova Zelândia, os barcos AC75, representantes do Royal New Zealand Yacht Squadron e do Circolo della Vela Sicilia, da Itália, em renhido duelo na prova final da 36ª AC (imagem Carlo Borlenghi)

Terminada a competição, a opinião generalizada dos especialistas e observadores desta 36ª edição é unânime em considerar que o barco, monocasco com foils, mais rápido em regata é o ganhador, isso foi um facto visível ao longo das 10 regatas, porém os confrontos de match-racing foram escassos e os verificados ficaram longe das demonstrações de bem velejar nas difíceis regras da especialidade, como se observava nas saudosas e entusiásticas edições do início do século em monocascos clássicos de quilha.

37ª edição, primeiro dia assinado ao abrigo do tratado “Deed of Gift”, desafio para novo confronto em 2022…

17 de Março, último dia da 36ª America’s Cup, primeiro dia da 37ª edição já com nova página escrita, foi assinado ao abrigo do tratado “Deed of Gift”, documento original da regata, que possibilita que um qualquer adversário pode desafiar o detentor para novo confronto.

Assim aconteceu, o Royal Yacht Squadron da Nova Zelândia recebeu e aceitou o desafio feito pelo Royal Yacht Squadron Racing (GBR), representado pelo “Ineos Team UK”, para um novo duelo para a 37ª America’s Cup, no local onde tudo começou em 1851 – Ilha de Wight.

A famosa Auld Mug agora vai em mala Prada. A taça em prata foi feita em Londres, em 1848, pelo ourives da coroa Robert Garrad & Co, tem 1,10 m de altura e pesa cerca de 18 Kg. A mala inspirada no design clássico de malas da PRADA, tem mais de 2000 pregos colocados individualmente e foi manufaturada pelos artesãos da Prada em 2019 (imagem AC/PRADA)
A famosa Auld Mug agora vai em mala Prada. A taça em prata foi feita em Londres, em 1848, pelo ourives da coroa Robert Garrad & Co, tem 1,10 m de altura e pesa cerca de 18 Kg. A mala inspirada no design clássico de malas da PRADA, tem mais de 2000 pregos colocados individualmente e foi manufaturada pelos artesãos da Prada em 2019 (imagem AC/PRADA)

Com este desafio começaram os acordos para o futuro, ficando estabelecido para 2022 o novo confronto, mas com condições exigidas pelos neozelandeses, fosse de quem fosse a vitória, a edição seguinte seria de novo em Auckland na Nova Zelândia, bem como a obrigação ao recurso do actual barco AC75 e a permanecer para as duas próximas edições. Condições aceites. Para além destas imposições outras deverão surgir, como:

  • Restrição a construir um só novo barco por equipa para o próximo evento;
  • Regra de Nacionalidade de Tripulação, 100% de passaporte do país do barco, acrescida de parâmetros já pré-definidos e em estudo;
  • Prerrogativas para redução de custos em todas as equipas;
  • Outras condições facilitadoras que permitam uma maior participação de outras nações, tais como possibilidade de aquisição de barcos AC75 já utilizados em anteriores gerações;
  • Outros requisitos a serem estudados e ultimados, ficando já prometida a divulgação na Proposta a ser apresentada até final do ano 2021.

o que hoje é verdade, amanhã é mentira” …

Tudo é muito interessante, mas há que ter em consideração que estamos a analisar a America’s Cup e atendendo a todas as constantes eventualidades sempre inesperadas, “o que hoje é verdade, amanhã é mentira”, há que aguardar pelo dia da apresentação da Proposta e esperar que tudo o que surgir seja a contento de todos os intervenientes. Mas as facilidades desejadas de uniformização para a continuação do AC75, no intuito de minimização de custos, à partida parecem-nos serem paradoxais, pois por um lado pensa-se aproveitarem os barcos já construídos, por outro lado já se fala numa nova versão da regra para a classe AC75 a ser usada em 2024, então como se conjugam estas duas vontades? Entretanto a confusão aumenta e parece beneficiar os actuais competidores, quando fazem previsão para um simpósio esclarecedor sobre o design do AC75, a ocorrer no final do confronto de 2022, no intuito de ajudar os desafiadores de 2024 a se atualizarem, ou seja, a ser assim, as equipas na altura já em competição, melhores conhecedoras e experientes na embarcação actualizada, encontrar-se-ão em vantagem temporal e técnica relativamente às restantes. Certo? Então!

Aguardemos, é isto a America’s Cup!

Alinghi, não descarta o retorno ao evento…

Apesar destas nossas considerações sobre a prestigiada Auld Mug, que não são únicas na análise e acompanhamento mundial, só sustentam a convicção de que a AC parece que só é AC se houver os tais constantes enredos para que se possa falar dela (AC) durante a sua realização e interregnos entre edições, factos que a tornam apelativa à colagem de grandes nomes de marcas na sua sobrevivência, como é o caso do alargamento de patrocínio da PRADA, da equipa italiana Luna Rossa, até ser agora patrocinadora maioritária do evento. Esta 36ª edição, para a Prada, foi de oportunidade de excelência, justificativa e bem-sucedida por conseguir que a sua equipa Luna Rossa ficasse na História da America’s Cup como a 1ª vencedora do Troféu com o seu nome. Como a AC é um mundo de novidades constantes, Ernesto Bertarelli, chefe da Alinghi, não descarta o retorno do desafio suíço ao evento que o catapultou para a ribalta da Vela mundial.

João Cabeçadas o velejador português que hoje é elemento chave na logística técnica da equipa suiça Alinghi (imagem Alinghi Team)
João Cabeçadas o velejador português que hoje é elemento chave na logística técnica da equipa suiça Alinghi (imagem Alinghi Team)

Para nós RM salientamos como nota positiva de apreço da edição terminada, o reconhecimento e “carinho” da PRADA premiar todos os 150 elementos integrantes da Emirates Team New Zealand, pelo mérito de terem contribuído para a vitória final, com a oferta de uma medalha de prata de 9 cm, desenhada pela PRADA e fabricada por um laboratório italiano de talheres artesanais de alta qualidade, em que numa face exibe o logotipo da “36th America’s Cup presented by PRADA” e no verso as palavras “WINNER – Auckland – New Zealand – 2021”. É a primeira vez na história da Taça América que tal iniciativa é alargada a toda a equipa vencedora. Bonito!

Fica na História!

Agora é hora de aguardar por acrescentar mais páginas à História, o 3º desafio Deed of Gift, em 170 anos, está para acontecer, …ou não, os dois anteriores, em 1988 e 2010, foram situações distintas da Taça e na nossa opinião não a glorificaram, a expectativa agora é grande.

Isto é a America’s Cup, máquina activa de marketing.

A equipa Emirates NZ debaixo dum verdadeiro duche de champanhe a celebrar a vitória da 36ª America's Cup, no passado dia 17 de março, em Auckland, (imagem ACE-Studio Borlenghi)
A equipa Emirates NZ debaixo dum verdadeiro duche de champanhe a celebrar a vitória da 36ª America’s Cup, no passado dia 17 de março, em Auckland, (imagem ACE-Studio Borlenghi)

Nota: – ver mais informação na RM n.º 1009 (Maio-Junho 2019) e RM n.º 1020 (Março-Abril 2021)